A ureia é a base para a produção de diversos fertilizantes nitrogenados e para a formulação do NPK — Nitrогênio, Fósforo e Potássio. Sem ela, o agronegócio brasileiro simplesmente para.
O Fósforo vem de rochas. O Potássio, também. Já a ureia e a amônia vêm do gás natural e do petróleo — e sua produção exige grande quantidade de energia. Alguns países dominam essa cadeia essencial tanto para a agricultura quanto para a indústria química. Muitos deles são produtores agrícolas e consomem quase toda a sua produção de fertilizantes.
Os países do Oriente Médio detém as maiores reservas de petróleo do mundo. Entre eles, Arábia Saudita, Iraque e Irã. Por terem pouca produção agrícola e consumo interno reduzido, esses países exportam volumes expressivos de ureia e amônia para o mercado global — incluindo o Brasil.
Com a guerra patrocinada por Trump e Netanyahu, o preço do petróleo disparou cerca de 100%. Como consequência direta, o preço da ureia e da amônia também subiu, em torno de 50%. Quem paga essa conta? O agricultor brasileiro.
É contraditório — e no mínimo irresponsável — que setores da extrema direita e parte da direita brasileira apoiem essa guerra. O agronegócio depende de fertilizantes para existir. Apoiar as aventuras militares de Trump é, literalmente, um tiro no próprio pé.
Basta observar o que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, fez nos Estados Unidos no dia 29 de março de 2026. Ele está há muito tempo conspirando contra os interesses do Brasil em solo estrangeiro. E chama isso de patriotismo.
Apesar do cenário adverso, o Irã — através de seu embaixador no Brasil, Abdollah Nekounam — reafirmou em 31 de março de 2026 que mantém o envio de fertilizantes ao país. Em 2025, o Brasil importou aproximadamente 7,7 milhões de toneladas de ureia, das quais 2% vieram do Irã.
O volume oriundo do Oriente Médio como um todo chega a 2,7 milhões de toneladas, provenientes sobretudo de Omã, Catar, Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
O dado mais alarmante, porém, é este: o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Essa dependência não surgiu do nada. Ela foi construída — ou melhor, fabricada — por escolhas políticas deliberadas.
Temer e Bolsonaro: os destruidores
A Lava Jato, o governo golpista de Michel Temer e os quatro anos de Jair Bolsonaro destruíram sistematicamente a capacidade do Brasil de produzir seus próprios fertilizantes. Não foi descuido. Foi política.
Em 2018, Michel Temer interrompeu a produção das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (FAFEN) da Bahia e de Sergipe. Em 2020, a fábrica Araucária Nitrogenados S.A. (Fafen-PR), da Petrobras, foi desativada por decisão do governo Bolsonaro. Bolsonaro também vendeu três refinarias da Petrobras — joias do patrimônio público brasileiro.
Em fevereiro de 2022, Bolsonaro anunciou a venda da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, ao grupo russo Acron. A unidade já estava com as obras paralisadas desde 2014, em decorrência da Lava Jato.
Este é o verdadeiro legado dos autoproclamados “defensores do agronegócio”: um país com 85% de dependência externa em um insumo vital para a produção de alimentos.
Em busca da soberania em fertilizantes
Em 2024, o governo Lula retomou a produção nacional de fertilizantes. A FAFEN do Paraná recebeu investimentos de quase R$1 bilhão. Em 2025, a Petrobras, com apoio do governo federal, voltou a investir nas fábricas da Bahia e de Sergipe.
As obras da Unidade de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, foram retomadas, com previsão de operação a partir de 2028. Serão R$3,5 bilhões investidos apenas para a conclusão das obras — o maior projeto de produção de nitrogenados da história do Brasil.
O governo também tem em curso um projeto para uma planta de produção de fertilizantes no Triângulo Mineiro, em Uberaba, reforçando a presença estratégica de Minas Gerais nessa cadeia produtiva essencial.
Com Lula, o Brasil tem pela primeira vez um Plano Nacional de Fertilizantes, com previsão de R$126 bilhões em investimentos públicos até 2050 — com meta de atender quase 60% do mercado interno. Isso é planejamento de Estado. Isso é soberania.
Padre João é deputado federal por Minas Gerais pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Sacerdote católico de formação, construiu sua trajetória política a partir do trabalho com comunidades em situação de vulnerabilidade social. No exercício do mandato, atua com ênfase nas áreas de direitos humanos, políticas sociais e soberania nacional. É membro de comissões temáticas que acompanham políticas agrárias e de segurança alimentar, e tem se destacado na denúncia das consequências da dependência externa de insumos agrícolas sobre os pequenos e médios produtores brasileiros.
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Leleco Pimentel é deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais (PT). Com mandato na Assembleia Legislativa do Estado (ALMG), atua em pautas ligadas ao desenvolvimento regional, à economia popular e à proteção de serviços públicos. Sua atuação tem foco na fiscalização de políticas públicas que impactam o interior mineiro, regiões que dependem diretamente da produção agropecuária e, portanto, da estabilidade no fornecimento e nos preços de fertilizantes.
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