No dia 22 de maio, o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) realizou um ato na Prefeitura de Montes Claros pela regularização do Centro de Convívio Luizinha Gonçalves. A manifestação reuniu a comunidade da Vila Atlântida, movimentos populares, sindicatos e mandatos parlamentares. Com uma mobilização pacífica, marcada pela percussão como instrumento de luta, o ato integrou a Jornada Nacional por Direitos do MTD e celebrou os 9 anos da ocupação do espaço.
A regularização é o objetivo central de uma campanha que soma esforços desde 2025, incluindo financiamento coletivo para a autonomia e manutenção do espaço e uma petição virtual com cerca de 300 assinaturas de apoiadores em todo o Brasil. A demanda é clara: garantir segurança jurídica por meio de um documento de concessão de uso, para a continuidade das atividades e impedir despejos arbitrários. Regularizar o Luizinha Gonçalves é reconhecer o trabalho desenvolvido pela gestão participativa e assegurar que este equipamento cultural acesse políticas públicas essenciais, fortalecendo a identidade do território.
A história do Luizinha Gonçalves é um exemplo de resiliência. O espaço é um dos seus centros de convívio que foram desativados pela Prefeitura de Montes Claros em 2017. Naquele mesmo ano, foi ocupado pela comunidade, sob coordenação do MTD. Durante a pandemia, o local atuou como ponto estratégico de solidariedade, na distribuição de alimentos para a população vulnerável. Em 2020, o centro sofreu um despejo violento e ilegal conduzido pela gestão municipal da época. Contudo, em 2021, o espaço foi reocupado, desta vez no anexo do antigo centro de convívio.
Desde então, o trabalho não parou. Em 2024, o local foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura. Em 2025, recebeu premiação da Secretaria Municipal de Cultura pela relevância de sua trajetória. Ao longo destes anos, o espaço realizou mais de 400 atividades, incluindo rodas de conversa, cineclubes e oficinas profissionalizantes, consolidando-se como uma rede de apoio fundamental para artistas e agentes culturais da região.
Ao final do ato do dia 22 de maio, a comissão de representantes foi recebida por secretários municipais e a demanda pela regularização foi apresentada. Como resultado, foi firmada a promessa de uma reunião direta com o prefeito no mês de junho. A expectativa da comunidade é que esse diálogo avance para um compromisso concreto com a preservação do Ponto de Cultura Luizinha Gonçalves, patrimônio cultural da Vila Atlântida e de toda a cidade de Montes Claros.
Defendemos uma cultura desenvolvida pelo povo e para o povo, que atenda aos interesses da comunidade e da região. Mais do que um equipamento cultural, o Luizinha é símbolo e modelo de gestão popular. Seja como instrumento de lutas e conquistas por direitos, polo de educação e formação popular, espaço de economia solidária ou centro de expressões artísticas genuínas, o Luizinha Gonçalves é patrimônio que resiste à lógica de transformar a cultura em mero produto para o capital.
Regulariza já!
*César Saraiva é agente cultural e militante do MTD em Minas Gerais.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

