Prof. Alexandre Eduardo

Criado nas ribeiras sertanejas do Vale da Espinharas, poeta, compositor e declamador dos cânticos juritinianos dos sertões Nordestinos. Engenheiro Agrônomo (UFPB). Mestrado e Doutorado em Engenharia Agrícola, ambos os títulos obtidos com Distinção na Universidade Federal de Campina Grande. Atua na área de Desenvolvimento Rural, Agroecologia, Educação Popular, Educação do Campo, Desastres Naturais, Desertificação e Degradação Ambiental, Semiárido e Agricultura Familiar.

Timoneiro do Caos

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Jair Bolsonaro | Crédito: Reprodução

Lama, fogo, veneno e motosserra. Muitas mortes misturadas aos muitos 'nãos' para comprar a vacina

Lágrimas! Lágrimas e mais lágrimas banham o povo brasileiro. Lágrimas de tristeza. Lágrimas de dor. Lágrimas de sofrimento. Lágrimas de desespero. A sensação de proximidade da morte marca profundamente nossa gente. Gente que viu despencar seus direitos, sua soberania, sua capacidade de compra, sua saúde, segurança e, por fim, a vida de seus familiares, amigos e desconhecidos. Vidas ceifadas prematuramente. 

A Covid-19 estava do outro lado do mundo enquanto o Brasil brincava o carnaval. Líderes políticos, empresários e alguns gestores públicos do mais alto escalão das esferas administrativas zombavam: “É uma gripezinha”. Enquanto a lama tóxica da barragem de Brumadinho ainda estava molhada, escondendo suas derradeiras vítimas, o fogo avançava sobre o Pantanal, queimando vidas e transformando em cinzas cadavéricas o verde outrora vicejante da paisagem. 

Perto dali, o barulho ensurdecedor de tratores e motosserras que dizimavam a Floresta Amazônica em um ritmo de desmatamento jamais registrado no país. A liberação de agrotóxicos escancarou a estupidez de quem fez a “boiada passar”. Muita lama, fogo, veneno e motosserra. Muitas mortes misturadas aos muitos “nãos” para comprar a vacina, “nãos” para vacinar o povo.

Enquanto o preço do arroz subia, o preço do óleo de cozinha subia mais e, mais ainda, subia o preço do botijão de gás. O custo de vida aumentando, o dólar batendo recorde de altas sucessivas. Já sem emprego, sem trabalho, sem comida…  sem perspectiva, vão somando 27 milhões de pessoas com fome, passando fome.

Mais um recorde de safra. O agronegócio anuncia, o Governo Federal comemora: “a safra de grãos irá superar a do ano anterior. Somos o maior produtor agrícola do planeta”. Mas ir ao supermercado, ao mercadinho, às compras, já não é possível para 27 milhões de brasileiros e brasileiras que vivem na miséria.

Sob a pátria mãe gentil, 14,3milhões de pessoas desempregadas. Fecham escolas, creches, comércios, fábricas, cemitérios, estradas, parlamentos… só não fecham as feridas da injustiça social. No seio dessa imensa ferida, a pátria sem rumo certo assiste compassível seu retorno à idade das trevas, negando a ciência, e ,sem clemência, o timoneiro do caos vai conduzindo a embarcação verde amarela às entranhas da construção social do sofrimento, da incerteza e da dor.
 

Editado por: Cida Alves

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