Por Maria Luzitana Conceição dos Santos (Luz Santos)* e Natália Bianca Leandro de Moura**
Neste mês de novembro, quando celebramos o 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, teremos também a 2ª Marcha Transnacional das Mulheres Negras. Mulheres negras e não negras de mais de 30 países estão em marcha desde 2024. Seguiremos em marcha no próximo dia 25 de novembro, em Brasília (DF), e inclusive no pós-marcha.
A marcha não é meramente um evento, mas sim um marco histórico-político e social na luta das mulheres negras brasileiras, por direitos e reconhecimento em busca de um novo projeto de sociedade com foco na Reparação e Bem Viver. É a continuidade de uma caminhada que não começou agora e não vai parar aqui.
Mas, de que modo a Comunidade Colaborativa de Mulheres Afro-brasileiras e Ameríndias (Cocam) contribui na Paraíba e no Brasil para o alcance dos objetivos da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras? E o que significa chegar nessa marcha nacional?
Como nos ensina Elza Quilombola da Comunidade Quilombola Caiana dos Crioulos, teimoseiras que somos nos organizamos, no estado paraibano, em três comitês: Comitê Impulsor de Campina Grande, Comitê das Mulheres Quilombolas de Caiana dos Crioulos e Comitê Intermunicipal da Paraíba. Nesse sentido, o projeto da Cocam dialoga interculturalmente com todas as colaboradoras desses três espaços, notadamente com as mulheres quilombolas de Caiana dos Crioulos. Construímos a interculturalidade desde nossas pluralidades: mulheres negras quilombolas, indígenas (em aliança), periféricas, acadêmicas, cis e trans, jovens e idosas.
Mais de 100 mulheres negras da Paraíba seguirão rumo à 2ª Marcha integrando a Comitiva da Paraíba. Trata-se de uma feitura augestionada que fortalece vínculos e valoriza os nossos saberes desde as nossas práticas ancestrais.
Marchamos e teimosamos pelo fortalecimento do território negro paraibano tendo a organicidade, a autogestão e a resistência pela re-existência como modo ético-político para compreensão do sentido e significado de reparação e bem viver, inclusive na produção de conhecimento acadêmico.
Para nós, mulheres negras e teimoseiras, integrantes da Cocam e do Comitê Intermunicipal, chegar à 2ª Marcha das Mulheres Negras significa centralmente o protagonismo da nossa organicidade, de modo a denunciar e lutar contra o racismo e o sexismo epistêmicos, como formas de discriminação de gênero e raça no âmbito acadêmico. Estar em marcha é também reivindicar espaços que sempre nos foram negados.
A 2ª Marcha das Mulheres Negras na Paraíba alcança o objetivo de ampliar o alcance das ações espraiadas em diferentes munícipios paraibanos, o fortalecimento da Cocam com atividades culturais, políticas e educacionais realizadas em cidades estratégicas como Mamanguape (PB), a exemplo da roda de conversa Pretas em Marcha: por reparação e bem viver. A atividade ocorreu no auditório Paulo Freire, no Campus 4 da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no último 21 de julho, e contou com a presença de quase 300 pessoas em marcha.

Essa roda de conversa versou sobre reencontros, escuta e fortalecimento. O diálogo aberto permitiu refletir sobre subjetividades plurais, reparação histórica e os desafios enfrentados pelas mulheres negras desde o território paraibano. Entre trocas sensíveis e falas potentes, reforçamos a importância da união, da resistência, da construção coletiva e colaborativa para o bem viver e reafirmamos: seguimos firmes, teimando e caminhando juntas, pois “Nossos passos vêm de longe!”

Assim, alcançamos o propósito de fortalecer o território afrofeminista transnacional desde a Paraíba, em processos políticos protagonizados por mulheres negras organizadas para transformar realidades, combater as diferentes formas de racismo e o sexismo em seus diferentes modos e dimensões, com destaque ao racismo e sexismo epistêmicos, e construir um futuro com mais justiça social epistêmica, e pelo bem viver.
A mulheres negras desde a Paraíba seguem unidas, firmes e conscientes da força que constroem juntas, teimosando na luta por reparação e bem viver.
Vem Marchar com a gente!
*Luz Santos é idealizadora do projeto de extensão Comunidade Colaborativa de Mulheres Afro-brasileiras e Ameríndias – Cocam (Instagram: @cocam.ufpb). Integrante do Comitê Intermunicipal da Paraíba rumo à 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras (Instagram: @comitepbdamarcha2025), professora da UFPB, representando o Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro-brasileiras e Indígenas (Neabi/UFPB) (Instagram: @neabi_ufpb) na construção territorial da 2ª Marcha das Mulheres Negras.
**Natália Bianca Leandro de Moura é estudante de secretariado executivo pela UFPB e de letras–inglês, colaboradora voluntária no projeto de extensão Cocam, indígena Potiguara e diretora-presidente da empresa júnior Inovasec Jr.
***Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.
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