Vanda de Assis

Vereadora de Curitiba pelo PT, assistente social, educadora popular,
Freiriana, promotora legal popular e servidora pública licenciada.

Foto Diretoria de Comunicação Social / CMC

Lutar pelas mulheres também é disputar a cidade

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Marcha das Mulheres do MST-PR
Marcha realizada durante o Encontro das Mulheres do MST-PR. | Crédito: Foto: Ana Clara Garcia Lazzarin

defender os direitos das mulheres também passa por discutir mobilidade, acesso a serviços públicos, trabalho digno e tempo para viver

Todo ano, no Dia Internacional das Mulheres, vemos uma enxurrada de homenagens. Nas redes sociais, políticos publicam mensagens bonitas. No comércio, mulheres ganham flores e promoções “especialmente pensadas para elas”.

Mas o 8 de março nunca foi sobre gentilezas simbólicas. Ele nasceu da luta das mulheres trabalhadoras por direitos. Transformar essa data em um momento de marketing ou celebração vazia é uma forma de apagar a sua origem política.

As desigualdades que atravessam a vida das mulheres não são abstratas. Elas aparecem no salário menor, na violência dentro de casa e na sobrecarga do trabalho de cuidado que ainda recai majoritariamente sobre nós.

Esta semana, em preparação para o 8 de março, protocolamos na Câmara Municipal de Curitiba um conjunto de projetos de lei para enfrentar algumas dessas desigualdades na prática.

Entre eles está uma proposta para enfrentar a desigualdade salarial entre homens e mulheres, criando mecanismos de diagnóstico e transparência para combater essa disparidade no município.

Também apresentamos o programa Pró-Mulher, voltado à qualificação profissional de mulheres, especialmente aquelas que são chefes de família ou estão em situação de desemprego ou trabalho precário. A proposta busca ampliar as oportunidades de formação e inserção no mercado de trabalho.

Outra iniciativa cria um programa de valorização de iniciativas de mulheres negras na economia popular e solidária, reconhecendo o papel dessas mulheres na geração de renda e na economia local.

Também propusemos a inclusão do Julho das Pretas no calendário oficial de Curitiba, reconhecendo a importância da mobilização das mulheres negras na luta por direitos, memória e justiça social. Mais do que um reconhecimento simbólico, trata-se também de afirmar a necessidade de políticas públicas que enfrentem as desigualdades raciais e avancem em processos de reparação histórica.

Na área da prevenção à violência, apresentamos o Selo Condomínio Sem Violência, que incentiva condomínios a adotarem práticas de identificação, acolhimento e encaminhamento de casos de violência doméstica.

Outro projeto estabelece conteúdos mínimos de formação para profissionais que atendem mulheres vítimas de violência, garantindo um atendimento mais qualificado e sensível às diferentes realidades das mulheres — incluindo mulheres negras, idosas, com deficiência e da população LGBTQIA+.

E, diante da escalada de ataques que mulheres enfrentam na política, propusemos ainda a criação de um Observatório da Violência Política Digital de Gênero e Raça, para monitorar, produzir dados e fortalecer o enfrentamento a esse tipo de violência.

Também apresentamos um projeto para enfrentar a escala 6×1 nas contratações da prefeitura, impedindo que empresas que adotem essa jornada de trabalho prestem serviços ao município. Porque garantir condições dignas de trabalho também é garantir tempo para viver — e sabemos que a falta de tempo pesa ainda mais sobre as mulheres, que acumulam jornadas dentro e fora de casa.

A cidade também é uma agenda feminista

Apresentar propostas é parte do papel de uma vereadora, mas defender os direitos das mulheres não se limita a protocolar projetos de lei.

Existe também outra dimensão dessa luta: disputar os rumos da cidade.

As desigualdades de gênero também se expressam na forma como a cidade é organizada e em quem carrega o peso de sustentar a vida cotidiana.

As mulheres são maioria entre quem cuida, quem acompanha filhos na escola, quem enfrenta filas no SUS, quem resolve os problemas da casa e da família. Quando o transporte é precário, quando o serviço público é desmontado ou quando os bairros ficam abandonados pelo poder público, o impacto recai primeiro sobre nós, mulheres.

Por isso, defender os direitos das mulheres também passa por discutir mobilidade, acesso a serviços públicos, trabalho digno e tempo para viver.

Passa, igualmente, por garantir que as mulheres tenham autonomia sobre seus próprios corpos e meninas estejam protegidas. Em um país onde milhares de mulheres ainda recorrem a procedimentos inseguros por falta de acesso a direitos básicos de saúde reprodutiva, o debate sobre a descriminalização do aborto precisa fazer parte de uma agenda séria de justiça e igualdade.

Pautar essas lutas faz parte do trabalho cotidiano do mandato: fiscalizar o poder público, denunciar o abandono de bairros, cobrar melhorias no transporte, defender a escola pública, enfrentar privatizações e pressionar para que Curitiba funcione para quem vive nela.

Quando o Estado falha, são as mulheres que primeiro sentem o peso dessa ausência. E é por isso que ampliar a presença das mulheres na política também é parte da construção de uma cidade mais justa.

Editado por: Lucas Botelho
Sindicalizadas/os no SISMUC

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