Chegamos a um momento decisivo. Após um ano de muitos debates sobre clima e meio ambiente, finalmente começa a COP 30, sediada no coração da Amazônia, em Belém (PA). Ela não é só mais uma conferência climática. Essa edição tem o potencial de erguer um palco onde a sociedade civil em toda a sua diversidade propõem ações concretas, se colocando como sujeito ativo na luta por justiça climática e se recusando a ser mera coadjuvante.
E no centro deste turbilhão de demandas e soluções está a nossa juventude, que há muito vem sendo afetada de diversas formas com a crise climática. Ao longo deste ano, pude participar em vários momentos de eventos de preparação para a COP junto a jovens de diferentes regiões do Brasil. E o que me marcou muito é que essa não é uma juventude “decorativa”, mas uma força motriz, insurgente e indispensável para que esta seja, de fato, a COP da implementação e da inclusão.
A juventude que está na COP não quer muito: queremos apenas um lugar à mesa, para debater em pé de igualdade e trazer as nossas questões para o centro do debate. Se, por um lado, fomos criados diante da noção de que seríamos nós a geração que teria o poder de mudar o futuro do planeta, por outro lado, hoje já estamos herdando as consequências nefastas das decisões das grandes corporações que afetam diretamente as nossas vidas no campo ou na cidade.
E é por isso que não podemos debater mitigação dos efeitos da crise climática sem considerar a participação da juventude dos centros urbanos, camponesa, indígena, quilombola, ribeirinha e que vive nos diferentes biomas Brasil afora.
Esta deve ser a COP da participação popular. No imaginário das pessoas já estava fixado que este é um encontro de cúpula, restrito aos chefes de Estado, mas desta vez o governo Lula fez a diferença. Estamos vendo um amplo processo de participação popular nos últimos meses, com eventos temáticos, “Pré-COP” setoriais, isso sem falar na forma como o governo vem conduzindo os debates de cúpula, garantindo uma troca real e a participação dos países do Norte e Sul global em pé de igualdade.
Nos próximos dias, nós, que estamos no evento, temos uma importante tarefa: ir além do discurso e garantir políticas, ações, pactos coletivos e financiamento climático real que cheguem às mãos desses jovens. Precisamos abrir espaço nas mesas oficiais de negociação para que a juventude vulnerabilizada pelo racismo ambiental – aquele que escolhe cor e CEP para definir quem sofrerá primeiro e mais intensamente os impactos da crise – possa apresentar as soluções que já germinam em seus próprios territórios.
Exemplo disso é a juventude da Caatinga, nosso bioma autenticamente brasileiro, que tem uma experiência muito potente na elaboração de tecnologias sociais, conhecimentos tradicionais e um olhar aguçado para as injustiças que os modelos propostos pelo Norte global e por grandes empresas insistem em ignorar. A nossa juventude tem sido guardiã dos acúmulos históricos dos povos de Semiárido quando o tema é conviver com um clima diferenciado, que tem suas adversidades, mas, sobretudo, potencialidades.
Por isso, o nosso papel enquanto juventude na COP 30 é ser o antídoto contra essa letargia dos acordos que não saem do papel e das iniciativas que não chegam aos nossos territórios. Nossa juventude está nas ruas, no campo, na universidade, nas periferias, nas organizações sociais, nos movimentos populares e, cada vez mais, nos espaços de decisão, para garantir que temas como racismo ambiental e justiça climática não sejam apenas temas dos debates paralelos, mas estejam no eixos centrais dos acordos finais.
Esta COP tem o potencial de ser histórica, não por sua localização ou tamanho, mas por sua capacidade de traduzir a pressão das ruas em políticas transformadoras. A juventude está aqui para lembrar a todos que o futuro não é um lugar aonde se vai, mas um lugar que se constrói, e que somos sujeitos dessa construção. Sigamos na luta, na construção dos espaços e na linha de frente da defesa do meio ambiente, construindo um futuro com justiça climática.

