Macaé Evaristo

Macaé Evaristo é professora, assistente social e deputada estadual da 20ª Legislatura da ALMG. Atuou por 20 anos na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Foi a primeira mulher negra a ocupar os cargos de secretária de Educação em BH (2005 a 2012) e em Minas (2015 a 2018). Como vereadora, atuou por uma cidade educadora e antirracista. Foi secretária da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do MEC (2013-2014), e, entre 2024 e 2026, ocupou o cargo de Ministra dos Direitos Humanos e Cidadania.

Voltar a sonhar com Minas Gerais

No audio source provided.
1234
Inauguração do Restaurante Popular Hebert de Souza, em Belo Horizonte | Crédito: reprodução

Nosso desafio é ter um governo à altura dos nossos sonhos

Em 1994, lembro de uma fila que dobrava o quarteirão no centro de Belo Horizonte. Não era uma fila para receber doação. Era gente de marmita, crachá e uniforme, na porta do primeiro Restaurante Popular da cidade, inaugurado pela prefeitura de Belo Horizonte, liderada por Patrus Ananias. 

O projeto partia de uma ideia simples e transformadora no sentido mais radical: alimentação é um direito básico existencial. Ninguém deveria comprometer o salário para fazer uma refeição digna. Aprendi cedo que aquilo que um governo pensa sobre o seu povo é nítido quando olhamos para as escolhas que cada governante faz para a vida cotidiana, para os problemas concretos vividos no chão das cidades.

O compromisso de enfrentar a fome, por ela ser insustentável na vida de cada brasileira e brasileiro, ganhou escala. Como ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, de 2004 a 2010, coube a Patrus Ananias a implementação e a consolidação do Bolsa Família, criado para unificar programas federais de transferência de renda e transformado em uma das maiores políticas de proteção social do país. 

Patrus participou de uma construção que não foi obra de uma pessoa. Foi uma escolha de Estado. Uma escolha que começou a partir de decisões simples como a de abrir um restaurante e dizer: nós precisamos cuidar disso.

Quando a Lei nº 11.947, de 2009, no governo Lula, determinou que ao menos 30% dos recursos federais do Programa Nacional de Alimentação Escolar fossem destinados à compra de alimentos da agricultura familiar, vimos como uma mesma política pode alimentar duas pontas e movimentar a economia local, alcançando tanto a família que planta e vende sua produção, quanto a família da criança que come na escola.

Como educadora, entendo que uma escola não é apenas um prédio. A escola é o lugar onde uma criança descobre que o mundo pode ser maior do que o lugar onde nasceu. 

Governar não é apenas administrar a escassez; não é para desenvolver falsas panacéias, espalhar desinformação, defender sanha privatizadora ou para criar benefícios e vantagens para empresários amigos. Quem governa, decide como os recursos podem ser transformados em direitos e oportunidades, em especial, para quem precisa.

É por isso que a candidatura de Patrus Ananias ao governo de Minas importa. O nome de Patrus como gestor está marcado na nossa memória. Ao lado de Lula, queremos reconstruir a ponte entre Minas Gerais e um projeto nacional de desenvolvimento que volte a combinar crescimento, redução das desigualdades e direitos.

Nenhuma criança pode ter o futuro decidido antes de aprender a escrever o próprio nome. As pessoas das periferias não podem ser obrigadas a vencer diariamente obstáculos que jamais deveriam ter sido colocados diante delas. Nada disso é normal, nada disso é natural. Desigualdades são produzidas e reproduzidas por escolhas políticas, por prioridades orçamentárias e também por omissões. E as escolhas podem ser refeitas.

O povo mineiro nunca deixou de sonhar. As mulheres negras que vieram antes de mim sonharam quando lhes disseram que não podiam. Eu existo porque elas sonharam. Voltar a sonhar com Minas não é ensinar o povo a sonhar. Nosso povo já sabe sonhar, sabe insistir e sabe muito bem que tem direito a viver melhor.

Nosso desafio é ter um governo à altura dos nossos sonhos. Olhar para o que aprendemos até aqui, voltar a acreditar que o futuro pode ser maior, e fazer política para que esse futuro se concretize.

Macaé Evaristo é deputada estadual (PT-MG) e ex-Ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Leia outros artigos de Macaé Evaristo em sua coluna no jornal Brasil de Fato

Este é um artigo de opinião, a visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

Editado por: Elis Almeida

|

Newsletter