Vicente Rauber

Engenheiro especializado em Planejamento Energético e Ambiental.

São necessárias mais indústrias?

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Exportação histórica de soja no Porto de Paranaguá (PA) em 2017 | Crédito: IvanBueno/ AG. Paraná

Precisamos de maior industrialização nacional de matérias primas, gerando postos de trabalho e renda, e cujos produtos são essenciais para o país

Um país grande e justo como desejamos e precisamos requer ser sustentável efetivamente, com integração e recuperação da natureza, redução das diferenças de renda e evolução econômica.

E neste contexto faltam indústrias novas e renovadas no Brasil.

Há uma forte tendência nos grandes centros, incluindo o Brasil, a participação da indústria na economia ser substituída pelos serviços e comércio, que chegam a ocupar próximo dos 60% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O crescimento deste significativo conjunto de atividades também é relevante, porém há setores excessivamente concentradores de renda e poder, principalmente os bancos, necessários e que podem ser diferentes.

Há quem dirá: a indústria é poluidora e concentradora de renda.

A indústria não precisa ser poluidora e nem concentradora de renda

Este aspecto já não pode ser generalizado. E a redução da poluição pode ser obtida com a prática da produção com resíduo zero, em que todos os materiais que ingressam são processados, incluindo todos os resíduos,  e aproveitados de alguma forma.

O Capitalismo Consciente, que busca difundir e incentivar a implantação do Environmental, Social and Governance (ESG), Meio Ambiente, Social e Governança, se efetivado realmente fará com que tenhamos indústrias com práticas ambientais adequadas, relações bem qualificadas com fornecedores e clientes, gestão interna participativa com todos(as) os(as) trabalhadores(as) e comprometidos com o desenvolvimento social das regiões onde atua.

Industrializar mais nossas matérias primas, incluindo as terras raras

Um país pode vender matérias-primas, mas não exageradamente. Aproximadamente 60% da produção de soja brasileira e do Rio Grande do Sul são exportadas in natura. Mais de 70% do minério de ferro é exportado, enquanto somos importadores de aço.

Possuimos 23% das reservas mundiais de terras raras, estratégicas na transição energética, equipamentos essenciais e muitas outras aplicações. No entanto, pouco extraímos e menos ainda industrializamos.

Precisamos de maior industrialização nacional destas matérias primas, gerando postos de trabalho e renda, e cujos produtos são essenciais para o país.

Reduzir a geração de GEEs requer maior participação da indústria

Para que tenhamos um país com forte redução dos gases de efeito estufa – GEEs -, propiciando segurança e qualidade de vida à população, cabem papéis essenciais à indústria.

Até dois terços dos GEEs em centros urbanos provém dos veículos à combustão, que precisam ser substituídos por veículos elétricos. Precisamos de mais fábricas de veículos elétricos em solo nacional, além da produção de motores elétricos e baterias.

A fundamental universalização do saneamento básico (produção e distribuição de água potável, coleta e tratamento de esgotos, coleta e tratamento de lixos, drenagem urbana e proteção contra cheias),  da arborização e outras medidas ambientais requerem maior produção de equipamentos e insumos.

Maior produção e transporte de energia elétrica, aerogeradores e placas solares são necessários. Assim como são necessários equipamentos biodigestores para produção de biogás em propriedades rurais e indústrias, para uso próprio, ou seu tratamento na produção de biometano, de uso público.

A produção agrícola realizada pelo programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono – requer insumos biológicos produzidos massivamente. Os pequenos e médios produtores rurais necessitam de máquinas mais apropriadas.

Enfim, precisamos mais indústrias para construir modos de produzir e viver com recuperação da natureza, melhor distribuição de rendo promovendo desenvolvimento sustentável.

A Assembleia Legislativa do RS, na atual gestão do deputado Pepe Vargas, desenvolve um processo participativo (gov.br/pactors25) com a busca “O Crescimento Sustentável é Agora”. O objetivo é constituir um plano para superar os graves desafios do desenvolvimento econômico do estado.

Em 26 de setembro passado desenvolveu o “5º Grande Debate do Pacto RS 2025 – A Nova Indústria Brasil e o Desenvolvimento Sustentável”. O destaque foi a apresentação do Programa NIB – Nova Indústria Brasil -, que tem como eixos a bioeconomia, a descarbonização e a transição energética. Atua integradamente com todas as áreas envolvidas do Governo Federal. Até o momento já realizou R$ 511 bilhões, sendo 8,8% em 22 mil projetos do RS.   

São iniciativas e programas fundamentais. Como vimos acima, há necessidades para a sua ampliação, especialmente com os itens citados,  o que pode e deve acontecer com ou sem a participação estatal diretamente.

Avançaremos num Brasil mais democrático, justo  e soberano.  

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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