Meimei Bastos

Meimei Bastos é mestra em Culturas e Saberes, atriz, escritora, professora e produtora cultural. Coordena o ponto de cultura ‘Caracas, véi’ e o Campeonato de Poesia Falada do DF e Entorno.

Primavera Slam: 10 anos das batalhas de poesia falada no Distrito Federal

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Grupo de pessoas do Slam DF
Brasília será palco Campeonato Brasileiro de Poesia Falada, o Slam BR | Crédito: Beatriz Braga

Na slam a poesia sempre vence

No centro do palco, da roda, do meio-fio, da assembleia, da sala, do pátio, da rua, uma pessoa por vez se apresenta, performa, compete, brinca, joga e/ou declama sonhos, pensamentos, vivências, linhas de ônibus, trem, metrô, sabores, alegrias, desafios, afetos, desejos, dores, aprendizados, cheiros, identidades, memórias, histórias, localidades, imagens, canções, medos, repressões, paisagens, lutas, rotina e/ou sons em mentes-corações.

Sussurram, leem, berram, cantam, gemem, grunhem, gargalham, urram ou rosnam. Seus corpos estáticos, saltitantes, se erguem, correm, gesticulam, dançam, caminham, contorcem-se, punhos cerrados e/ou esticados.

Outras pessoas escutam, observam: olhos arregalados, sorrisos, cenhos franzidos, bocas abertas, dedos estalam, luzes de telas. Um corpo-alvo: feminino, negro, gay, não binário, originário, deficiente, periférico, trans.

Apresentações de até três minutos ou menos: POW POW POW! Notas entre zero e dez: “CREDO! Nota para poesia?!” Presente-tempo, do agora, ágora, instante, o que não volta ainda que se repita. Segue para a próxima fase, final. Ninguém ganha; é a poesia quem vence. Assim é, em toda parte, a slam.

Poesia falada

Para quem não a conhece, slam é uma batalha de poesia falada em que pessoas se reúnem para declamar seus textos autorais para um júri composto, geralmente, por parte do público. Há trinta e nove anos esse formato de partilha de poesia existe. Há dez anos, este é o ar que respiro no DF.

Para celebrar esses dez anos do desabrochar de uma das flores da poesia oral em nosso território, faremos a Primavera Slam: 10 anos de slam no DF, em que receberemos pela primeira vez o Campeonato Brasileiro de Poesia Falada, o Slam BR, e poetas-flores de todo o país.

Isso marca um feito histórico: pela primeira vez, o Slam BR acontecerá fora do eixo Sudeste, tendo Brasília como cidade-sede.

A programação reúne batalhas de poesia falada, feira literária e cultural, seminário formativo, exposição comemorativa, apresentações artísticas e atividades abertas ao público. O evento integra a Slam DFão, o Ecoar – Slam Interescolar, o Seminário Poéticas da Resistência: Slam, Cultura, Literatura e Educação, além de uma exposição dedicada à memória dos dez anos de slam no DF.

O seminário reunirá pesquisadores da rua, da escola, das instituições e da universidade em mesas e oficinas que dialogam sobre slam, educação, memória, corpo, território e políticas públicas para a poesia.

Já a feira literária e as apresentações artísticas darão visibilidade a coletivos, editoras e artistas do DF, reforçando a potência criativa das periferias. Mais que um evento artístico-cultural, veremos a Primavera Slam DF florescer como um gesto de resistência e de semeadura para o porvir da poesia e da periferia, nutrindo novas vozes, fortalecendo comunidades e celebrando a força que brota quando a palavra floresce em diversidade.

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Serviço

Primavera Slam DF – 10 anos

Datas: 18, 19, 20 e 21 de dezembro

Local: Biblioteca Nacional de Brasília – DF

Inscrições para o seminário neste link

Mais informações no Instagram @slamdfão

*Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato DF.

Editado por: Clivia Mesquita

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