Por Leleco Pimentel e Padre João
O Brasil voltou a dar passos importantes no combate à fome, mas ainda está longe de superar definitivamente uma das maiores injustiças sociais da nossa história: a desigualdade que condena milhões de pessoas à insegurança alimentar.
Nos últimos anos houve avanços relevantes. Dados de organismos internacionais e pesquisas nacionais indicam que 14,7 milhões de brasileiros deixaram a condição de fome em 2023, quando a insegurança alimentar severa caiu drasticamente em relação aos anos anteriores. O país voltou a sair do chamado Mapa da Fome da ONU, resultado da retomada de políticas públicas de proteção social e de combate à pobreza.
Também pesquisas recentes do IBGE mostram redução no número de domicílios em situação de fome, com queda significativa da proporção de lares em insegurança alimentar grave. São sinais positivos de reconstrução das políticas sociais que haviam sido desmontadas.
Mas é preciso dizer com clareza: o problema ainda está longe de ser resolvido.
Mesmo com os avanços recentes, milhões de brasileiros ainda vivem na fronteira da pobreza e convivem diariamente com a incerteza sobre a próxima refeição. A fome continua presente nas periferias urbanas, nas áreas rurais empobrecidas e entre a população em situação de rua.
A fome tem rosto
Essa realidade esteve no centro de debates recentes sobre o combate à pobreza e à fome, realizados na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Tivemos a oportunidade de participar desse diálogo ao lado do Padre Júlio Lancelotti, referência nacional na defesa da população em situação de rua e na luta contra a desigualdade.
Padre Júlio tem dedicado sua vida a denunciar a invisibilidade social dos mais pobres e a lembrar algo fundamental: a fome não pode ser tratada como um problema natural ou inevitável. Ela é consequência de escolhas políticas e de um modelo de sociedade que ainda tolera desigualdades profundas.
Também levamos esse debate para espaços internacionais de reflexão sobre segurança alimentar, como as discussões promovidas pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), nas quais o deputado federal Padre João participou defendendo políticas públicas voltadas ao combate à fome e à pobreza.
Política que serve ao povo
No projeto Juntos para Servir, que articula nossos mandatos, a luta contra a fome é uma prioridade política.
Enquanto o deputado federal Padre João atua no Congresso Nacional na defesa da agricultura familiar, da produção de alimentos saudáveis e da soberania alimentar, o deputado estadual Leleco Pimentel trabalha em Minas Gerais pela construção de políticas públicas que fortaleçam a justiça social e garantam direitos às populações mais vulneráveis.
Essa atuação conjunta parte de uma compreensão simples: combater a fome exige enfrentar as causas estruturais da pobreza.
Isso significa fortalecer programas de transferência de renda, ampliar políticas de segurança alimentar, apoiar quem produz comida no campo e garantir oportunidades de trabalho digno nas cidades.
Compromisso com os mais pobres
A política só faz sentido quando está a serviço da vida.
Por isso, o projeto Juntos para Servirnasce de um princípio claro: estar ao lado de quem mais precisa. Defender os mais pobres, reduzir as desigualdades e garantir direitos básicos como alimentação, moradia, terra e dignidade.
Combater a fome não é apenas uma tarefa de governo. É um compromisso coletivo com a justiça social.
Porque em um país que produz alimentos para milhões de pessoas, ninguém deveria dormir com fome.
Leleco Pimentel é deputado estadual pelo PT (MG) & Padre João é deputado federal pelo PT (MG).
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Este é um artigo de opinião. A visão dos autores não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

