Erra quem pensa que o carnaval é apenas música e festa. O carnaval de Curitiba e seus blocos são resistência, luta e visibilidade para grupos minoritários.
A presença do Bloco Afro Pretinhozidade evidencia a força de uma luta histórica. Composto por integrantes negros e negras, o bloco mistura gerações, mulheres e corpos diversos, transformando o carnaval em um espaço de justiça social.

É preciso compreender que o carnaval não é só arte: envolve raça, classe e luta de classes. A presença do presidente da CUT Paraná mostra que os movimentos sindicais devem estar em todos os espaços. Márcio Kieller é um exemplo de uma esquerda progressista que inclui, e não exclui.
O centro de Curitiba, em sua maioria, estava vazio. Mas onde os tambores ecoavam, ali se formava a aglomeração. Acompanhei alguns blocos e cortejos, e foi emocionante ver jovens recebendo cultura e vivenciando momentos ao som da cultura popular.


Outra presença marcante foi Telma Melo, que utilizou seu corpo para questionar posturas e trazer à tona temas que precisam ser debatidos. Entre eles, o caso de Sônia, resgatada de um desembargador em Santa Catarina. Sônia, de 50 anos, foi retirada de sua família biológica aos 9 anos e mantida isolada, sem educação ou comunicação adequada. Mulher negra, com deficiência auditiva, viveu quase 40 anos em condição análoga à escravidão.
O carnaval de Curitiba teve espaço para todos e todas, menos para o preconceito.
Renata Borges é ntegrante da Casa de Malhu (instituição de travestis e transexuais), filiada Associação Nacional de Travestis e Transexuais, integrante da União Brasileira de Mulheres e do Desencarcera Paraná. Conselheira Estadual dos Direitos da Mulher pela sociedade civil.
**Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.
Leia outros artigos de opinião de Renata Borges em sua coluna no Brasil de Fato PR.

