Memórias e Poéticas Pluri-versas Antirracistas

A coluna tem por objetivo comunicar narrativas, memórias e práticas culturais e interculturais em torno de processos pedagógicos e psicossociais –  considerando a intersecção de raça, gênero e sexualidade –  da Comunidade Colaborativa Afro-Ameríndia – COCAM/RECOSEC/UFPB, sob orientação e coordenação da professora Luz Santos em parceria com o Núcleo de Estudos e Pesquisas E’LEEKO/UFPel/UFRGS. A COCAM (antiga RECOSEC) é um projeto que existe desde 2012 e segue como princípios: práticas colaborativas, educação popular, o diálogo interepistêmico e a educação para o Bem Viver. Visa construir e desenvolver ações inter e transdisciplinares relacionadas à assessoria e incentivo à promoção de políticas com foco na educação intercultural, nos municípios da região do Vale do Mamanguape e em outras regiões do Brasil.

Ouvir, refletir e agir: projeto da UFPB promove educação antirracista no Vale do Mamanguape

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‘Embora o projeto tenha encerrado suas atividades em dezembro de 2025, seu legado e memória permanecem disponíveis por meio dos materiais produzidos e divulgados em suas redes sociais’ | Crédito: Acervo/Projeto Ouvir, refletir e agir

Iniciativa criada por estudantes fortaleceu debates sobre relações raciais, identidade negra e combate ao racismo dentro e fora da universidade

Por Natália Bianca Leandro de Moura*

**Com a colaboração de Ana Carolina Marcondes, Ana Margarida Andrade dos Santos, Marco Aurélio Paz Tella, Monique Fernanda de Souza Silva, Laiane da Silva Avelar e Denis Faustino da Silva

Nascido da mobilização de estudantes do curso de antropologia do Centro de Ciências Aplicadas e Educação da Universidade Federal da Paraíba (CCAE/UFPB), o projeto de extensão “Ouvir, refletir e agir: a sociedade do Vale do Mamanguape e as relações raciais” tornou-se um importante espaço de diálogo sobre racismo, identidade negra e educação antirracista na região.

A iniciativa surgiu a partir da atuação de estudantes envolvidos em movimentos sociais, especialmente o movimento negro e o movimento de mulheres negras. O grupo também encontrou apoio em coletivos acadêmicos e em manifestações da cultura afro-brasileira, como a capoeira. Dessa articulação, nasceu o Núcleo de Estudantes Negras e Negros (NENN) do CCAE/UFPB, que deu origem às ações desenvolvidas posteriormente pelo projeto.

Segundo os integrantes, o principal objetivo do projeto foi promover a educação antirracista como instrumento de enfrentamento às desigualdades raciais. Por meio de ações educativas, a iniciativa buscou estimular reflexões sobre o racismo estrutural e seus impactos nas relações sociais, econômicas e políticas da sociedade brasileira.

As atividades foram realizadas tanto presencialmente quanto de forma on-line. Entre as ações promovidas estiveram rodas de conversa, palestras, debates, lives e divulgação de conteúdos educativos nas redes sociais. O projeto também compartilhou indicações de livros, artigos científicos, filmes, séries e podcasts produzidos por autores e pesquisadores negros, ampliando o acesso a conhecimentos relacionados às relações raciais.

Além da universidade, as ações alcançaram estudantes do ensino médio da Escola Cidadã Integral Técnica Estadual Professor Luiz Gonzaga Burity, em Rio Tinto (PB), fortalecendo a aproximação entre a comunidade acadêmica e a sociedade local.

O projeto colocou as experiências, os saberes e as trajetórias da população negra no centro das discussões. Questões como racismo estrutural, identidade negra, representatividade e acesso à educação foram trabalhadas em diferentes atividades formativas. Também houve destaque para a valorização de pesquisadores, lideranças e produções culturais negras da Paraíba e do Brasil.

Uma das experiências mais marcantes relatadas pela equipe ocorreu durante uma oficina sobre a Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. Durante a atividade, estudantes compartilharam vivências pessoais relacionadas ao racismo e refletiram sobre situações de discriminação presentes em seu cotidiano. O encontro possibilitou momentos de escuta, acolhimento e conscientização sobre direitos e formas de enfrentamento à violência racial.

Para os organizadores, um dos principais resultados observados foi o fortalecimento da autoestima, do sentimento de pertencimento e da valorização da história e da cultura negra entre os participantes. As ações também contribuíram para o desenvolvimento de uma visão mais crítica sobre as desigualdades raciais presentes na sociedade brasileira.

Atividade do projeto Ouvir, refletir e agir | Crédito: Acervo/Projeto Ouvir, refletir e agir

Embora o projeto tenha encerrado suas atividades em dezembro de 2025, seu legado e memória permanecem disponíveis por meio dos materiais produzidos e divulgados em suas redes sociais, que continuam servindo como fonte de informação e reflexão sobre as relações raciais e a educação antirracista. Os conteúdos podem ser acessados pelo Instagram @ouvirrefletireagir.

*Natália Bianca Leandro de Moura é indígena Potiguara, estudante de secretariado executivo pela UFPB e de letras–inglês, colaboradora voluntária no projeto de extensão Cocam e diretora-presidente da Empresa Júnior Inovasec Jr.

**Este texto foi produzido com base em informações fornecidas pela equipe do projeto Ouvir, refletir e agir. Colaboraram com a construção do conteúdo: Ana Carolina Marcondes, Ana Margarida Andrade dos Santos, Marco Aurélio Paz Tella, Monique Fernanda de Souza Silva, Laiane da Silva Avelar e Denis Faustino da Silva.

***A opinião contida neste texto não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Carolina Ferreira

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