Ricardo Prestes Pazello

Professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e integrante do Bloco de Samba Boca Negra

Tocando em frente

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Em Curitiba foram intensificadas manifestações de servidores municipais contra pacote de ajuste fiscal do prefeito Rafael Greca (PMN)
Em Curitiba foram intensificadas manifestações de servidores municipais contra pacote de ajuste fiscal do prefeito Rafael Greca (PMN) | Crédito: Em Curitiba foram intensificadas manifestações de servidores municipais contra pacote de ajuste fiscal do prefeito Rafael Greca (PMN)

Desgastar o campo conservador é fundamental e, ainda mais, sua ala protofascista

Como diria a música: “ando devagar porque já tive pressa”. Houve um tempo em que parecia que Curitiba superava seu conservadorismo. Porém, não adianta ter pressa. É tempo de analisar melhor nossa cultura política. Após expressivas votações que elegeram governos progressistas nacional e até localmente, uma onda conservadora tomou a cidade. Mas, ao mesmo tempo, ela é ambígua.

O conservadorismo tem dois caminhos: de um lado, a novidade protofascista (quer dizer, as características de extrema-direita que ainda não se desenvolveram totalmente); de outro, a tradicional direita (que usa sua máquina para convencer a maioria da população de que o neoliberalismo é sensato).

As candidaturas de Francischini (PSL) e Greca (DEM) são suas personificações. O primeiro representando a extrema-direita, de base bolsonarista; o segundo, a velha oligarquia local querendo continuar seus projetos antipopulares.

As pesquisas eleitorais sobre a disputa à prefeitura em Curitiba trazem essas duas personagens, mas acrescentam um terceiro papel. É o do campo progressista, representado por uma candidatura como a de Goura (PDT), tecnicamente empatado em segundo lugar, mas que vem acompanhado de um bloco importante de outras opções, como as do PT (Paulo Opuszka), PCdoB (Camila Lanes) e PSOL (Leticia Lanz), por exemplo.

A característica desse terceiro caminho é o de estar ainda fragmentado. Após sofrer um duro golpe (literalmente, um golpe de Estado), em 2016, a esquerda não tem mais conseguido realizar alianças competitivas eleitoralmente, salvo exceções. Este é o seu desafio, já que estas eleições municipais apontam para a disputa de 2022.

Até lá, é preciso “compreender a marcha e ir tocando em frente”. Desgastar o campo conservador é fundamental e, ainda mais, sua ala protofascista. Mas para tocar em frente de verdade é preciso temperar o “sabor das massas” com a única iguaria que pode dar liga para nossa marcha: a unidade de uma frente progressista.

Editado por: Pedro Carrano
Sindicalizadas/os no SISMUC

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