“É impossível manter o socialismo num país só.”
Ernesto Che Guevara
Neste mundo globalizado e interdependente, o Brasil posiciona-se corretamente como país soberano, na defesa do multilateralismo, em que cada nação define seu destino e os conflitos entre nações são resolvidas por negociação, ainda que a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha sido incapaz de realizá-lo, mesmo tendo sido criada para esta finalidade em 1945. O Brasil deve continuar construindo a sua soberania e reconhecimento internacional, como está fazendo.
A questão internacional e seus reflexos estão fortemente em nosso dia-a-dia, a medida que o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, tenta, com políticas de ultradireita neofascista, impor-se como “xerife do planeta”, com guerras e medidas discriminatórias. Consegue causar sérios prejuízos ao mundo e principalmente ao próprio povo norte-americano.

Enquanto isto, um outro país, asiático, do outro lado do mundo, que nunca promoveu uma guerra para obter petróleo ou por outros motivos de domínio econômico, destaca-se cada vez mais no cenário internacional. Precisamos conhecer melhor a China! A terra gigante dos dragões, figuram místicas que representam força, alegria e prosperidade, e dos pagodes, típicas construções como mausoléus, atualmente pontos turísticos.
Mesmo sem abrir mão dos princípios maoístas conquistados com a vitória na Guerra Civil, em 1949, a China desenvolve o país e amplia seu crescimento mundo afora no contexto capitalista globalizado.
É um país gigante, sem pobres e com boa qualidade de vida a todos(as).
Como chegou até aqui?
Desde 2070 a.C. (antes de Cristo) a China passou por 4 dinastias: Xia, Shang, Zhou e Qing, esta última extinguiu-se em 1912, pela ausência de sucessores sanguíneos. Neste período passou por aproximadamente 80 imperadores. Exerciam o “Mandato do Céu”, que legitimava o seu reinado. Os eventos climáticos como secas, inundações e tempestades eram tidas como castigos divinos (acaso alguma semelhança com crenças ainda atuais, negacionistas?)

Então, em 1912, assumiu o Partido KMT – Kuomintang – Partido Nacionalista da China -, prometendo consolidar uma república. Após anos de crise, em 1924, o KMT então sob a liderança de Chiang Kai-shec, estabeleceu aliança com o PCCh – Partido Comunista Chinês – visando derrotar guerras locais e unir a China.
Durou pouco. Em 1927, Chiang Kai-shec realizou o Massacre de Xangai contra os comunistas, o que estabeleceu o início da Guerra Civil. Os comunistas refugiaram-se no interior, atuando inicialmente com guerrilhas.
Entre 1934 e 1935 um destacado militar comunista realiza uma “Grande Marcha” de cerca de 12.500 km, com o seu exército vermelho. Tratou-se de Mao Tsé-Tung, que saindo do Sudeste, em Jiangxi, de uma base militar russa, fugiu e enfrentou os ataques de KMT, passando por montanhas, pântanos gelados e regiões elevadas perto do Tibete, até chegar na província de Shaanxi, no Noroeste, onde estabeleceu o novo quartel-general comunista.
Houve uma trégua na Guerra Civil em 1937, quando KMT e PCCh uniram-se para resistir à invasão japonesa. Tratou-se da Segunda Guerra Sino-japonesa, quando o Japão, integrante do chamado Eixo da Segunda Guerra Mundial, juntamente com a Alemanha e Itália, tentou ampliar seu poder na Ásia. Como sabemos, em 1945 o Eixo todo perdeu a Segunda Guerra Mundial, porém até hoje há estremecimentos nas relações entre Japão e China.
Em 1943, Mao assume o comando do PCC, como Presidente.
As ideias comunistas ganharam força durante a Guerra Civil, especialmente entre operários e pequenos camponeses, como uma solução real para a fome e a pobreza. No interior, ao contrário do que ocorria antes quando o exército saqueava as regiões, o exército vermelho, nos períodos de pausa dos combates, ajudava a plantar e a colher. Os camponeses aprendiam a ler e a escrever. A reforma agrária virou grande bandeira.
Havia um comando central forte, os soldados seguiam regras rígidas.
Ocorria forte crise econômica e muita corrupção no KMT; o exército nacionalista ficou sem apoio popular e com deserções para o exército vermelho.

Em 1949 o PCCh torna-se o vitorioso da Guerra Civil. Chiang Kai-shec e os derrotados fogem para a Ilha de Taiwan, que continuam chamando de República da China. Passou a tratar-se como país independente, sem o reconhecimento da China, aspecto em disputa até hoje.
Em Pequim, Mao Tsé-Tung proclama a República Popular da China, instituindo a concepção comunista, simbolizada na bandeira.

O vermelho sempre foi a cor forte chinesa, símbolo do fogo, da sorte, da alegria e da prosperidade, aspectos que unem a nação. No Ano Novo Chinês, as pessoas decoram as casas com vermelho. Palácios e templos usam a cor vermelha. Noivas casam com vestidos vermelhos.
As quatro estrelas menores representam a união entre operários, camponeses, estudantes e o exército. A estrela maior o PCCh. Esta é a bandeira que sintetiza a República Popular da China.
Sob o comando de Mao, até a década de 70, o país enfrentou a fome e a pobreza, porém diante da complexidade e tamanho nacionais também enfrentou crises econômicas, ainda sem alcançar plenamente este objetivo. Entre outros aspectos realizou uma reforma agrária, com a distribuição de 47 milhões de hectares a 300 milhões de camponeses e a coletivização de propriedades em cooperativas e comunas.

A partir da década de 1970, os sucessores de Mao, fazendo uso do gigantismo chinês, mantiveram o centralismo e as regras maoistas, e abriram a China para o mundo. Combinaram o controle político rígido com uma economia de mercado dinâmica.

A partir de Deng Xiaoping empresas capitalistas de todo o mundo passaram a atuar na China, como empresas chinesas, seguindo as regras do país. Ao mesmo tempo, a China inundava o mundo com produtos de preços baixos, praticamente estabelecendo um controle de inflação planetário.
Passou a marcar presença nos países com a venda de produtos e, a seguir, com a instalação de negócios. O seu Produto Interno Bruto (PIB) começou a figurar entre os maiores. Hoje, aos poucos, começa a aproximar-se do PIB dos EUA, o maior do mundo.
Num momento seguinte, principalmente com a visão do desenvolvimento científico de Hu Jintao e o atual pensamento de Xi Jinping, a China passa a exercer uma forte influência tecnológica e o domínio do processamento de terras raras e metais estratégicos, essenciais na transição energética e recuperação ambiental do planeta.
E como está a China hoje? E como estão as relações brasileiras com a China e como podemos evoluir estrategicamente com este país?
Tentaremos ampliar estes aspectos em artigo a seguir.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

