Juntos para Servir

O deputado estadual Leleco Pimentel e o deputado federal Padre João fazem parte do projeto Juntos para Servir, mandato coletivo e participativo, que busca garantir com ética, transparência e eficiência a vida, a justiça social, a solidariedade, leis justas e capacitar pessoas para traduzir em ações as transformações necessárias à cidadania. O projeto também trabalha as agendas políticas do campo e da cidade, na defesa da Casa Comum e do bem viver.

El Niño, crise climática e a urgência de cuidar da Casa Comum

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Porto Alegre (RS), 19/06/2024 – Rua alagada na Vila da Paz após chuvas e novos alagamentos | Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

A prevenção custa menos do que a reconstrução

Por Leleco Pimentel e Padre João

A possibilidade de um novo ciclo do El Niño nos próximos meses voltou a acender alertas entre cientistas, agricultores e gestores públicos. O fenômeno climático, provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, costuma alterar o regime de chuvas em diversas partes do planeta e tem reflexos diretos sobre a produção de alimentos, a disponibilidade de água e a vida de milhões de pessoas.

No Brasil, os efeitos são conhecidos. Enquanto algumas regiões enfrentam chuvas intensas, enchentes e deslizamentos, outras convivem com secas prolongadas, perdas na produção agrícola, escassez de água e aumento do risco de queimadas. O que muda agora é que esses eventos tendem a ocorrer em um cenário de aquecimento global, tornando seus impactos ainda mais severos.

É importante evitar dois erros. O primeiro é o alarmismo, que transforma previsões em sentenças inevitáveis. O segundo é o negacionismo, que ignora os alertas da ciência e trata a crise climática como exagero. Nem uma postura nem outra ajudam a proteger a população.

O verdadeiro debate deveria ser outro: estamos preparados para enfrentar os impactos de eventos climáticos extremos?

A resposta, infelizmente, ainda está longe do ideal.

“Não há duas crises separadas, uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise socioambiental”, afirmou o Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si’, de 2015. Ao apresentar ao mundo o conceito de Casa Comum, o Papa Francisco chamou a atenção que o cuidado com a natureza não pode ser separado do cuidado com as pessoas. A degradação ambiental, a pobreza, a fome, a falta de acesso à água e a desigualdade fazem parte do mesmo problema.

Por isso, os impactos do El Niño não atingem todos da mesma forma.

Quando uma enchente destrói uma grande fazenda de monocultura, há prejuízo econômico. Quando uma seca atinge uma família agricultora, muitas vezes está em jogo o sustento de toda uma comunidade. Quando uma nascente desaparece, não é apenas um problema ambiental. É uma ameaça à produção de alimentos, ao abastecimento humano e à permanência das famílias em seus territórios.

A agricultura familiar, responsável pela maior parte dos alimentos que chegam diariamente à mesa dos brasileiros, está entre os setores mais vulneráveis aos extremos climáticos. Ao mesmo tempo, é uma das maiores aliadas na construção de soluções sustentáveis.

Por isso defendemos políticas públicas permanentes de fortalecimento da agricultura familiar, da agroecologia, da recuperação de nascentes e da proteção dos recursos hídricos. Produzir alimentos saudáveis, preservar o solo, reduzir a dependência de agrotóxicos e proteger a biodiversidade não são objetivos conflitantes. São parte de uma mesma estratégia para garantir soberania alimentar e enfrentar a crise climática.

Infelizmente, o que vemos em muitos momentos é o caminho oposto.

Enquanto a ciência alerta para a necessidade de proteger biomas, nascentes e territórios, setores do agronegócio pressionam pela flexibilização das regras ambientais. Enquanto comunidades lutam pela preservação das águas, grandes interesses econômicos defendem menos fiscalização e mais facilidades para atividades que geram degradação.

Em Minas Gerais, conhecemos bem as consequências dessa lógica. Mariana e Brumadinho demonstraram que o afrouxamento dos controles ambientais e a submissão do interesse público aos interesses das mineradoras podem produzir tragédias humanas, sociais e ambientais de proporções incalculáveis.

Os mesmos grupos que frequentemente classificam a proteção ambiental como entrave ao desenvolvimento costumam silenciar diante dos prejuízos provocados pela degradação dos rios, pela contaminação dos solos e pela destruição dos territórios.

A conta sempre chega, e em geral é paga pelos mais pobres.

É por isso que, no projeto Juntos para Servir, temos defendido iniciativas concretas de adaptação climática e convivência sustentável com os desafios ambientais.

Um dos exemplos mais importantes é o trabalho de implantação de barraginhas em diferentes regiões de Minas Gerais. Trata-se de uma tecnologia simples, acessível e eficiente para captar água das chuvas, favorecer sua infiltração no solo, recuperar nascentes e fortalecer a segurança hídrica das comunidades rurais.

A defesa da agroecologia, o apoio às comunidades atingidas por crimes ambientais, a proteção das águas, o fortalecimento da agricultura familiar e a luta por justiça socioambiental fazem parte da mesma visão de futuro.

Não existe desenvolvimento verdadeiro quando rios são sacrificados, quando comunidades são expulsas de seus territórios ou quando o lucro de poucos vale mais do que a vida de muitos.

O possível retorno do El Niño deve servir como alerta. Não para espalhar medo. Não para alimentar discursos negacionistas. Mas para reforçar a urgência de políticas públicas que fortaleçam a capacidade das comunidades de enfrentar os desafios climáticos.

A prevenção custa menos do que a reconstrução. A proteção ambiental custa menos do que a devastação. A agricultura familiar gera mais segurança do que a dependência de um modelo concentrador e predatório.

Cuidar da Casa Comum não é uma escolha ideológica. É uma necessidade para quem deseja garantir água, alimento, dignidade e futuro para as próximas gerações.

Leleco Pimentel é deputado estadual pelo PT-MG e Padre João é deputado federal pelo PT-MG. Ambos constroem o projeto Juntos para Servir, em defesa da Casa Comum, da agricultura familiar, da justiça social e do bem viver.

Leia outros artigos da coluna Juntos para Servir no Brasil de Fato MG.

Este é um artigo de opinião. A visão dos autores não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

Editado por: Elis Almeida

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