Servidores da Fundação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente Alice de Almeida (Fundac-PB) iniciaram nesta terça-feira (7) um acampamento em frente à Granja Santana, residência oficial do governador João Azevedo (PSB), para cobrar a aprovação da revisão do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) da categoria, cuja tramitação se arrasta há mais de uma década.
De acordo com os trabalhadores, a decisão de acampar foi tomada em assembleia, após uma série de atos públicos realizados desde a semana passada. “A ideia surgiu da campanha ‘Sem PCCR, vamos morar na Granja’. Queremos sensibilizar o governo para aprovar o nosso plano, que está pronto, mas parado”, afirmou Lúcia Figueiredo, representante do movimento.
Acampamento e dificuldades
Os servidores montaram estrutura com cadeiras e mesas na calçada em frente à Granja, após a Polícia Militar impedir o uso de barracas e tendas, por determinação do Gabinete Militar. Durante a madrugada, o grupo relatou ter sido surpreendido por assaltantes armados. “Vamos reavaliar a estrutura do acampamento e a continuidade da mobilização. Hoje, a categoria vai participar de um ato em frente à Policlínica da Segurança Pública, onde o governador estará presente”, informou Figueiredo.

Promessa de 2022 e plano parado no gabinete
A categoria denuncia que o governador João Azevedo descumpriu compromisso assumido publicamente durante a campanha eleitoral de 2022, quando prometeu revisar o PCCR da Fundac. O plano já passou por todas as etapas técnicas: foi aprovado pela Secretaria de Administração, recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral do Estado e aguarda apenas a assinatura do governador.

“Ele determinou que os cálculos fossem feitos, e a atualização foi concluída. O texto está no gabinete particular do governador, só falta a canetada”, ressaltou Lúcia Figueiredo.
Segundo ela, informações repassadas aos servidores pelo chefe de gabinete, Ronaldo Guerra, sinalizam que o governo não pretende aprovar o plano neste momento, alegando que há outros oito PCCRs em análise. A resposta gerou indignação entre os trabalhadores, que afirmam estar entre as categorias mais precarizadas do Estado.
“A categoria mais esquecida da Paraíba”
“Além de trabalharmos em unidades de alta complexidade, enfrentando risco de morte, temos o salário mais defasado da Paraíba”, disse Figueiredo. De acordo com ela, a maioria dos servidores de nível médio recebem por volta de um salário mínimode R$ 1.518, enquanto os de nível superior ganham pouco mais de R$ 3 mil.
“É revoltante ver servidores comissionados entrarem ganhando quase R$ 7 mil para trabalhar menos horas. Queremos apenas respeito e justiça. O PCCR é a nossa redenção”, completou.
Desde então, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Fundac (Sintac), todos os gestores que passaram pela instituição, de 2013 para cá, prometeram corrigir o plano, mas nenhuma revisão efetiva foi concretizada. O documento atual, além de defasado, foi considerado inconsistente desde sua aprovação. A Fundac conta atualmente com mais de mil servidores, entre agentes socioeducativos, técnicos, administrativos e equipe de apoio.
Categoria pede diálogo e contraproposta
O Sintac afirma que os trabalhadores estão abertos ao diálogo e aguardam uma nova reunião com o governador. Caso o governo não aceite integralmente o texto proposto, a categoria pede ao menos uma contraproposta que garanta avanços concretos.
“Muitos servidores estão há mais de 40 anos na ativa, sem poder se aposentar porque a aposentadoria reduziria ainda mais os ganhos. O PCCR é nossa esperança de valorização”, destacou Figueiredo. Os manifestantes garantem que as mobilizações continuarão até que o governo apresente uma resposta oficial e cumpra o compromisso firmado com a categoria.
Na última quinta-feira (02) houve um primeiro ato público em frente à granja do governador João Azevedo (PSB). O protesto contou com a presença de servidores da instituição e lideranças da CUT-PB.

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