Pedro Carrano

Jornalista, escritor e militante da organização da Consulta Popular 

Professores encerram greve. E balanço da postura de Ratinho Jr é preocupante

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Primeiro dia de greve massificou e reuniu cerca de 20 mil pessoas. Foto: | Crédito: Ana Keil

O modelo neoliberal, lembremos, foi aplicado no Chile durante a ditadura de Pinochet

Professores e trabalhadores de escola encerraram a greve na noite de ontem (5), em assembleia estadual extraordinária online, convocada pela APP-Sindicato.

A categoria agora mantém o estado de greve e pretende ter foco agora no debate com a comunidade escolar, que será consultada sobre a aplicação do projeto Parceiro da Escola.

Um balanço da postura de Ratinho Jr durante a greve de três dias traz muitas preocupações.

Uma greve de professores no Paraná  sabemos como inicia, mas nunca como pode terminar. Há um histórico grave de repressão, como sabemos, como ficou marcado nos governos de Álvaro Dias (1987 – 1991) e Beto Richa (2015 – 2018).

A intransigência do governo Ratinho Jr, a submissão da maioria da Assembleia Legislativa, a covardia de passar a votação para o formato online – à exceção da oposição e de alguns parlamentares -, o debate ideológico em torno do projeto, tudo isso, de algum modo, convenhamos, já era esperado e foi expediente de outras greves.

O fato é que a aplicação desse projeto e a reação à greve parece ter sido um laboratório, nacional, apoiado pelos setores neoliberais e neofascistas que desejam privatizar a Educação pública.

Para isso, o expediente da criminalização atingiu um novo patamar. Primeiro, quando no início da greve, uma professora e um técnico da UFPR foram detidos e passaram a noite na Cadeia Pública, na Cidade Industrial, uma manobra nitidamente intimidatória, um expediente que não é comum e é ilegal. 

Já no segundo dia de greve, estarrecidos, os professores descobrem que a Procuradoria Geral do Estado pedia a prisão da presidenta da APP, Walkiria Mazetto.O pedido envolvia sugestão de aumento da multa para o sindicato. O preocupante: amparado na Lei de Greve, uma lei que limita a ação sindical no Brasil. E a ação sindical deveria ser um item na avaliação sobre o quanto um país é democrático.

A palavra, ao longo desses dias, foi então criminalização, pressa, ausência de um debate justo, tratoraço e mudança da votação baseados numa maioria parlamentar. O neoliberalismo, lembremos, não precisa de amplo espaço democrático. Esse modelo econômico foi aplicado no Chile, nos anos 70, durante ditadura de Pinochet. Na Inglaterra,Thatcher o enfiou goela abaixo dos trabalhadores mineiros. No Brasil, Temer liberou as terceirizações de atividades-fim após um golpe parlamentar.

Do outro lado, o movimento foi uma mostra importante de resistência. A educação ainda é o setor dos trabalhadores capaz de massificar e disputar a batalha de ideias com a sociedade.

No primeiro dia de movimento, professores levaram 20 mil pessoas às ruas, envolveram outras organizações e sobretudo o movimento estudantil secundarista. Agora, com condução correta, agilidade organizativa, e leitura correta do momento e do ânimo da base, é preciso  seguir num grande debate e levá-lo pra última trincheira contra a privatização: o chão da escola.

Editado por: Lucas Botelho

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