Jaldes Meneses

Professor Titular do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Doutorem Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua na Gradução em História da UFPB e junto ao Programa de Pós-Graduação em Serviço Social, na qualidade de Professor Permanente. Tem experiência na área de Teoria Política, com ênfase em História, atuando principalmente nos seguintes temas: democracia e teoria política contemporânea. Atuou como Assessor Parlamentar no Senado Federal entre fevereiro de 2016 e outubro de 2018.

A hora é agora

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Bolsonaro anda cada vez mais desgastado | Crédito: Waldryano – Pixabay -Free

Não se descarta mais o cenário de uma abreviação no tempo do governo através de um impeachment

As cenas da visita de Bolsonaro ontem ao Rio Grande do Norte demonstram que ele destrambelhou de vez. Não digo que o governo caiu, mas até parecem cenas de fim de governo, uma espécie de réquiem. Hoje à tarde, o depoimento dos irmãos Luis e Luis Ricardo Miranda, mais a leitura dos resultados da pesquisa, manchete de hoje, que alça Lula vitorioso em primeiro turno, devem provocar uma forte inflexão na conjuntura. 

O impossível começa a se transformar em possível. Não se descarta mais o cenário de uma abreviação no tempo do governo através de um impeachment. Algumas pessoas acham que seria melhor deixar o governo sangrar. Trata-se uma visão imobilista e errada. Antes de tudo, a derrota “antecipada” do bolsonarismo impediria, na raiz, a solução “Capitólio”, que, no Brasil, seria muito mais barra pesada que nos Estados Unidos.

Por outro lado, não creio que a burguesia seja atraída, de imediato, pela solução de capitalismo popular do lulismo. É possível que, esvaziado, o governo caia por meio de um consenso, pelo alto, da grande burguesia, brasileira e imperialista, que começaria a apostar numa polarização entre Lula e um candidato de direita repaginado pelo slogan amorfo da “terceira via”, agora tornada primeira.

A situação exige que a bandeira do impeachment seja erguida com mais força ainda nas mobilizações de ruas. Precisamos de um 24J popular, democrático, antineoliberal e contra mais um tradicional acordo pelo alto na história brasileira.

Editado por: Heloisa De Sousa

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