Gleide Andrade

Gleide Andrade é Secretária Nacional de Finanças e Planejamento do PT

2025: o ano da colheita em um Brasil que resistiu ao ódio

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Cartazes e bandeiras nas ruas do país denunciam tentativa de anistia a golpistas do 8 de janeiro | Crédito: Luiza Melo/Brasil de Fato DF

2025 foi marcado pela morte do Papa Francisco

2025 se encerra como um dos anos mais tensos e reveladores da história recente do Brasil. Não foi um período de normalidade institucional, mas de enfrentamento contínuo. A expansão organizada da política de ódio, a radicalização da extrema direita e a persistência de um projeto autoritário — cuja expressão mais violenta foi a tentativa de golpe orquestrada por Jair Bolsonaro — atravessaram o ano e seguiram produzindo instabilidade.

Derrotado nas urnas, o bolsonarismo não se dissolveu. Reorganizou-se nas redes, pressionou instituições, disseminou desinformação e naturalizou a violência política como método. A condenação de Bolsonaro representou um marco na responsabilização de quem atentou contra a democracia, reafirmando que rupturas institucionais não podem permanecer impunes.

O ano também foi atravessado por acontecimentos de forte impacto simbólico no cenário internacional. A morte do Papa Francisco, liderança global comprometida com a justiça social e a paz, foi sentida em um mundo tensionado pelo avanço do autoritarismo. A canonização de Pier Giorgio Frassati, jovem católico reconhecido por sua resistência ao fascismo e por seu compromisso com os pobres, reafirmou, no plano histórico e moral, que projetos baseados no ódio não produzem legado — apenas ruína.

Governar nesse ambiente exigiu mais do que habilidade administrativa. Exigiu firmeza democrática.

A colheita depois da terra arrasada

Foi sob esse cenário adverso que o governo Lula conduziu o país — e, ainda assim, 2025 foi o ano da colheita. Não por acaso. Os frutos colhidos neste ano são resultado de um processo profundo de reconstrução iniciado após o desmonte deixado pelo governo Bolsonaro, que desorganizou políticas públicas, enfraqueceu o Estado e aprofundou desigualdades. Em 2025, essa reconstrução tornou-se visível e concreta.

O Minha Casa Minha Vida retomou obras e voltou a garantir moradia digna. O Bolsa Família, reconstruído como política de Estado, devolveu segurança alimentar às famílias mais vulneráveis. A ampliação da Farmácia Popular assegurou acesso a medicamentos essenciais, enquanto o Mais Médicos recompôs a atenção básica em territórios abandonados. A valorização real do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda aliviaram o orçamento das famílias trabalhadoras. O novo PAC recolocou o Brasil em movimento, com investimentos estruturantes em saúde, educação, infraestrutura e energia.

Não são números abstratos: são políticas públicas que incidem diretamente sobre a vida concreta da população.

Essa reconstrução também reposicionou o Brasil no cenário internacional. A confirmação do país como sede da COP 30 consolidou o retorno brasileiro ao centro do debate climático global, com protagonismo na defesa do meio ambiente, da transição energética e da justiça climática — agendas inseparáveis do combate às desigualdades.

Ódio político, ódio de gênero

2025 também escancarou uma ferida estrutural: o avanço da violência contra as mulheres. O aumento dos feminicídios e das agressões não ocorre no vácuo. Ele dialoga diretamente com um ambiente público que normalizou a misoginia e relativizou a violência. O ódio político e o ódio de gênero caminham juntos.

Por isso, as políticas para mulheres ocuparam lugar central. A ampliação de casas de abrigo, o fortalecimento da rede de proteção, os investimentos em autonomia econômica e a retomada de uma política nacional de enfrentamento à violência representam respostas estruturais a um país que falhou historicamente com suas mulheres.

2026: defender a colheita

O Brasil caminha agora para 2026, um ano eleitoral que exigirá maturidade política, mobilização social e enfrentamento direto ao extremismo. A extrema direita seguirá apostando no medo, na mentira e na violência simbólica. Esse é o método que conhecemos.

A diferença é que, desta vez, o campo democrático entra na disputa com entregas reais, políticas funcionando e um país que voltou a respirar depois da devastação. 2025 demonstrou que reconstruir é possível, mesmo sob ataque permanente. 2026 exigirá defender essa colheita com coragem, compromisso público e responsabilidade histórica.

Porque democracia não é uma abstração institucional nem um conceito restrito aos ritos formais do poder. Ela se manifesta no prato cheio, na casa construída, no remédio garantido, na mulher protegida, no trabalhador respeitado. Democracia é política pública em funcionamento e Estado comprometido com a vida.

Gleide Andrade é secretária nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores (PT).

Leia outros artigos de Gleide Andrade em sua coluna no Brasil de Fato.

Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Elis Almeida

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