mariam pessah

ARTivista feminiSta, escritora, poeta e tradutora. Autora dA saliva que umedece, poemariam – um tratado sobre línguas, 2025; Meu último poema 2023; Em breve tudo se desacomodará, 2022; entre outros. Organizadora do Sarau das minas/Porto Alegre, desde 2017, e coordenadora da Oficina de escrita e escuta feminiSta. Curadora da FestiPoa literária.

Não é igual ser palhaço nem louco, que fascista

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Manifestante simula Donald Trump com as mãos sujas de petróleo. Créditos: Elineudo Meira / @fotografia.75
Manifestante simula Donald Trump com as mãos sujas de petróleo | Crédito: Elineudo Meira / @fotografia.75

Essas são as pessoas que estão entrando, agora na Venezuela, invadindo nossa Abya Yala

Há tempos que ando pensando que ao reduzir pessoalidades como Trump, Bolsonaro, Milei, Netanyahu a palhaço, doente, psicopata, está se perdendo de vista o campo político. É “ele” que é um louco? É “ele” que está doente? Não. Eles têm um projeto político. E isso que perigamos perder de vista reduzindo cada uma dessas lideranças da ultradireita a uma patologia.

Nesse projeto entram piadas, para ganhar popularidade e atrair a atenção, como fazia Bolsonaro com as emas e a cloroquina. Ou como Milei com as histórias dos seus cachorros e se achando um cantor de rock.

Nada do que está fazendo Trump neste momento deveria de nos surpreender, ele avisou enquanto assumiu. Aliás, ele já tinha feito coisas terríveis, no seu governo anterior, como separar filhos e filhas de suas mães imigrantes. E foi reeleito até com votos de pessoas que vieram de outros países!? Cadê a memória? Cadê a consciência do coletivo? Ah, mas para ganhar, ele e Elon Musk davam, ou falavam que davam ou dariam, um milhão de dólares pelo voto. Sempre levando tudo ao plano do pessoal, do para si, e tirando a visão do coletivo, do para nós-todxs.

Esqueci o nome do suicidado e fui googlear “Amigo pedófilo de Trump”. Recomendo fazer a experiência.

“Justo quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos avisa que irá divulgar material sobre o caso da rede de pedofilia liderada por Jeffrey Epstein — amigo de longa data de Donald Trump, com documentos que comprovam uma relação próxima e encontros frequentes desde o início da década de 1980 —, o presidente dos Estados Unidos, que seria um dos envolvidos nessa rede, decide invadir a Venezuela e chocar o mundo com o sequestro do presidente do país caribenho para ser julgado em Nova York por um suposto tráfico de drogas.”  Escreve Juan Manuel P. Dominguez. Parece um resumo, né? Eles atiram fogos de artifício em um lugar, enquanto bombas soam e ressoam em muitos lugares.

Na hora que perdemos tempo tentando entender a patologia do fascista, perdemos de vista a periculosidade do ser. Dos seres.

Eles todos têm um projeto político, o da maldade. O do poder só para si.

Na língua hebraica, o termo ruim, o conceito de maldade, é grafado com duas letras. Uma r e uma letra muda, ain, um tipo de h (no abecedário hebraico tem três tipos de h), esta palavra é pronunciada ra. Segundo a Kabala, são as letras que dão início a rak atzmi, o que significa só para mim, ou, tudo para mim. E essa é a política de ultra egoísmo das ultradireitas.

Mas AIN também significa olho. É isso, nós precisamos estar de olho, pois o fascismo desta época é o nosso grande desafio.

(Aproveito em lembrar que é possível ser judia e ser contra o sionismo.)

Com o ingresso das tropas estadunidenses — que me nego a chamar de americanas, porque América é todo um continente e não um único país — na América Latina, Trump já disse que quer o petróleo e as riquezas naturais da Venezuela. Ele não está nem um pouco preocupado em constatar se Maduro é um ditador ou se o povo está com fome.

Mais um dado relevante para analisar. Quando as mulheres acreditam em um omi desses, sempre, mas SEMPRE saem perdendo. Vejam como Maria Corina Machado ajudou o presidente estadunidense a sequestrar o presidente venezuelano. Certamente ela esperava, no mínimo, ficar com o mais alto cargo do país. Mas, aconteceu que o “amigo”, agora que obteve o que queria, disse que a “ganhadora” do Prêmio Nobel não está pronta para tão alto mando. (E convenhamos, que ponte colonialista essa academia sueca, hein!) Convido vocês a ouvir diretamente as palavras de Mily Lacombe, falando sobre o que poderíamos chamar da traição de Trump a Corine, perfeita sua fala.

Vejamos novamente. Um pedófilo, um cara que separa crianças de sua mãe e são deportadas, que manda invadir o Capitólio porque não quer deixar o poder, que apoia o genocídio, inclusive economicamente, contra o povo palestino. Este homem não está nem um pouco preocupado com o povo, mas consigo. Ele só quer tudo para si. Pura maldade.

Quero só fazer uma aclaração, eu não apoio o Maduro, vou citar aqui as palavras de Lívia Vargas, filósofa e escritora venezuelana, migrante no Brasil, falando dele : “fraudou o processo eleitoral com o anúncio de uns resultados que, até hoje, não têm sido sustentados nem comprovados, pois não existem atas eleitorais que deem fé dos resultados oficiais.” Recomendo a leitura completa do seu artigo. O que quero dizer é que a vida não é binária : ou você é a favor de Maduro, ou você é contra ele. Eu sou contra a invasão dos Estados Unidos em outro país e Lívia explica isso muito bem.

Um tempo atrás havia nas redes sociais, um vídeo realizado com IA, no qual Trump e Netanyahu passeavam pela Palestina de grandes empreendimentos :   prédios bem altos à beira mar, pessoas com caras bem europeias dando risadas de turistas.

Lá não havia nem uma palavra sobre xs 252 jornalistas mortxs e as mais de 70.000 assassinatos de pessoas palestinas.

Seria uma visão bíblica chamar de Mar vermelho, de Mar Morto às águas de Israel?

Essas são as pessoas que estão entrando, agora na Venezuela, invadindo nossa Abya Yala.

Editado por: Vivian Virissimo

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