Nestes dias, vale a pena perguntar-se como seremos vistos à noite, do espaço. Seremos sombras chinesas dançando no mar, visões que saltam de onda em onda ou um clarão de luz inextinguível que rasga a tela e rompe os enquadramentos?
Talvez uma pintura de Kinkade, de Torrell, um Sorolla ou um Lam repleto dos vermelhos, verdes e laranjas vibrantes daquela selva insular onde se perdem os passos de seus inimigos.
Quando a Casa Branca decretou a asfixia energética que, segundo especialistas, poderia levar à paralisia total do país em questão de semanas, não agiu com base em números abstratos. Homens, mulheres, crianças e idosos sofrem as consequências da Ordem Executiva assinada em 29 de janeiro de 2026.
Os profetas da calamidade fizeram rapidamente as contas; os números eram assustadores: nada poderia evitar o colapso do país. Os apagões afetariam o acesso à água potável e aos sistemas de saneamento e higiene, uma situação que atingiria os grupos mais vulneráveis, incluindo programas de alimentação escolar, maternidades, asilos e hospitais.
Então, a congressista republicana pela Flórida, María Elvira Salazar, escreveu no X que “o sofrimento das mães e das crianças é um preço que vale a pena pagar por uma mudança de regime em Cuba”. A história, que é implacável com os algozes, algum dia se lembrará dessa frase, uma expressão que resume o pensamento de seus lacaios, colegas e chefes.
Não é a primeira vez que um déspota condena a Ilha e seus habitantes a desaparecerem nas trevas, mas sempre vence o feitiço, essa dilatação da imagem até a linha do horizonte de que fala Lezama, que ultrapassa os limites do desconhecido e do perecível.
Há números que não podem ser quantificados em dólares americanos. Por exemplo, uma criança do meu bairro, Lázaro Abrahan, de dois anos e três meses de idade, sofre de uma fissura laríngea de grau III. Se ocorrer uma emergência, não há como transportá-lo para um hospital no meio da noite.
Lazarito precisa de uma cirurgia; por isso, ele espera. Enquanto isso, depende de aparelhos para se alimentar e respirar. O problema é que ambos os aparelhos funcionam com eletricidade.
Rafael, um idoso que precisa de uma cirurgia na coluna, teve sua intervenção adiada. Manuel, um adolescente de quatorze anos, precisa de radioterapia para vencer o câncer.
Eles são o rosto humano de uma política que alguns insistem em chamar de “pressão econômica”. Quando um Estado utiliza seu poder econômico para privar toda uma população de água, eletricidade, assistência médica e alimentos, como mecanismo deliberado para forçar uma mudança política, estamos diante de um ato de genocídio.
No entanto, em um contexto de asfixia econômica sem precedentes, as autoridades, longe de anunciar um colapso, detalharam um plano integral que demonstra a capacidade de resistência da Revolução.
Enquanto as filas nos postos de gasolina se alongam e os apagões persistem, a criatividade cresce. Ninguém desiste. Os números mostram que, apesar de todas as dificuldades, Cuba avança e vence.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

