Professora Angela

Professora de História na rede pública estadual e dirigente do PSOL. É a primeira vereadora do PSOL da história da Câmara Municipal de Curitiba.

Natural de São José dos Pinhais (PR), Angela Machado nasceu em 11 de julho de 1977. Com 6.294 votos nas Eleições 2024. Atua em pautas ligadas à educação, Professora Angela aparece na icônica fotografia de 29 de abril de 2015, em frente à Polícia Militar, nos protestos do Centro Cívico. Há quatro anos, estava na chapa coletiva Somos Juntas e, em 2022, foi candidata ao Governo do Paraná.

Aborto legal e seguro no Brasil é questão de saúde e educação pública

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Descriminalização do aborto é uma das pautas de gênero que ainda enfrentam resistência na sociedade | Crédito: Fernando Frazão/ Agência Brasil

A criminalização do aborto encoraja procedimentos inseguros que levam à morte de mulheres

Em 28 de setembro, dezenas de atos pelo país a favor da descriminalização do aborto marcaram uma agenda feminista de lutas no Brasil.

As mulheres foram às ruas por autonomia e direitos reprodutivos, saúde e educação.

A América Latina é a região do globo que possui o maior número de leis restritivas ao aborto, também, a que mais se contabiliza abortos induzidos, a maioria, inseguros.

No Brasil cerca de 500 mil abortos acontecem por ano, a criminalização do aborto encoraja procedimentos inseguros que levam à morte de mulheres. O aborto é a quarta causa evitável de morte materna no país e estima-se que cerca de 1 a cada 7 mulheres já passou por um aborto até os 40 anos.

Pesquisas mostram que o aborto é sim um evento comum na vida das pessoas que gestam e apontam que há uma concentração maior de incidência entre os grupos mais vulneráveis.

Em geral, de mulheres indígenas, negras, com baixa escolaridade, jovens e residentes em áreas e regiões mais pobres. Em números, 74% são mulheres negras e 52% são jovens que realizaram o primeiro aborto antes ou com 19 anos.

É preciso pautar a descriminalização do aborto a partir da saúde e justiça reprodutiva e da autonomia de escolha da mulher; que inclui o acesso a métodos contraceptivos e educação sexual.

O acesso ao aborto legal e seguro deve garantir o direito à vida e saúde das mulheres, a partir de uma perspectiva dos direitos humanos à liberdade e autonomia reprodutiva, à autodeterminação sexual e reprodutiva e a não discriminação dessas.

No dia 22 de setembro, a Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, liberou o julgamento da ADPF 442 que versa sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana.

A votação é um marco importante para o movimento feminista no Brasil, seguindo a onda verde na América Latina.

Essa pauta que nos é cara, agora em votação no STF nos permite debater com o conjunto da sociedade a importância de sermos favoráveis ao aborto seguro.

Tendo em mente que para o efetivo direito à autonomia de escolha e a cidadania reprodutiva das mulheres, a discussão do acesso ao aborto seguro não deve se pautar pela retórica moral ou religiosa, nem a reprodução biológica e social deve estar a serviço da produção econômica.

 

Fonte: DINIZ, D. MADEIRO, A. MEDEIROS, M. Pesquisa Nacional de Aborto – Brasil, 2021. Ciência & Saúde Coletiva, v. 28, n. 6. p. 1601-1606, 2023.

Editado por: Ana Carolina Caldas
Grupos de Trabalho da APUFPR

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