Manchete de capa do jornal Pé na Terra, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), (agosto e setembro de 2026 – publicação da EJR/CPT Diocese de Santa Cruz do Sul, ano 18, nº 40): Das mãos das mulheres brota a vida! Sementes crioulas, agroecologia e agricultura familiar camponesa no cuidado com a mãe terra!
Diz a matéria ‘Semeia, Margarida, semeia!’ (Pé na Terra – Cristina Luísa Bencke Vergutz – equipe EFASC, p. 5): “Ao olharmos com atenção para a dinâmica da agricultura familiar, veremos que as mulheres são as grandes semeadoras da vida, mesmo enfrentando, ao longo do tempo, a invisibilidade de seus trabalhos e conhecimentos. A relação das mulheres com a terra se expressa na produção de alimentos, na preservação das sementes, no cuidado com a água, com a biodiversidade e com as pessoas.”
Mais. “O olhar e o fazer das mulheres nos mostra que produzir alimentos vai muito além da colheita. Significa cuidar da fertilidade do solo, da diversidade de espécies, da alimentação das famílias e das relações comunitárias. Para as mulheres, as sementes não são apenas insumos agrícolas, mas instrumentos de transformação e conscientização. Elas, além de semear, são também sementes que alimentam o corpo e a mente, revolucionando a vida e combatendo a lógica de exploração e dominação.”
O 26º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas aconteceu na Linha Santa Cruz, Santa Cruz do Sul, em 19 de agosto, com grande participação popular, troca de experiências, vivências e celebração.
Dia 7 de setembro vai acontecer em todo Brasil o 32º Grito das Excluídas e dos Excluídos, com seu lema principal: vida em primeiro lugar. O tema do Grito/2026 é: Na defesa da terra, da paz e da moradia. Erguemos a voz: Mulheres vivas e Soberania!
‘Por um Rio Grande Decente’ é o título do manifesto das pastorais sociais, movimentos sociais e organizações populares (CNBB, Comissão Episcopal Pastoral para a Ação sócio-transformadora). Foi lido no lançamento do Grito das Excluídas e dos Excluídos/2026 na Sala de Convergência da Assembleia Legislativa, em ato coordenado por Dom Itacir Brassiani, bispo de Santa Cruz do Sul.
Diz o manifesto: “O Papa Francisco nos recorda que os movimentos populares são ‘poetas sociais’ e ‘semeadores de esperança e mudanças’. E alerta que existem ‘demasiados interesses particulares em jogo e que muitas vezes os interesses econômicos prevalecem sobre os interesses comuns’.”
Anuncia mais o manifesto: “Lutamos por um Rio Grande Decente, porque decente não é apenas quem respeita o decoro. Decente é quem respeita a dignidade humana e os direitos das pessoas. Um Estado Decente é um Estado comprometido com o bem, com o bem de todos os cidadãos. Por isso, lutamos por um Rio Grande do Sul:
Que proteja a vida e a dignidade das mulheres, adolescentes e crianças;
Que enfrente o feminicídio e todas as formas de violência;
Que coloque a justiça socioambiental e climática no centro das políticas públicas;
Que proteja os biomas, as aguas e os territórios;
Que garanta moradia digna, saneamento básico e direito à cidade;
Que fortaleça o SUS, a assistência social, a educação pública e a cultura;
Que promova trabalho digno, renda, economia solidária e segurança alimentar;
Que valorize a agricultura familiar, a reforma agrária e a permanência da juventude no campo;
Que reconheça e proteja os direitos e os territórios dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais;
Que enfrente o racismo, as desigualdades sociais e toda forma de discriminação;
Que fortaleça a democracia, a participação popular e o controle social das políticas públicas;
Que coloque a vida acima dos interesses econômicos e do lucro.
O Grito das Excluídas e dos Excluídos vai acontecer em todo Brasil. No Rio Grande do Sul, vai acontecer em Porto Alegre: concentração às 9h30m em frente ao IFRS, Campus POA, na rua Coronel Vicente, 281, no Centro Histórico, seguido de caminhada até o Assentamento 20 de Novembro e o CIBAI Migrações, na rua Barros Cassal, 220. Em Lajeado, Vale do Taquari, a concentração será às 15h na Ponte do Arroio Saraquá, bairro Praia, seguindo em caminhada até o Parque Ney Santos Arruda (Parque Beira Rio).
Todas e todos estão, não apenas convidados, mas convocados a marcar presença, caminhar junto com as excluídas e os excluídos, e lutar por uma Sociedade do Bem Viver.
O Encontro das Sementes Crioulas dialoga com o Grito das Excluídas e dos Excluídos na atual conjuntura e a um mês das eleições no Brasil: Cuidado com a Mãe Terra, alimentos saudáveis, Defesa da Terra, da Paz e da Moradia, com as Mulheres vivas e com soberania! Vida em primeiro lugar!
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

