Grupo Saúde Mental & Militância no DF

Saúde Mental e Militância no Distrito Federal (SMM-DF) é um grupo vinculado ao Instituto de Psicologia da UnB, que visa potencializar a militância no campo da saúde mental; fomentar a abordagem da temática da saúde mental na e pela militância organizada (partidos, sindicatos, movimentos sociais); e fortalecer o campo da saúde mental no Distrito Federal (DF).

Oito anos de Ibaneis Rocha no governo do DF: e a saúde mental?

No audio source provided.
Ibaneis Rocha
Governador do DF Ibaneis Rocha (MDB) sairá do cargo para disputar o Senado | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os número denunciam um projeto de precarização e desmonte das políticas sociais

O governador Ibaneis Rocha (MDB) anunciou que renunciará ao seu cargo no dia 28 de março, para concorrer ao Senado nas eleições de 2026. Ao todo, foram quase oito anos completos de mandato, totalizando 2.645 dias, desde a sua posse, em 1º de janeiro de 2019.

Ibaneis se afasta do cargo com uma série de denúncias vinculadas ao seu governo e à sua atuação direta, como as do escândalo do BRB com o Banco Master. Somam-se a isso outros escândalos, como o aluguel, no valor de R$110 milhões por cinco anos e sem licitação, de instalações privadas do Iesb, em Ceilândia, com remoção de parte do funcionamento da Universidade do Distrito Federal (UnDF).

Sua gestão na saúde tem sido caracterizada como “caótica”. Como temos afirmado nesta coluna, o caos da saúde no DF se manifesta também num caos da saúde mental: um cenário de insuficiência de serviços e de profissionais, de precariedade, desassistência e do fomento a serviços e entidades privadas e manicomiais.

Apesar da elevação da antiga Diretoria de Saúde Mental para o status de Secretaria de Saúde Mental, os números concretos dos quase oito anos de mandato de Ibaneis Rocha denunciam um projeto de precarização e desmonte das políticas sociais, dentre elas, a saúde e a saúde mental, assim como de manicomialização.

Para comprovar, vejamos, a seguir, alguns dos números dos 2.645 dias de governo Ibaneis Rocha na saúde mental, álcool e outras drogas do Distrito Federal:

  • 0 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) implantados na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS);
  • 2ª pior cobertura de CAPS habilitados de todo o país – o índice de cobertura de CAPS habilitados do DF é de apenas 0,54 CAPS/100 mil habitantes, sendo que a média nacional é de 1,13;
  • 0 Centros de Convivência implantados – não há Centros de Convivência RAPS do DF 
  • 0 Unidades de Acolhimento implantadas – atualmente o DF só possui uma UA;
  • Somente dois Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) implantados – os únicos existentes;
  • 0 concurso para especialistas;
  • 20º lugar entre as 27 unidades federativas em número de psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos alocados em CAPS, com menos de 300 profissionais;
  • Maior complexo manicomial do país. O DF é a unidade federativa com a taxa mais alta de leitos psiquiátricos privados do país, junto do estado de Goiás: 17,5/100 mil habitantes;
  • R$5.713.313,59 somente no ano de 2024 repassados à Clínica Recanto, uma instituição privada, que é descrita como “100% cultura manicomial” por quem ficou internado nela;
  • 2 mortes no Hospital São Vicente de Paulo: Raquel França de Andrade, no dia 25 de dezembro de 2024, e Eva de Oliveira Silva, em 22 de abril de 2025
  • 6 mortes no incêndio da Comunidade Terapêutica Liberte-se, que ocorreu em 31 de agosto de 2025: Daniel Antunes Miranda, Darly Fernandes de Carvalho, José Augusto Rosa Neres, João Pedro Costa dos Santos Morais, Lindemberg Nunes Pinho e Luiz Gustavo Ferrugem Komka.

Terminamos reafirmando que nada disso é um desvio ou anomalia. Vivemos, de maneira bastante pronunciada, o desenvolvimento de um projeto que se pauta na manicomialização e na precarização para a privatização das políticas de saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) e, nele, a saúde mental.

A população do DF é quem sofre diretamente com esse projeto, que terá sua marcha continuada após a saída de Ibaneis, com a posse definitiva de Celina Leão. 

Quem se preocupa com a saúde e a saúde mental da população do DF deve lutar para dar um fim a este projeto, capitaneado por Ibaneis e Celina.


Apoie a comunicação popular no DF:

Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]

Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.

Entre em nosso canal no Whatsapp e acompanhe as atualizações.

Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de Whatsapp do BdF DF: 61 98304-0102

Editado por: Clivia Mesquita

|

Newsletter