O título do artigo-coluna da semana já estava escolhido, quando veio o resultado das eleições presidenciais colombianas, com a vitória, no primeiro turno, da ultradireita. Na América Latina, nunca se pode dizer antecipadamente que a casa da direita está (quase) caindo, mesmo havendo, em alguns momentos e circunstâncias, sinais de sua fragilidade e enfraquecimento, ou mesmo derrota localizada e temporária.
Muito menos no Brasil. A democracia no Brasil sempre corre risco, mesmo quando há aparentes sinais de que a direita e a ultradireita estão se enfraquecendo ou estão enredadas em escândalos, e, algumas poucas vezes até na cadeia, como há sinais de que pode estar acontecendo.
Os golpes se sucedem no Brasil. Como não lembrar do suicídio de Getúlio Vargas, um fazendeiro gaúcho presidente da República, em agosto de 1954, quando os militares e as forças organizadas da direita através da UDN. União Democrática Nacional, estavam exigindo sua renúncia?
Como não lembrar do assassinato de Juscelino Kubitschek, um desenvolvimentista, em 1976, pela ditadura militar, agora oficialmente reconhecido e declarado pela Justiça?
Como não lembrar do golpe militar de 1964, com deposição de João Goulart, o Jango, que só assumiu a Presidência da República em 1961, depois da renúncia de Jânio Quadros, com intensa mobilização social, através da Campanha da Legalidadeno Rio Grande do Sul, liderada por Leonel Brizola, então governador gaúcho, e a criação dos Grupos dos 11 em 1963, para fortalecer a resistência na base das comunidades? Jango propôs as Reformas de Base, entre as quais a Reforma Agrária, uma das razões da sua deposição e do golpe, levando a uma ditadura militar que durou 21 anos.
Getúlio, Juscelino e João Goulart não eram de esquerda. Quando muito eram do centro político, desenvolvimentistas, ou trabalhistas, com visão do Brasil como Nação. Mesmo assim, a ultradireita escravocrata nunca os tolerou.
Os golpes sucedem-se no Brasil. Houve o impeachment da primeira presidenta mulher Dilma Rousseff, que deu sequência às políticas e programas dos dois governos Lula, aprofundando a participação social e popular. A direita escravocrata não tolerou uma presidenta mulher dando vez e voz ao povo.
Lula foi preso. Afinal, como aceitar e ´engolir´ um trabalhador metalúrgico dando direitos a trabalhadoras e trabalhadores, tornando-se liderança mundial, e tirando o Brasil do Mapa da Fome pela primeira vez na história? Era demais para os sempre amantes da ditadura. Lula, depois de muito tempo na prisão, foi inocentado e eleito mais uma vez presidente da República.
O Brasil não é para iniciantes. Agora mesmo, em 2026 há, ou havia, sinais de que a democracia estava se consolidando, o país aos poucos sendo tirado do buraco profundo onde a direita e o bolsonarismo o atiraram, com escândalos para todos os lados, falcatruas, roubalheira, corrupção, com o fim de todas as políticas sociais construídas nos anos 2000. Mas ninguém pode se enganar. A direita e ultradireita brasileira, neofascista, são capazes de qualquer coisa, ou de tudo, como já se viu tantas vezes na história brasileira.
O Império americano, mais uma vez, e como sempre ao longo da história, busca impedir a independência brasileira, tenta estrangular as vozes da liberdade e da democracia. Neste contexto, vale ressaltar a importância, entre outras iniciativas, da articulação multilateral dos Brics, hoje presididas por ninguém menos que Dilma Rousseff.
Por isso, e muitas coisas e razões mais, a eleição presidencial de 2026 é a eleição das nossas vidas, como foi a de 1989, depois de 21 anos de ditadura militar, e a de 2002, inaugurando o novo século e milênio, esta de 2022 trazendo, finalmente, desenvolvimento, democracia, soberania popular, reconhecimento internacional e políticas públicas com participação popular.
Felizmente, como tantas vezes na História, o povo brasileiro se organiza e resiste. A voz das ruas nunca se calou, nem com exílios, assassinatos, tortura, prisões. Não há tempo a perder. Até outubro, tudo pode ainda acontecer contra o povo trabalhador, contra a democracia. Mas a resistência vai continuar acontecendo.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

