Joaquín Piñero

Joaquín Piñero é militante do MST e da ALBA Movimientos; atua no Setor de Relações Internacionais do movimento.

Paralisação nacional na Argentina contra as politicas neoliberais de Macri

Paralisação deixou ruas vazias na região central de Buenos Aires
Paralisação deixou ruas vazias na região central de Buenos Aires | Crédito: Juan MABROMATA / AFP

O nível de pobreza tem aumentado assustadoramente

Milhares de trabalhadores e trabalhadoras fecharam os principais acessos da capital Buenos Aires e das cidades do interior do país desde a manhã desta quarta-feira (29) em uma paralisação nacional convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), demais centrais sindicais e pelos movimentos sociais argentinos contra a aplicação das políticas neoliberais do governo Macri.

Esse já é a sexta paralisação nacional realizada desde que a crise se instalou na Argentina sob o comando do presidente Mauricio Macri. O nível de pobreza e o grau de miserabilidade da população argentina tem aumentado assustadoramente ao ponto de já ser comparado com a crise de 2001, quando as pressões populares derrubaram 5 presidentes em 12 dias.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censo (INDEC), a inflação elevada e a recessão econômica na Argentina aumentaram o índice de pobreza do país para 32% no segundo semestre de 2018, o que equivale a 12,9 milhões de pessoas vivendo nessa situação. Além disso, 6,7% da população, ou 1,8 milhão de pessoas, vive abaixo do nível de indigência.

Macri venceu as eleições no final de 2015 prometendo enterrar de vez a era dos Kirchner e aplicar no país políticas (de cunho neoliberal) ancoradas no crescimento a partir de privatizações, reformas estruturantes com equilíbrio fiscal. O resultado, em seu último ano de governo, é um desastre. Para amenizar a situação, teve de buscar ajuda no Fundo Monetário Internacional (FMI) com um empréstimo de 57 bilhões de dólares e se comprometeu a realizar mais ajustes que só favoreceram os setores financeiros e industriais.

No próximo mês de outubro, a Argentina irá às urnas e apesar da alta rejeição popular e a pressão interna para que desista, Macri mantém-se como candidato. Deverá enfrentar a ex-presidenta e atual senadora Cristina Kirchner que anunciou que será vice numa chapa de coalizão que tem seu ex-chefe de governo Alberto Fernandez como titular.

Editado por: Vivian Virissimo

|

Newsletter