O fechamento de unidades dos Correios em municípios do interior da Paraíba tem provocado acúmulo de correspondências, atrasos em serviços postais e deslocamentos mais longos para a população. Em Itatuba, a desativação da agência local levou usuários a dependerem da unidade de Ingá, situada a cerca de 11 Km, onde, segundo representantes sindicais, há registros de encomendas e correspondências acumuladas há meses.

Durante visita técnica realizada por representantes do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios da Paraíba (Sintect-PB), foram identificadas sacolas com objetos postais armazenados e indícios de atraso na triagem e distribuição. A entidade afirma que o cenário evidencia impactos diretos da política de fechamento de unidades no interior do estado.
Agência desativada e impactos no atendimento à população
Com a agência de Itatuba fora de funcionamento, moradores passaram a realizar deslocamentos até municípios vizinhos para acessar serviços básicos como postagem de encomendas, retirada de objetos e serviços de logística reversa. A distância de aproximadamente 11 Km tornou-se um fator adicional de custo e tempo para usuários, especialmente em áreas com menor oferta de transporte.

Segundo o sindicato, o fechamento também gera impacto na organização da própria rede de distribuição, já que objetos destinados à região passam a ser redirecionados e concentrados em unidades próximas, aumentando o volume de trabalho e o risco de atrasos.
Relato aponta cenário de acúmulo e deslocamento
Tony Sérgio, secretário-geral titular do Sintect-PB, descreve que a situação encontrada na unidade desativada evidencia um quadro de desorganização operacional e impacto direto no atendimento à população. Em seu relato, ele destaca tanto o acúmulo de correspondências quanto as consequências práticas para os moradores.

“O fechamento de Itatuba é preocupante. A agência já está completamente descaracterizada, sem placa e sem qualquer sinal de funcionamento, já há algum tempo. Isso tem prejudicado a cidade, porque as correspondências ficam paradas e, muitas vezes, a população nem retorna para buscá-las, o que gera um problema sério. Inclusive, mesmo com a queda no volume de cartas, esse tipo de serviço ainda representa cerca de 16% das operações dos Correios – é uma parcela pequena, mas ainda significativa, e em queda.
Por outro lado, quem precisa fazer postagens ou utilizar serviços como logística reversa acaba tendo que se deslocar de Itatuba para outra cidade, percorrendo cerca de 11 km”, afirma o dirigente.

O sindicato destaca que esse cenário não se limita a Itatuba e faz parte de um processo mais amplo de reestruturação da empresa no estado.
Expansão de fechamentos e reorganização da rede postal
De acordo com informações divulgadas pelo Sintect-PB, cerca de 40 unidades podem ser afetadas pela política de fechamento no estado, além de um Centro de Distribuição Domiciliar. As unidades estariam organizadas em etapas (ou ondas conforme box logo abaixo) de encerramento progressivo, o que, segundo a entidade, pode provocar sobrecarga operacional e redução da presença dos serviços postais em municípios menores.
A entidade sindical também relata que tem buscado mobilizar audiências públicas e articulações locais para discutir os impactos dos fechamentos, envolvendo trabalhadores e comunidades afetadas. O objetivo, segundo o sindicato, seria ampliar o debate sobre a continuidade dos serviços e evitar decisões sem participação social.
- 1ª ONDA: AC Riachão, AC Marcação, AC Areial, AC Congo, AC Parari, AC Itatuba, AC Pedra Lavrada, AC Emas, AC Curral Velho, AC Condado, AC Olho D’água.
- 2ª ONDA: AC Mataraca, AC Boa Vista, AC São João do Tigre, AC Barra de Santana, AC São Sebastião do Umbuzeiro, AC Santo André, AC Imaculada, AC Cajazeirinhas, AC Bom Sucesso, AC Mãe D’água, AC São José de Princesa.
- 3ª ONDA: AC Pedro Régis, AC Pilõezinhos, AC Curral de Cima, AC Sobrado, AC Serra da Raiz, AC Juarez Távora, AC Salgado de São Félix, AC Pedras de Fogo, AC São Domingos do Cariri, AC Lastro, AC Cacimbas, AC Marizópolis, AC São Francisco, AC Bernardino Batista, AC Santa Teresinha, AC Areia de Baraúnas, AC Serraria, AC Vista Serrana, além do CDD Torre.
Impactos sociais e contexto nacional
No Brasil, o serviço postal público é operado pelos Correios, empresa vinculada ao Governo Federal e responsável pela distribuição de correspondências e encomendas em todo o território nacional. Segundo dados institucionais disponíveis no site oficial, a empresa atua tanto em áreas urbanas quanto em regiões remotas, onde muitas vezes é a única estrutura logística disponível.
Em diferentes estados, sindicatos e entidades representativas têm apontado que processos de reestruturação e fechamento de agências podem afetar principalmente municípios de menor porte, onde a presença dos Correios também desempenha função social além da logística comercial, incluindo entrega de documentos, benefícios e encomendas essenciais.
Estudos sobre infraestrutura e integração territorial indicam que a redução da presença física de serviços públicos pode ampliar desigualdades territoriais, especialmente em municípios de pequeno porte e regiões interioranas. Pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam que diferenças na oferta de serviços públicos contribuem para assimetrias entre municípios brasileiros, enquanto estudos sobre logística postal identificam desigualdades no acesso aos fluxos de comunicação e distribuição entre centros urbanos e localidades mais afastadas. Sendo assim, as redes de atendimento podem gerar ganhos operacionais, ou então transferir custos e deslocamentos adicionais para a população que depende do atendimento presencial.

