Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990); Participante da Ciranda pelo CEAAL Brasil, CAMP e Articula PNEPS-SUS.

Os ricos e os super-ricos brasileiros

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Lula exibe cartaz pela taxação dos super-ricos em manifestação na Bahia
Lula exibe cartaz pela taxação dos super-ricos em manifestação na Bahia | Crédito: Ricardo Stuckert

Esta concentração de renda e riqueza não é um acaso

Maria Lucia Fatorelli apresentou, em Encontro da Escola de Fé e Política do Rio Grande do Sul, no debate sobre “Eleições e Democracia: a Democracia no Brasil”, um retrato do Brasil de hoje. Segundo Fatorelli, “o 1% mais rico da população fica com 63% da riqueza nacional. Os 50% mais pobres detêm apenas 2% da riqueza do país.”

Ainda, na reflexão de Maria Lúcia Fatorelli: “Em 2018, a parcela de 0,1% de pessoas mais ricas ficava com 12,3% da renda, percentual este muito maior que o detido por toda a metade mais pobre da população brasileira, de 7,0%. A parcela de 0,01% de pessoas mais ricas ficava com 6,2% da renda, valor este não muito distante de toda a metade mais pobre da população brasileira (7,0%).”

Esta concentração de renda e riqueza não é um acaso. Decorre do modelo econômico que atua no Brasil.

Segundo Fatorelli, os principais eixos do modelo econômico produtor de escassez para a maioria da população são: sistema da dívida; política monetária suicida; modelo tributário regressivo; mineração predatória e grande agronegócio de exportação, irresponsável para com as pessoas e o meio ambiente. “Gastamos mais de R$ 2 trilhões com o Sistema da Dívida em 2025. Juros altos são o principal fator responsável pelo crescimento exponencial da dívida pública.”

O jornal Valor Econômico apresenta a seguinte realidade do Brasil de hoje (´Imóveis de Valor´, 4/5.06.26, p. B11): “Alto padrão vira ativo financeiro em São Paulo. A alta dos imóveis de luxo reforçou a visão da propriedade como investimento na capital paulista, elevando a liquidez ao mesmo patamar da localização e da arquitetura.”

Diz mais o Valor Econômico: “Um empreendimento na Zona Sul de São Paulo, com fachada ativa e de frente para o Rio Pinheiros, lançado em 2007, oferecia apartamentos por R$ 7,5 mil o metro quadrado. Na época, o projeto destacava-se pela localização fora dos padrões tradicionais  pela proposta de uso misto. Quase 20 anos depois, o mesmo produto tem fila de interessados em revendas de unidades, e as negociações chegam a R$ 75 mil o metro quadrado – dez vezes acima do valor original.

O projeto em questão é o Parque Cidade Jardim, da JHSF: nove torres residenciais sobre um shopping center de luxo, formando um complexo que se tornou referência de alto padrão na capital paulista. Segundo o empresário Adolpho Lindenberg Filho, CEO da Lindenberg, a percepção crescente dos imóveis de alto padrão como ativos de investimento trouxe um novo participante para as negociações: o assessor financeiro.” 

Por toda essa realidade brasileira, diz Maria Lúcia Fatorelli: “Campanhas É hora de virar o jogo´, pelo limite dos juros no Brasil, e ´Campanha nacional por direitos sociais´ impulsionam a divulgação das lutas sociais.”

São requisitos para a Democracia, segundo Fatorelli: “Representatividade da vontade popular soberana. A democracia tem sido ameaçada pela expansão da financeirização  global. É preciso transparência, publicidade e auditoria, conforme a Constituição federal de 1988. Afinal que dívida é essa? A Auditoria da Dívida é ferramenta capaz de responder. Está prevista na Constituição Federal de 1988. O Plebiscito Popular de 2000, com mais de 6 milhões de votos, levou à criação da Auditoria Cidadã da Dívida” (Para mais informações: #ÉHORAdeVIRARoJOGO). 

Este é ainda o Brasil de hoje, 2026, o Brasil de ontem, o Brasil de sempre.

Neste momento, contexto e conjuntura, ganham ainda mais importância as eleições quase gerais de 2026. É preciso voltar a discutir as Reformas de Base dos anos 1960, apresentadas por João Goulart no Comício da Central do Brasil, em março de 1964: Reforma Agrária: a mais emblemática: pretendia democratizar o acesso à terra por meio da desapropriação de grandes latifúndios improdutivos, permitindo o pagamento aos proprietários em títulos da dívida publica e não apenas em dinheiro. Posteriormente, as terras seriam distribuídas aos camponeses, para incentivar a produção e combater a fome. Reforma Educacional (ou Universitária): focada na erradicação do analfabetismo (utilizando o Método Paulo Freire) e na ampliação do acesso à educação pública em todos os níveis. Propunha também o fim da cátedra vitalícia nas Universidades. Reforma Tributária e Fiscal: projetada par tornar o sistema de impostos mais justo e progressivo, garantindo maior arrecadação através da taxação de grandes fortunas e lucros. Reforma Urbana: Criada para combater o déficit habitacional e a especulação imobiliária nas cidades. Estabelecia um limite para o numero de imóveis por proprietário, prevendo a desapropriação de excedentes para a venda subsidiada a trabalhadores. Reforma Política: Incluía a proposta de legalização dos partidos de esquerda e o direito ao voto para os analfabetos e para os soldados de baixa patente. Reforma Bancária e Financeira: Visava controlar o fluxo de remessas de lucros das multinacionais para o exterior e nacionalizar setores estratégicos da economia, limitando a evasão de divisas e centralizando o crédito nacional para fomentar o desenvolvimento interno.” 

As Reformas de Base, propostas em 1964, há mais de 60 anos, precisam ser retomadas e feitas a partir de 2027, para que, finalmente, a soberania e a democracia sejam consolidadas e, com igualdade social e econômica, seja possível construir no Brasil a Sociedade do Bem Viver.

***Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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