Em local simbólico do Rio de Janeiro, no Cais do Valongo, que fica na região da Pequena África, acontece, entre os dias 3 e 5 de novembro o evento Reparar, Reconectar, Rematriar – Encontro Transterritorial Para Estratégias de Restituição, organizado pelo Juntes na Cultura, programa de cooperação franco-alemã realizado pelo Goethe-Institut Rio de Janeiro e pelo Consulado Geral da França no Rio de Janeiro.
A atividade, cuja produção e curadoria é do coletivo coletivo Guanabara Pyranga e Natália Grilo, conta com rodas de conversa, performances, oficinas e apresentações artísticas. Atividades, pesquisadores e especialistas de diversas regiões do mundo participam da programação.
A iniciativa visa incentivar o debate sobre restituição e memória, contribuindo para que a região portuária do Rio de Janeiro se consolide como um território de experimentação de práticas anticoloniais.
“A questão do território é fundamental e a gente chamar essas pesquisadoras, artistas e articuladoras de várias partes do mundo para esse território é bem essencial. A Pequena África é um lugar muito simbólico para toda a história do Brasil, porque lá se junta a questão violenta e a brutalidade, principalmente relacionada à escravidão, mas também a resistência do povo negro, do povo africano”, explica Isabel de Rose, do Goethe-Institut, ao Conversa Bem Viver.
Um dos eixos centrais do encontro é discutir e trocar experiências sobre como artefatos, levados em diversos momentos históricos para fora das suas comunidades e do país, podem ser “rematriados”.
“A mátria é diferente da pátria. A gente vê muito a utilização do termo da repatriação. No momento inicial, foi se travando esses debates em relação a esses artefatos, partes de corpos, cerâmica, e muitas coisas que estão em outros países. Havia essa coisa do retorno à pátria. Mas muitas vezes não era direcionado à comunidade à qual pertence. Quando a gente pensa na mátria, a gente pensa na mãe, no útero, na terra, algo muito mais na origem. Indo direto à comunidade”, afirma Renata Pinambá, jornalista, artista e uma das curadoras do evento.
Confira a entrevista completa:
Brasil de Fato – O evento acontece em um lugar simbólico, o Cais do Valongo, na Pequena África, no Rio de Janeiro, um espaço reconhecido pela Unesco como um dos maiores marcos da diáspora africana. Por que é importante realizar esse encontro nesse território?
Renata Tupinambá – É um território de muita memória, muita história e que atravessa muitas gerações. Eu estou fazendo a curadoria, por meio do Guanabara Pyranga, junto com Lucas Canavarro e Nana Orlandin.
Essa conexão e convite das instituições para realizar o evento se dá por esse interesse de entender as histórias e memórias, mas principalmente como têm sido as relações com o que alguns chamam de artefatos, mas que muitas vezes são partes de corpos, ossos, etc. Às vezes, o que alguns veem como vestimenta, como o manto Tupinambá, que retornou ao Rio, para nós, é um ancestral.
Existe dentro das culturas africanas, indígenas e das comunidades essa outra relação. Isabel também tem trazido muito esse debate. Isso se conecta também com as discussões que temos feito por aqui. É uma troca de experiências, tentando amadurecer também o olhar.
Tem muitos biógrafos que se dedicam a refazer essas histórias e, nesse processo, gostam de ir para os lugares, para os territórios por onde o personagem passou. É mais ou menos essa ideia que o evento também busca?
Isabel de Rose – Sim. A questão do território é essencial e a gente chamar essas pesquisadoras, artistas e articuladoras de várias partes do mundo para esse território, para a gente se encontrar, e o território também ser um protagonista do nosso encontro, é bem essencial.
Além disso, a Pequena África é um lugar muito simbólico para toda a história do Brasil, porque lá se junta a questão violenta e a brutalidade, principalmente relacionada à escravidão, mas também a resistência do povo negro, do povo africano.
Depois, quando se vai vendo vários níveis que historicamente estão misturados com isso ou até são anteriores, temos toda a história desse Brasil que é território indígena. Nessa localidade, tudo isso se junta. Também se junta o aterramento do Rio de Janeiro. Ali já foi água.
Muitos elementos tornam o lugar simbólico, porque, estando ali, a gente sente isso. Isso vai fazer parte das palavras que vão ser faladas e dos pensamentos que vão ser pensados e compartilhados.
O conceito “rematriar” está no centro da curadoria. Como vocês interpretam esse gesto de “rematriar”, no contexto das artes e das culturas afro-indígenas?
Renata Tupinambá – A mátria é diferente da pátria. A gente vê muito a utilização do termo da repatriação. No momento inicial, foi se travando esses debates em relação a esses artefatos, partes de corpos, cerâmica, e muitas coisas que estão em outros países. Essas coisas chegaram lá de muitas maneiras diferentes, em contextos coloniais, mas em outros contextos também. Havia muito essa coisa do retorno à pátria, à nação daqueles países. Mas muitas vezes não era direcionado à comunidade à qual pertence, de onde é a origem.
Quando a gente pensa na mátria, a gente pensa na mãe, no útero, na terra, algo muito mais na origem. Indo direto à comunidade, à origem. Essa discussão também é mais profunda, relacionada à própria terra e aos frutos desta terra. Está conectado totalmente aos povos de origem e apenas essas comunidades vão saber decidir e também compartilhar os saberes relacionados a tudo isso que foi tirado delas.
Não houve apenas roubos, mas, às vezes, também era dado de presente em algumas ocasiões. E as coisas foram parar em muitos lugares da Europa, de formas diferentes, não apenas dentro do processo colonial.
Para entender um pouco a rematriação e a reconexão, o que a programação do evento propõe? Como esses conceitos aparecem presentes na programação?
Isabel de Rose – Eu acho que é essencial entender que o nosso programa traz três verbos. Rematriar é verbo, é uma prática, não é somente um protocolo diplomático. E é sobre isso que a gente vai falar, por isso centralizamos tanto essa palavra dentro da programação.
E centralizamos com isso não os pesquisadores ou diretores de museus ou as grandes instituições, mas queremos justamente trazer para esse encontro todos esses saberes diferentes e localizá-los com a perspectiva indígena e afro-brasileira.
Os formatos que estamos propondo nesse encontro são de rodas de conversa. Não são palestras, com uma pessoa muito ilustre falando ali sozinha. O debate vai se dar justamente na conversa. As pessoas vão trazer as suas práticas, inclusive nas oficinas que teremos. O próprio público, que a gente entende muito mais como um participante, vai poder estar junto nessa reflexão, sendo ou não especialista na temática da restituição.
Também teremos especialistas no evento, mas todo mundo, de alguma forma, se relaciona com essa temática. No Brasil, todo mundo consegue se relacionar com essa perda ou com a questão sobre onde estão essas coisas e de que forma a gente gostaria de se relacionar de novo, se reconectar, com esses saberes.
A gente sente que esses saberes faltam depois em cultura, em políticas culturais. Como a gente pode ver no exemplo do manto Tupinambá, para além do deslocamento de um artefato, esse deslocamento traz um monte de outras discussões sobre território, sobre autodeterminação indígena. Esse sentido também está nessa palavra rematriar.
O que vocês esperam construir na relação com diferentes lugares, diferentes experiências e diferentes posições históricas? Qual deve ser o fruto desse intercâmbio?
Isabel de Rose – Isso é nossa contribuição como instituições que são de países outros que não do Brasil. Essa visão do exterior também é a nossa contribuição para esse diálogo aqui. Então, tanto o Goethe-Institut como o Departamento de Cultura do Consulado francês, estão trazendo convidados de outros países.
Inclusive a gente também tem o apoio do Consulado da Finlândia, que está trazendo uma museóloga de território indígena no Ártico finlandês. No caso da Finlândia, já temos um exemplo de um ato de rematriar. A coleção indígena do Museu Nacional em Helsinki voltou para o território indígena, também para o museu, mas que está na liderança do povo Sami.
Então, ali, a gente já tem exemplos concretos e é justamente esses exemplos e essa expertise que a gente quer colocar em intercâmbio.
Uma especialista francesa, Bénédicte Savoy, mora há muito tempo na Alemanha e a gente considera ela parte da cena alemã. Ela escreveu, junto com Felwine Sarr, um grande documento analisando todos os artefatos do continente africano em museus na França, na época, por indicação do presidente Macron.
Portanto, ela se tornou essa pessoa que é consultada, que traz essa perspectiva mais relacionada à Europa-África, mas que também é válida para a gente discutir o Brasil. Tem vários caminhos no Brasil. Não podemos desconsiderar o Atlântico Negro em toda essa discussão, tanto que, para além da curadoria do Guanabara Pyranga, a gente também tem a Natália Grilo, como a curadora negra, que traz também toda essa reflexão para dentro do encontro.
Como as performances, as oficinas e até a caminhada, previstas na programação, vão traduzir esse compromisso político da rematriação?
Renata Tupinambá – Estaremos dentro de um território que traz muitas memórias, seja embaixo da terra, seja no próprio prédio onde vão ocorrer as atividades. Tudo ali tem muitas memórias, mas é conectado à comunidade, principalmente à comunidade negra, que tem realizado muitas coisas na região da Pequena África. Tem também o importantíssimo Cemitério dos Pretos Novos.
Temos a oportunidade de mostrar às pessoas, de uma forma que elas sintam, porque é muito mais do que só falar. É para as pessoas se conectarem e sentirem, para entenderem, conhecerem e respeitarem.
As caminhadas também dão oportunidade de entender esse processo arquitetônico local, o que estava ali, o que deixou de estar ali e o que ainda está ali também. Tem sambaquis, tem sítios arqueológicos, tem muitas coisas, revelando a presença, tanto do europeu quanto da parte indígena. Antigamente, tinha água ali, antes do aterramento. Tinha uma presença maior das comunidades tradicionais, como os próprios caiçaras. Tinham pescadores e uma presença indígena, que foi se apagando dentro do cenário da própria cidade, com todo esse avanço das construções.
Então, são muitas histórias. Essa programação diversificada é muito importante para esses pontos de conexão com o público, onde ele possa, de fato, se conectar. Não queremos estabelecer no evento um diálogo no sentido universitário, mas queremos trazer vários saberes, de vários pontos de vista diferentes. E o cenário ajuda muito nessa conexão, provocando uma relação mais afetiva com esses saberes, memórias e histórias. É uma outra forma de entrar em contato com tudo isso, muito mais afetiva.
Como essa atividade pode inspirar políticas públicas ou novos modos de cooperação cultural entre os países em torno da rematriação?
Renata Tupinambá – A partir do momento em que todas essas pessoas vão estar compartilhando conosco todas essas experiências, cada um com o seu ponto de experiência com o tema, surge ali o entendimento de muitas coisas e até mesmo a possibilidade de repensar protocolos.
Por que não pensar em protocolos? Por que não criar? Por que não se inspirar? Acho que o evento tem muito esse tom de começar esse movimento de escuta. É como plantar uma semente com o objetivo de gerar uma consciência maior, um entendimento maior entre todas essas partes. Onde cada um ali traz um conhecimento e todos contribuem por meio dessa escuta.
Isabel de Rose – Nosso papel, como instituições estrangeiras, não é criar as políticas. Mas a gente contribui para que haja um conhecimento e, principalmente, um empoderamento de quem já está atuando para isso no território brasileiro. Ou seja, é pegar esses exemplos e se fortalecer com vozes que vêm de outros lugares e com práticas que já estão sendo executadas em outros lugares, para que também avance aqui no Brasil.
Como instituição alemã e também com o consulado francês, a gente já vem promovendo essa troca, de conseguir com que curadores, artistas, vão a museus na França e na Alemanha conhecer as coleções. Isso já é um ato que estamos praticando. Agora, é fazer esse encontro acontecer.
Como esse projeto pode influenciar também o futuro das relações entre Brasil, África, Europa, etc?
Isabel de Rose – Quando falamos de território, estamos apontando para o futuro. Estamos na fase pré-COP30, que pela primeira vez vai acontecer em território amazônico, território indígena, de comunidades tradicionais, de outras formas de conviver com a natureza.
Quando trazemos as discussões de restituição, reparação e reconexão, a questão da nossa ligação entre humanos e não humanos está muito dada nesse lugar. A gente acredita, inclusive, que tem uma corresponsabilidade por esse planeta. Precisamos refletir sobre que papel, nessa corresponsabilidade, cumprem os lugares originários e os lugares que mantêm e que guardam os artefatos, que podem ajudar a construir a justiça climática.
Como um lugar, um museu com os seus artefatos nas coleções, pode contribuir para o território que está ameaçado? De repente, aquela materialidade que está guardada naquele museu nem existe mais nesse território. Está extinto ou não é produzido mais.
Isso é um aspecto super importante do rematriar, como é muito pensado dentro das comunidades indígenas no Ártico. Ao trazer o artefato de volta para a comunidade, você reaprende na comunidade como é fazer esse artefato.
De fato, a gente tem no Sami, na Finlândia, esse exemplo de que se tinha perdido o jeito de fazer um certo chapéu, porque ele tinha sido proibido, mas as mulheres descobrem no museu, nos arquivos, esse chapéu e reaprendem a fazê-lo. Esse conhecimento retorna e elas usam hoje em dia de novo esse chapéu. Isso, inclusive, fortalece a posição da mulher dentro dessas comunidades.
Então, são muitas camadas que apontam para o futuro. A nova geração de mulheres indígenas Sami já está usando esse chapéu, já está fazendo o seu próprio chapéu. É uma retomada, uma reconexão e também a construção de uma outra relação com os museus e com esses arquivos.
Renata Tupinambá – Eu já vejo isso acontecendo na prática, desde que começou toda essa relação com o povo Tupinambá e o manto, com a reivindicação da comunidade, dos anciões Tupinambá de Olivença, e também com a chegada de uma pesquisa mais profunda sobre o manto, por meio da Célia Tupinambá. A Célia foi a segunda pessoa a tentar reconfecionar o manto. Ela tem feito mantos nessa perspectiva mais artística, mas também trazendo uma encantaria, trazendo um entendimento junto à sua comunidade em relação a como esse manto se reconecta à própria cultura.
É muito impressionante como a gente vê isso já acontecendo com outros povos também. Os povos do Rio Negro têm também visitado muitos museus na Europa, entrado em contato com coisas que já não se fazem mais dentro da comunidade. É um movimento de estar se reconectando.
Conversa Bem Viver

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.
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