Joaquín Piñero

Joaquín Piñero é militante do MST e da ALBA Movimientos; atua no Setor de Relações Internacionais do movimento.

Missão da Via Campesina acompanha impasses do Acordo de Paz na Colômbia

Conflito na Colômbia têm origem na luta pela reforma agrária que opõe trabalhadores rurais e proprietários de terras desde os anos de 1920
Conflito na Colômbia têm origem na luta pela reforma agrária que opõe trabalhadores rurais e proprietários de terras desde os anos de 1920 | Crédito: LUIS ROBAYO/AFP

Desde a assinatura do acordo já são mais de 400 lideranças assassinadas

Durante cinco dias, a III Missão de Solidariedade da Via Campesina, composta por 20 delegados/as provenientes de 15 países de quatro continentes, esteve em Bogotá, Cauca, Tolima e Cundinamarca e mantiveram reuniões com organizações camponesas, povos indígenas e comunidades negras. Também se reuniram com instituições do Estado, com os ex-combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), representantes do Congresso da República, embaixadas, observadores internacionais, entre outros, com a tarefa de reunir depoimentos e dados para produzir um relatório para a comunidade internacional e fazer o seguimento dos Acordos de Paz pactuados em 2016 entre o Governo da Colômbia e as FARC.

A assinatura desse acordo, firmado em 26 de setembro de 2016, foi comemorado em todo mundo, pois se tratava de pôr fim a mais de 50 anos de guerra. Esse conflito têm origem na luta pela reforma agrária que opõe trabalhadores rurais e proprietários de terras desde os anos de 1920. As hostilidades se intensificaram a partir da década de 1960, quando aumentam os assassinatos de trabalhadores a mando dos fazendeiros em conivência com o Estado, fato que obriga os camponeses a se organizarem em armas para se defenderem, formando entre outras forças, as FARC.

Esse conflito, o mais longo das Américas, já deixou mais de 200 mil mortos, regiões inteiras devastadas e mais de 6 milhões de refugiados, sem, entretanto, resolver o problema da terra.

Os resultados apresentados à Missão da Via Campesina são extremamente preocupantes. O que se observa é que em sua maior parte os acordos não vem sido cumpridos por parte do governo colombiano. Desde a vitória para a presidência em 2018 de Iván Duque (aliado do ex-presidente Álvaro Uribe, um ferrenho opositor ao processo de paz) não há avanços significativos em nenhum dos pontos acordados em Havana (Cuba).

O relatório Via Campesina da aponta ainda um aumento brutal das violações aos direitos humanos, com prisões ilegais, perseguição às lideranças das organizações sociais e criminalização dos protestos sociais. Desde a assinatura do acordo já são mais de 400 lideranças assassinadas por grupos paramilitares e pela repressão das forças militares como o Esquadrão Móvil Anti-distúrbio (ESMAD).

A III Missão faz um chamado ao governo da Colômbia para que se reative a mesa de diálogo com o Exército de Libertação Nacional (ELN) e também com as demais forças insurgentes a fim de se estabelecer a paz estável e duradoura, e conclama a comunidade internacional para que efetive a solidariedade e exija severas apurações do governo colombiano às denuncias de violações aos direitos humanos.

Editado por: Vivian Virissimo

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