Andando pelo centro da cidade para fazer uns corres do trampo e pagar uns boletos, me assusto com a chegada de um jovem vendendo balas, guloseimas e afins. A abordagem foi em frente a um grande shopping:
– E aí, empresário?
– Como é que é, irmão? Empresário?
– Sim. Empresário. Sei que você tem dinheiro aí e pode me dar uma força aqui no meu corre. Aceitamos dinheiro, pix ou cartão. Leva umas balas para sua mina.
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Observo que outros jovens, ambulantes, fazem o mesmo tipo de abordagem com as outras pessoas. Sempre chamando de empresário ou empresária. Com uma fala doce e exaltando que a pessoa é sempre bem-sucedida. Uma simpatia construída. Nada natural.
Pergunto ao jovem com um “pano”(roupa de marca) muito daora e cheio de tatuagens:
– Quem te ensinou a fazer esse tipo de abordagem?
– Jesus.
– Jesus?
– Sim. Jesus. Ele me ensinou a não ter patrão e fazer meu próprio corre.
– Jesus te ensinou isso?
– Ensinou.
– Mas, e se um dia você estiver doente e não puder fazer seu corre?
– Jesus falou para juntar dinheiro.
– É?
– É.
– Poxa, Jesus entende pra caramba de vendas, né?
– É.
– Você gosta de fazer esse corre aí?
– Muito. Não tem horário e ninguém pra me encher o saco. Eu mesmo sou meu patrão.
– Beleza, irmão. Sucesso aí nas vendas. Só mais uma pergunta. O que você sabe sobre a reforma trabalhista, reforma da Previdência e a inflação?
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– Sei nada não, por quê?
– Nada. Sorte aí nos corres.
– Firmeza.
– Firmeza.
Rubinho Giaquinto é covereador da Coletiva em Belo Horizonte.
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Este é um artigo de opinião e a visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal

