O ditado popular “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” se aplica muito bem à relação entre Brasil e Europa quando o assunto é agrotóxico: os pesticidas são produzidos por empresas europeias, mas são proibidos de serem usados no continente, então são vendidos para o Brasil e outros países em desenvolvimento.
Esse movimento cria o que especialistas chamam de “colonialismo molecular”, que não se limita a venda e ao uso de venenos: as transnacionais dos agrotóxicos estão cada vez mais presentes nas decisões políticas brasileiras e atuam para fortalecer a monocultura.
A conclusão foi apresentada no relatório “Comércio Tóxico –A ofensiva do lobby dos agrotóxicos da União Europeia no Brasil”, elaborado pelas pesquisadoras Larissa Bombardi e Audrey Changoe.
“É muito grave porque tem a ver com os destinos de um país. Não começa e não termina no Brasil e tem a ver com a inserção do Brasil na economia mundial. Obviamente que essas empresas não atuam sozinhas. Isso é bastante orquestrado também com governos locais, não só no Brasil como em outros países”, disse Larissa, em entrevista à edição de hoje (03) do Programa Bem Viver.
Volta das ocupações de terras
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) retomou as ocupações de terra após um hiato de dois anos de mobilizações, devido à pandemia de covid-19. Nos últimos meses, foram pelo menos 60 ações, incluindo 28 ocupações de áreas consideradas improdutivas.
Segundo o integrante da direção nacional do movimento, Alexandre Conceição, a decisão de paralisar as ocupações se deu por razões sanitárias e para fortalecer campanhas de solidariedade.
Nos últimos dois anos, o MST informou ter doado pelo menos 6 mil toneladas de alimentos e distribuído um milhão de marmitas de comida.
Também foram distribuídos cerca de 70 mil livros e montadas pelo menos 100 cozinhas comunitárias em diversas regiões do país.
Café orgânico
No sul de Minas Gerais, a produção de café orgânico vem ganhando cada vez mais espaço, muitas vezes a partir de ações individuais: na região, uma família estava acostumada a cultivar o grão utilizando agrotóxico, mas perceberam que esse modelo era inviável.
Foi aí que a família lembrou que a geração anterior nem sabia de agrotóxico e mesmo assim cultivada café. Esse foi o ponta pé para a migração ao orgânico, que significou aumento de produção.
Além disso, os produtores passaram a ter mais saúde, ao não manipularem venenos, e deixaram de entregar produtos contaminados à população.

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