Sexta-feira (5) e sábado (6), aconteceu em Porto Alegre (RS), o MEL – Mulheres em Luta, que tinha sido planejado bem antes do estouro nacional de feminicídios. E veio a calhar.
Nunca o H (calHar, não calar) gritou tão alto.
O MEL chegou pisando forte, unindo as mulheridades, porque nós, não queremos mais nos calar e, mais ainda, em um momento chave. Como falou Manuela D’Ávila — presidenta do Instituto E se fosse você — na abertura do grande evento, que não nos surpreenda o aumento de feminicídios quando as imagens com ela própria sendo agredida, corriam pelas redes. Assim como o adesivo com a Presidenta Dilma de pernas abertas colado nos carros, no lugar onde se enfia o pau da gasolina, fazendo apologia direta do estupro com a própria presidenta do Brasil.
Qual é a mensagem? Se eles podem fazer isso com ela, com a pessoa que tem o mais alto cargo no país, podem fazê-lo com todas, com qualquer uma. Assim se organiza a misoginia, o ódio às mulheridades.
A grande pergunta é: onde estão os homens que tanto se dizem companheiros? (Homens também tem H. Será?) Por que alguns setores da esquerda continuam sendo misóginos, ignorando a grande luta das mulheridades? Infelizmente, este é o mesmo projeto político da direita e da ultradireita que, de fato, ganhou as eleições da Prefeitura de Porto Alegre. Não vou me estender aqui, novamente, sobre o machismo gaúcho que preferiu que ganhasse Melo a ter duas mulheres na prefeitura, igual que 4 anos atrás, quando poderíamos ter eleito Manuela, ou que apoiou o golpe misógino da presidenta Dilma. Aliás, se todas as forças que se mobilizaram na enorme campanha do Lula Livre fossem as mesmas de Não ao golpe, ele não teria acontecido.
Até que esses setores da esquerda não parem a pensar por que são parte do ódio às mulheridades, continuarão compartilhando o mesmo projeto político da direita e ultradireita que está muito bem organizada.
A partir de agora, cada vez que mencionem que Fulano é um homem bacana, eu vou perguntar, ele esteve nas manifestações das mulheres? Ele se manifesta abertamente nas suas redes sociais contra a violência machista? O que ele está fazendo para acabar com o ódio misógino que já é uma pandemia? Se não houver respostas, lamento dizer, é porque não é um cara bacana. Eu também escrevi sobre isto semana passada.
Pessoas: urge, URGE parar e pensar. Agir e reagir. Essas práticas como a do presidente Lula, de se negar pela terceira vez a nomear mulheres e mulheres negras no STF só reforça as condutas machistas e sustenta que as mulheres são o segundo sexo. Fala também que a esquerda hegemônica, ainda, luta por uma causa única, a de classe. Insistir em que tudo que não tem a ver com os homens, brancos, hétero, Cis é uma luta identitária é não enxergar a realidade de que o mais identitário são eles próprios, sua bolha e seu umbigo.
Por que, eu, sendo uma pessoa branca posso me enxergar e sentir na pele quando leio a Carolina Maria de Jesus, uma escritora negra, ou quando leio a Jeferson Tenório? Um escritor negro.
E por que os homens brancos hétero CIS só se enxergam quando se leem a si mesmos?
Por favor, saiam um pouco do seu umbigo e sejam melhores pessoas!
Tomara a hora H seja o início de uma grande RevoluAção FeminiSta.
O H de calhar veio a gritar e e estar junto, e o H de homem, cadê?
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

