Observatório das Metrópoles - Núcleo Curitiba

O Observatório das Metrópoles é um projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) que trabalha de forma sistemática e articulada sobre os desafios metropolitanos colocados ao desenvolvimento nacional, tendo como referência a compreensão das mudanças das relações entre sociedade, economia, Estado e os territórios conformados pelas grandes aglomerações urbanas brasileiras.

Professora Angela fica

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A liberdade somente será efetivada quando as vozes de todos aqueles que até hoje foram silenciadas puderem ser ouvidas através de seus representantes

Embora tenha saído derrotada nas últimas eleições presidenciais de 2022 e seu maior líder esteja inelegível e condenado por tentativa de golpe de Estado, a extrema direita avançou sob o parlamento nas esferas federal, estadual e municipal, consolidando um modus operandi fascista pautado pelo pânico moral e o autoritarismo. Enquanto defendem para si uma liberdade de expressão incondicional, que os permite pregar ideais supremacistas e fundamentalistas, perseguem as vozes divergentes e plurais que conseguiram se eleger nas últimas eleições.

As câmaras municipais pelo Brasil afora tem virado um palco para o show de horrores protagonizado por vereadores tiktokers, que fazem discursos caçando likes e seguidores nas redes sociais. Passando longe das pautas urbanísticas, como zoneamento e uso do solo, estes parlamentares centram seus esforços em perseguir professores e pessoas trans, denunciando docentes por suas práticas em sala de aula e mulheres por simplesmente usarem o banheiro. Em Curitiba infelizmente não é diferente, tornou-se comum desvirtuarem debates importantes com suas paranoias, baseadas em preconceitos e fake news que propagam.

Em uma cruzada contra a diversidade, os parlamentares que defendem esta agenda são alvos prediletos. Na última gestão, Renato Freitas (PT) foi denunciado ao conselho de ética da Câmara algumas vezes, em geral por levantar debates essenciais para a democratização da cidade, principalmente o racismo. E chegou a ser cassado, só retomando ao lugar que era seu de direito após decisão da justiça.

Atualmente uma vereadora responde processo que pode levar a sua cassação, em seu primeiro mandato a Professora Angela Machado (PSOL) foi denunciada por ter realizado uma audiência pública em que foi apresentada a redução de danos como proposta de tratamento para pessoas viciadas em drogas. Até agora não foi discutido o mérito da proposta, se é válida ou eficaz, ao invés disso tem se procurado interditar o debate acusando a vereadora de apologia às drogas.

Ângela não é a única parlamentar a sofrer processo por simplesmente abrir espaço para questões incomodas na sociedade brasileira, mais três vereadores do PSOL em outras cidades estão respondendo por sua atuação contra o racismo, a transfobia e a lgtbfogia além de outras formas de opressão. A liberdade somente será efetivada quando as vozes de todos aqueles que até hoje foram silenciadas puderem ser ouvidas através de seus representantes, construindo cidades mais justas e plurais.

Por isso é importante a mobilização popular, precisamos dizer em alto e bom som para os parlamentares extremistas ouvirem: PROFESSORA ANGELA FICA.

*Luiz Belmiro Teixeira é professor de Sociologia do IFPR/ Programa de Pós-graduação em Planejamento Urbano da UFPR – Coordenador do Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles.

**O Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles (NC-OM) reúne pesquisadoras/es de diversas áreas do conhecimento, como Geografia, Arquitetura, Sociologia, Direito e Economia, com ampla atuação na mobilização política. Em parceria com o Brasil de Fato – PR produz artigos de opinião com o intuito de democratizar a ciência e construir coletivamente conhecimentos e práticas, junto aos diversos segmentos sociais, compreendendo tal estratégia como fundamental para o enfrentamento das desigualdades e violências materiais e simbólicas que marcam a espacialidade urbana contemporânea.

***Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Lucas Botelho
Sindicalizadas/os no SISMUC

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