4 de outubro de 2025. Há 800 anos Francisco de Assis escreveu o Cântico das Criaturas. Por isso, a Semana da Criação acontece todos os anos, do início de setembro até o dia 4 de outubro, data de sua partida, em 4 de outubro de 1426.
Em live, dias atrás, das Escolas de Fé e Política gaúchas, a Ir. Cleusa Andreatta falou do Cuidado com a criação, lembrando Francisco de Assis e os tempos atuais, os caminhos para o cuidado com toda criação e a ecologia social e integral. E falou da natureza como sujeito de direitos, a natureza como sujeito de dignidade. E de como desenvolver a espiritualidade dentro desta crise que estamos vivendo. Tudo está interligado, como sempre disse o papa Francisco e escreveu na Encíclica Laudato Sì, de 2015 (Ver, via youtube, Home, Nosso Planeta, Nossa Casa, de Yann Arthus-Bertrand, de 2009).
A COP 30 está aí, quase acontecendo em Belém, Pará, na Amazônia, reunindo governantes do mundo inteiro, militantes da causa ambiental, a lembrar que esta é a hora em que todas e todos devem se unir, ‘ninguém soltando a mão de ninguém’, para que a paz, a soberania, o cuidado com a Casa Comum, a democracia e a Sociedade do Bem Viver estejam vivas e presentes.
Francisco de Assis, o homem da comunidade, do amor aos mais pobres entre os pobres, o santo da fraternidade e do bem comum, está a lembrar tudo isso. O sentido do cuidado, como disse Ir. Cleusa, deve estar presente todos os dias, com ética, com mística, com a espiritualidade daquelas e daqueles que não só amam a vida, mas amam o futuro.
Como cantou e rezou Francisco de Assis, no Cântico das Criaturas: “Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão sol, que clareia o dia e que com a sua luz nos ilumina. Ele é belo e radiante, com grande esplendor, de ti, Altíssimo, é a imagem.”
Felizmente, chegou a primavera, com suas luzes e cores, voltou o sol com seu acalanto e beleza.
“Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas, que no céu formaste, preciosas e belas.”
A lua e as estrelas brilham, encantando as noites e abençoando o dia seguinte.
“Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento, pelo ar e pelas nuvens, pelo entardecer e por todo o tempo que dá sustento às tuas criaturas.”
Hoje, muitas vezes, com a crise climática, o vento tornou-se tempestade, ciclones, ameaçando casas, destruindo a natureza.
“Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, útil e humilde, preciosa e pura.”
É preciso, mais que nunca, cuidar da água, especialmente a dos rios da Amazônia, para que continue sendo vida e beleza, ´útil, humilde, preciosa e pura´.
“Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo, com o qual iluminas a noite. É belo e alegre, vigoroso e forte.”
O fogo do fogão a lenha assa os pinhões gostosos, prepara o churrasco dos domingos, acalenta os pés e as mãos no duro inverno gaúcho.
“Louvado sejas, Meu Senhor, pela nossa irmã, a Mãe Terra, que nos sustenta e governa, produz frutos diversos, flores e ervas.”
A Mãe Terra, que produz o alimento de todos os dias, hoje recebe muitos venenos. É preciso cuidar dela agroecologicamente como irmã e companheira.
“Louvado sejas, meu Senhor, pelos que perdoam por teu amor, suportam enfermidades e tribulações.”
As pandemias estão aí, assustando a humanidade, trazendo a morte e a tristeza, o sofrimento e a dor para milhares, milhões, especialmente os mais pobres entre os pobres, as trabalhadoras e os trabalhadores.
“Bem-aventurados os que sustentam a paz, que por ti, Altíssimo, serão coroados.”
A paz está longe nos tempos atuais, seja nos países em guerras, seja nas famílias e comunidades, com a violência do cotidiano, os feminicídios, os assassinatos. Que volte a paz.
O Cântico das Criaturas lembra o esperançar de Paulo Freire. É preciso cantar e louvar, como e com Francisco de Assis. É preciso fazer a esperança acontecer todos os dias: com trabalho de base, com Formação na Ação, com comida no prato, com cantos e louvores, para que a vida aconteça e floresça com dignidade, com justiça, com alegria e felicidade.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

