É Natal. Tem Papai Noel, encontros de família, presentes, alguns atos de caridade, comércio promovendo e usando a data para aumentar as vendas. Tudo muito bom, legítimo e bonito.
Vamos tentar ir um pouco além. 25 de dezembro é a data do nascimento de Jesus Cristo. O cristianismo prega a justiça social, a solidariedade e busca uma sociedade justa e fraterna. E como realizar estes princípios em plena era nazifascista, carregada de ódio e a serviço das elites?
Na década de 1970, em nível internacional, o capitalismo iniciou um novo ciclo, denominado neoliberalismo. Baseado fundamentalmente no monetarismo, inclusive na especulação financeira, secundarizando a própria produção. Na prática, um sistema que se autoconsumia.
Ao entrar em crise, cresce com força a extrema direita, ou neofascismo, retomando aspectos do nazismo alemão e do fascismo do período anterior à Segunda Guerra Mundial. Ou seja, vivemos um criminoso período nazifascista.
Hitler proclamava: “Deutschland über alles” (Alemanha acima de tudo). Dominar o mundo era necessário porque a raça ariana era superior. Os problemas alemães eram os judeus e os negros, que precisavam ser eliminados.
Trump, que na prática se proclama como grande líder deste período nazifascista, tentando novamente tornar os EUA o xerife do mundo, grita: “Make America Great Again” (Faça a América Grande Novamente). América, no caso, são os EUA; nós, o resto, somos os cucarachas, que precisam ser dominados para servir aos interesses imperialistas.
O nazifascismo no Brasil
No Brasil, o nazifascismo ressurge principalmente a partir das manifestações de 2013, que se diziam “apartidárias”, mas incidiam na desmoralização dos governos constituídos (Dilma, no Brasil, e Tarso, no RS). Ganha um forte componente a mais com o golpe contra a presidente Dilma, liderado pelo centrão no Congresso.
Quando o centrão viu que poderia destituir uma presidente sem nenhum motivo real, instituiu um novo sistema de governo no Brasil: o Centrão. Através dele, procura subordinar a Presidência da República, incluindo formas completamente espúrias.
Bolsonaro é fruto do nazifascismo brasileiro: “Brasil acima de tudo; Deus acima de todos”. Um líder rebaixado, adotado pelas igrejas pentecostais, fanatizado pela parcela nazifascista da população e oportunisticamente assumido pela direita e pelas elites, contra o petismo e a esquerda.
O nazifascismo orienta-se fundamentalmente pelos princípios: ódio aos divergentes, com aprofundamento do individualismo; benefícios para as elites agrícola, industrial e bancária, incluindo privilégios fiscais; controle e exploração de todo tipo de trabalhadores, retirada de direitos, pejotização do trabalho e desvalorização das entidades sindicais e populares; desvalorização das chamadas minorias o quanto possível (mesmo fazendo propaganda dizendo o contrário); adoção de políticas de austeridade, privilegiando negócios privados; e uso massivo e intenso de comunicação falsa. Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, dizia: uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade.
Natal e princípios cristãos
O feriado e o período de Natal, com presentes, confraternizações e ajudas a quem nada ou quase nada tem, tudo é muito bom e interessante.
E, mais do que nunca, precisamos retomar e intensificar os princípios cristãos: solidariedade e fraternidade, ressaltando a dignidade da pessoa humana, com amor ao próximo (somos todos irmãos), cuidados especiais com os mais vulneráveis e com justiça e igualdade para todos, com oportunidades e recursos necessários à qualidade de vida. Ressaltar, acima de tudo, o bem comum, promovendo o bem-estar de toda a sociedade, não apenas de um grupo, possibilitando a paz e a felicidade humanas.
Desafios estruturais e perspectivas
O governo do presidente Lula, neste quadro mundial de extrema direita fortalecida, representa uma exceção e uma necessária resistência à degradação planetária e humana.
Apesar das enormes restrições impostas pelo centrão (Lula enfrenta o pior Congresso da história brasileira), o Brasil voltou a integrar o mapa-múndi, sendo ouvido e respeitado, conseguiu posicionar-se como país na busca de sua soberania, integra o bloco das dez maiores economias do mundo e retomou o caminho da distribuição de renda, retirando o país do mapa da fome. Continuamos precisando muito da continuidade e do aprofundamento do governo Lula.
Temos um caminho enorme a trilhar. Somos uma nação gigante, muito rica ambientalmente e um dos maiores produtores de riquezas, porém somos o quinto pior país do planeta no índice Gini, que mede as desigualdades sociais. Considerando os dados do IBGE do final de 2024, nada menos de 24,2% das famílias (18,9 milhões de domicílios, aproximadamente 54 milhões de pessoas) possuem algum nível de insegurança alimentar, isto é, sem ter certeza de conseguir as próximas refeições. No RS, tínhamos então 1,7 milhão de pessoas nesta situação.
Como já vimos em edições anteriores, possuímos setores econômicos histórica e arraigadamente privilegiados. Há muito tempo, o “capitalismo consciente” criou e desenvolve o conceito de gestão ESG (Environmental, Social and Governance), ou seja, produção realizada com critérios ambientais sustentáveis, integrada socialmente e com governança que garanta esta orientação. Salvo honrosas exceções, os resultados brasileiros efetivos desta política são muito pequenos; ESG, na prática, nada mais é que um forte instrumento de marketing.
Reduzir desigualdades
Um dos principais, possivelmente o principal, geradores de desigualdades é o nosso “imexível” sistema tributário. Está baseado fundamentalmente em impostos indiretos sobre o consumo. Uma família que sobrevive com o Bolsa Família, ao comprar um quilo de arroz, paga os mesmos impostos (em reais) que os bilionários de nosso país. Não por acaso, estamos entre as piores tributações do mundo.
Para que nossa nação seja efetivamente grande para todos, soberana e justa, é necessário superar estes e outros problemas estruturais. Engana-se quem, por egoísmo ou outro motivo, pensa o contrário.
Que o Natal de 2025 também seja um momento de fortalecer os princípios cristãos entre todos. Mais do que nunca, precisamos.
* Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

