Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990); Participante da Ciranda pelo CEAAL Brasil, CAMP e Articula PNEPS-SUS.

Um outro mundo possível, urgente e necessário

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Manifestantes ocupam o centro de Porto Alegre durante marcha que abriu a Conferência Internacional Antifascista
Manifestantes ocupam o centro de Porto Alegre durante marcha que abriu a Conferência Internacional Antifascista | Crédito: Jorge Leão

A democracia e a soberania estão em risco no Brasil e no mundo

Porto Alegre, a capital das gaúchas e dos gaúchos, que está completando 254 anos em 26 de agosto, e o Rio Grande do Sul tornaram-se referência no mundo a partir de 2001, com a realização do 1º Fórum Social Mundial, e a frase síntese do FSM: “Um outro mundo possível”.

Por que o primeiro Fórum Social Mundial aconteceu em Porto Alegre, seguido de outros em anos seguintes? Porque em Porto Alegre, nos governos populares do PT, no final dos anos 1980, Olívio Dutra prefeito e Tarso Genro vice-prefeito, surgiu o OP, Orçamento Participativo, o mundialmente conhecido OP.

O povo participava do OP, através de Assembleias gerais e abertas, da decisão sobre o destino dos recursos públicos, dos investimentos, das prioridades do governo municipal. Pela primeira vez na história, o povo tinha participação efetiva, vez e voz, sem que o poder público desse a palavra final. Mais que novidade e avanço, verdadeira revolução. O OP tornou-se referência mundial em governos populares.

O Fórum Social Mundial e o Orçamento Participativo espalharam-se pelo mundo, como referência de debate sobre o futuro da humanidade e os destinos do planeta terra.

A pergunta e a dúvida: o Brasil e o mundo mudaram para melhor a partir de 2001? Nas primeiras duas décadas deste século, havia sinais mais do que positivos para a sobrevivência da humanidade. Mas os tempos mais recentes, com a pandemia, a crise climática e, especialmente, as guerras, colocaram tudo em risco. Talvez nunca, pelo menos nas últimas décadas, o mundo e a sobrevivência do planeta estiveram tão em risco, como nos tempos atuais. Por isso, a Conferência antifascista que vai acontecer em Porto Alegre de 26 a 29 de março, é fundamental, quase decisiva. neste momento da história.

Por que? Na conjuntura atual, ninguém sabe como estarão o Brasil e o mundo no final de 2026, tal o grau de incerteza e instabilidade existentes. Como saber o rumo da guerra no Oriente Médio? Quando terminará, e como ou não se espraiará, e com qual grau de extinção ou danos para países e populações?  Ainda: como avançará a crise climática, e qual grau de destruição terá em todos os continentes, com o desastre humanitário, ecológico e ambiental já acontecido, e com muitas consequências ainda hoje, em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul?

A Conferência Antifascista, pela soberania dos povos,  na defesa da democracia e da paz no mundo, exigindo o fim da violência, especialmente contra as mulheres, as juventudes, o povo negro, o povo indígena, a população LGBTQIA+, não por acaso, vai acontecer em Porto Alegre de 26 a 29 de março. A Conferência, com presenças anunciadas de representações de todos os continentes, deverá trazer luz e esperança.

A democracia e a soberania estão em risco no Brasil e no mundo. O planeta terra está em risco.

Um outro mundo é possível, sim. Mas hoje, mais que nunca, um outro mundo é urgente e necessário. Este outro mundo, como sabem todas e todos os que participaram, ao longo do tempo, dos Fóruns Sociais Mundiais e agora participarão da Conferência Antifascista, só será possível com ampla participação coletiva e solidária, com políticas públicas e participação social e popular, e através de um grande mutirão unido povos de todos os continentes.

Não há outro caminho com futuro. Todas e todos na Conferência Antifascista, participando, entre outras dezenas ou centenas de atividades do debate, no Auditório Clara Scott do CAMP, Centro de Assessoria Multiprofissional, sobre UTOPIAS EM MOVIMENTO, a práxis de um outro mundo possível, sobre a crise do multilateralismo e os caminhos do Sul global.

Sem tempo a perder. Tudo a ganhar, na construção de um outro mundo possível, mais que nunca urgente e necessário. O neofascismo não será vitorioso

Ninguém solta a mão de ninguém. 

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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