A Cidade é Nossa

O Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) é uma organização popular nacional que constrói a luta nas periferias das cidades grandes e médias do Brasil, promovendo a auto-organização da classe trabalhadora a partir de seus territórios de moradia: bairros, favelas e ocupações. O movimento atua na educação popular e construção da luta por direitos, com destaque para: direito à moradia, combate a todo tipo de violência contra as mulheres e ao racismo, direito ao trabalho, soberania alimentar, cultura e saúde. O MTD escreve mensalmente para o Brasil de Fato, na coluna “A Cidade é Nossa”.

Nove anos de Luizinha Gonçalves: pela regularização imediata!

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Centro de Convívio Luizinha Gonçalves.
Centro de Convívio Luizinha Gonçalves. | Crédito: MTD / MG

Mais do que um equipamento cultural, o Luizinha é símbolo e modelo de gestão popular

No dia 22 de maio, o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) realizou um ato na Prefeitura de Montes Claros pela regularização do Centro de Convívio Luizinha Gonçalves. A manifestação reuniu a comunidade da Vila Atlântida, movimentos populares, sindicatos e mandatos parlamentares. Com uma mobilização pacífica, marcada pela percussão como instrumento de luta, o ato integrou a Jornada Nacional por Direitos do MTD e celebrou os 9 anos da ocupação do espaço.

A regularização é o objetivo central de uma campanha que soma esforços desde 2025, incluindo financiamento coletivo para a autonomia e manutenção do espaço e uma petição virtual com cerca de 300  assinaturas de apoiadores em todo o Brasil. A demanda é clara: garantir segurança jurídica por meio de um documento de concessão de uso, para a continuidade das atividades e impedir despejos arbitrários. Regularizar o Luizinha Gonçalves é reconhecer o trabalho desenvolvido pela gestão participativa e assegurar que este equipamento cultural acesse políticas públicas essenciais, fortalecendo a identidade do território.

A história do Luizinha Gonçalves é um exemplo de resiliência. O espaço é um dos seus centros de convívio que foram desativados pela Prefeitura de Montes Claros em 2017. Naquele mesmo ano, foi ocupado pela comunidade, sob coordenação do MTD. Durante a pandemia, o local atuou como ponto estratégico de solidariedade, na distribuição de alimentos para a população vulnerável. Em 2020, o centro sofreu um despejo violento e ilegal conduzido pela gestão municipal da época. Contudo, em 2021, o espaço foi reocupado, desta vez no anexo do antigo centro de convívio.

Desde então, o trabalho não parou. Em 2024, o local foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura. Em 2025, recebeu premiação da Secretaria Municipal de Cultura pela relevância de sua trajetória. Ao longo destes anos, o espaço realizou mais de 400 atividades, incluindo rodas de conversa, cineclubes e oficinas profissionalizantes, consolidando-se como uma rede de apoio fundamental para artistas e agentes culturais da região.

Ao final do ato do dia 22 de maio, a comissão de representantes foi recebida por secretários municipais e a demanda pela regularização foi apresentada. Como resultado, foi firmada a promessa de uma reunião direta com o prefeito no mês de junho. A expectativa da comunidade é que esse diálogo avance para um compromisso concreto com a preservação do Ponto de Cultura Luizinha Gonçalves, patrimônio cultural da Vila Atlântida e de toda a cidade de Montes Claros.

Defendemos uma cultura desenvolvida pelo povo e para o povo, que atenda aos interesses da comunidade e da região. Mais do que um equipamento cultural, o Luizinha é símbolo e modelo de gestão popular. Seja como instrumento de lutas e conquistas por direitos, polo de educação e formação popular, espaço de economia solidária ou centro de expressões artísticas genuínas, o Luizinha Gonçalves é patrimônio que resiste à lógica de transformar a cultura em mero produto para o capital.

Regulariza já!

*César Saraiva é agente cultural e militante do MTD em Minas Gerais.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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