O Dia da Consciência Negra não é apenas um marco simbólico. É um lembrete de que a história do Brasil foi construída pela resistência de um povo que, apesar da escravidão e do apagamento, continua a mover este país com sua força, cultura e ancestralidade.
Celebrar 20 de novembro é reconhecer Zumbi dos Palmares como símbolo da luta coletiva por liberdade — e assumir a responsabilidade de enfrentar as desigualdades que ainda estruturam a vida da população negra.
A cada ano, o debate sobre consciência negra se torna mais urgente. O racismo segue vivo: aparece nas estatísticas, nas oportunidades negadas, nos territórios vulnerabilizados e na violência que atinge sobretudo jovens negros e periféricos. Não basta lembrar — é preciso transformar.
É nesse sentido que o governo Lula vem reconstruindo políticas desmontadas nos últimos anos e recolocando o combate ao racismo no centro da agenda nacional. Desde 2023, o Brasil voltou a ter uma política de igualdade racial ativa, transversal e estruturante. Um dos marcos desse processo é o Pacote pela Igualdade Racial, que reúne ações para ampliar direitos, fortalecer territórios quilombolas, garantir acesso à educação, cultura e renda, e proteger a juventude negra da violência.
Também merece destaque o decreto que determina que 30% dos cargos de direção do governo federal sejam ocupados por pessoas negras até o final de 2025 — uma mudança histórica. Representatividade no Estado é mais do que justiça simbólica: é reconhecer que democracia não existe sem diversidade real nos espaços de decisão.
No campo da cultura, programas como Cultura Negra Vive reforçam a centralidade da produção afro-brasileira na construção do país. A iniciativa celebra e fortalece coletivos, territórios, artistas e tradições negras, recolocando a cultura como ferramenta de identidade, disputa de narrativa e reparação histórica.
Essas ações mostram que o avanço só é possível quando o Estado se compromete com mudanças profundas. Mas também deixam claro que essa luta não é de um governo apenas: é um esforço de sociedade. Racismo se enfrenta com política pública, mas também com organização social, movimentos vivos, quilombos urbanos, coletivos culturais e mobilização permanente.
O feriado nacional da Consciência Negra, sancionado no ano passado, é parte desse caminho de reconhecimento. Mas feriado não basta. A memória precisa se traduzir em ação — cotidiana, institucional e comunitária.
Por isso, neste 20 de novembro, mais do que recordar a história, reafirmamos o compromisso com o futuro: um Brasil onde a igualdade racial não seja promessa, mas realidade concreta. Onde jovens negros tenham direito à vida, à escola, ao trabalho digno, à cultura e ao sonho. Onde a ancestralidade seja força e não fardo. Onde a luta de Zumbi se reflita em cada política pública, em cada orçamento, em cada decisão de Estado.
A Consciência Negra é, sobretudo, um projeto político de país. E é nele que continuaremos firmes: construindo, todos os dias, um Brasil mais justo, mais plural e mais democrático.
Gleide Andrade é Secretária Nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores (PT).
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Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato.

