A greve nacional dos trabalhadores dos Correios foi suspensa, mas a mobilização da categoria continua. Em assembleia realizada na noite da última terça-feira (7), o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos na Paraíba (Sintect-PB) reuniu trabalhadores de forma presencial, em João Pessoa e Campina Grande, e também por meio virtual para deliberar sobre os próximos passos da Campanha Salarial 2026/2027.

O encontro aprovou por unanimidade a pauta nacional de reivindicações, o calendário de negociações e a representação do sindicato paraibano nas mesas nacionais, além de ampliar as críticas à reestruturação promovida pela direção da empresa e pelo governo federal.
A principal deliberação política da assembleia foi a suspensão da greve que estava prevista para ocorrer nesta quarta-feira (8). A decisão ocorreu após a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) informar que a Casa Civil da Presidência da República encaminhou proposta para suspender temporariamente a reestruturação da empresa até o dia 31/07, período em que será instalada uma comissão formada por representantes sindicais para discutir as mudanças diretamente com a presidência dos Correios.
Assembleia aprova negociações e mantém estado de mobilização
Segundo o secretário-geral do Sintect-PB, Tony Sérgio, a assembleia foi marcada pela ampla participação da categoria e pela aprovação unânime dos principais pontos da campanha salarial.
“O mais importante foi que os trabalhadores compreenderam que a suspensão da greve não representa o encerramento da luta. A reestruturação foi apenas suspensa temporariamente e agora teremos uma comissão dos sindicatos dialogando diretamente com a presidência dos Correios. Enquanto isso, a categoria seguirá mobilizada em toda a Paraíba para defender os empregos, os direitos e o papel social da empresa”, afirmou Sérgio.

Tony Sérgio | Imagem: Comunicação Sintect-PB
O dirigente acrescentou que a assembleia consolidou os principais encaminhamentos da campanha salarial.
“Também aprovamos por unanimidade a pauta nacional de reivindicações, o calendário de negociações e autorizamos a Federação a representar os sindicatos nas negociações nacionais, conforme prevê nosso estatuto. Além disso, definimos os representantes da Paraíba que acompanharão diretamente esse processo”, concluiu.
Durante a assembleia também foram escolhidos Tony Sérgio e Ironaldo José para representar o sindicato paraibano nas negociações nacionais da campanha salarial.

Categoria critica reestruturação dos Correios
Além das deliberações administrativas, a assembleia foi marcada por fortes críticas às recentes medidas adotadas pela direção dos Correios. O sindicato voltou a condenar o modelo de reestruturação da empresa, argumentando que as mudanças impactam diretamente as condições de trabalho dos empregados e comprometem a qualidade da prestação do serviço público à população.
De acordo com Sérgio, o sindicato é contrário ao fechamento de agências e centros de distribuição, à redução de distritos de entrega, à retirada de funções gratificadas e às transferências compulsórias de trabalhadores pois essas medidas aumentam a sobrecarga dos empregados e comprometem a qualidade do serviço prestado à população.
“A redução dos distritos significa que áreas que antes eram atendidas por dois ou três carteiros passam a ser entregues por apenas um trabalhador. Isso aumenta a sobrecarga, amplia os riscos à saúde e piora as condições de trabalho. O problema não é apenas do empregado. Quem sofre também é a população, que pode enfrentar atrasos e redução da qualidade dos serviços prestados pelos Correios”, afirma.
Ele também defende o fortalecimento da empresa pública e critica o foco na redução de custos.
“Nós defendemos investimentos públicos. Os Correios não existem para gerar lucro como uma empresa privada. Eles cumprem uma função social, garantindo atendimento em praticamente todos os municípios brasileiros e integrando regiões onde muitas empresas privadas sequer têm interesse em atuar”, conclui.
Críticas ao governo federal e à direção da empresa
Além das críticas à reestruturação, a assembleia também foi marcada por críticas à presidência dos Correios, à diretoria da empresa e a integrantes do governo federal. Segundo o sindicato, o atual processo de reestruturação tem provocado fechamento de unidades, redução do efetivo, retirada de funções e precarização das condições de trabalho. A entidade também defendeu o fortalecimento da estrutura pública dos Correios, destacando sua importância para o controle aduaneiro e a fiscalização de mercadorias que ingressam no país.
“A defesa dos Correios públicos também passa pela segurança nacional. A empresa possui estrutura tecnológica, equipamentos de raios X, fiscalização integrada e protocolos que ajudam no combate ao tráfico e a outros crimes. Enfraquecer essa estrutura significa reduzir a capacidade do Estado brasileiro de exercer esse controle”, enfatiza ele.
Campanha salarial segue em todo o país
Com a aprovação da pauta nacional de reivindicações, a categoria inicia agora uma nova etapa da campanha salarial. Entre as principais reivindicações permanecem o reajuste salarial, valorização dos trabalhadores, realização de concurso público, fortalecimento dos Correios como empresa pública, melhoria das condições de trabalho e revisão das medidas de reestruturação.

Na Paraíba, o sindicato informou que realizará panfletagens, reuniões setoriais e novas mobilizações para manter a categoria informada sobre o andamento das negociações nacionais.
Contextualização nacional
A reestruturação dos Correios vem sendo debatida nacionalmente desde 2024, quando a empresa iniciou um conjunto de medidas administrativas voltadas à redução de custos operacionais. Entre elas estão reorganização de unidades, revisão de funções, redistribuição de trabalhadores e alterações logísticas. As entidades sindicais afirmam que essas mudanças aumentam a sobrecarga de trabalho e reduzem a capacidade operacional da empresa.
Os Correios exercem papel estratégico na integração nacional por manterem atendimento em praticamente todos os municípios brasileiros, incluindo localidades onde operadores privados não possuem atuação permanente. Essa característica faz com que a empresa seja considerada essencial para políticas públicas, logística eleitoral, distribuição de medicamentos, vacinas, livros didáticos e encomendas.


