Conversa Bem Viver

Futebol de cegos já alcançou glória, falta cair nas graças do povo, diz craque da seleção brasileira

Documentário 'Futebol de Cegos: o jogo mais difícil' acompanha a trajetória da seleção e de seus atletas

Seleção Brasileira de Futebol de Cegos é a que já conquistou mais medalhas de ouro de todo o mundo, sendo pentacampeã paralímpica e pentacampeã mundial
Seleção Brasileira de Futebol de Cegos é a que já conquistou mais medalhas de ouro de todo o mundo, sendo pentacampeã paralímpica e pentacampeã mundial | Crédito: ALE CABRAL/CPB

Ainda há quem não saiba, mas a Seleção Brasileira de Futebol de Cegos é a que mais conquistou medalhas de ouro de todo o mundo, sendo pentacampeã paralímpica e pentacampeã mundial. 

Foi para ajudar a dar mais visibilidade a essa modalidade, que o diretor e roteirista André Bushatsky lançou o documentário Futebol de Cegos: o jogo mais difícil, que acompanha a trajetória da seleção e de seus atletas. Muito mais que mostrá-los em campo, a produção apresenta os bastidores e o cotidiano dos medalhistas. 

Um dos jogadores que aparece no filme é Jeferson da Conceição, conhecido como Jefinho e considerado o melhor do mundo em 2010. No Conversa Bem Viver desta quinta-feira (27), ele e Bushatsky comentam sobre as glórias e os desafios enfrentados pela modalidade. 

“Esse filme é um retrato da nossa seleção, mas é para mostrar o profissionalismo dessa seleção, o treino dessa seleção. Por onde eles passam, tem fisiologista, tem ciência do esporte por trás, tem toda uma equipe técnica. Tem ouro que não acaba mais, tem prata, tem bronze, tem tudo, tem jogos, tem diversidade”, destaca o diretor do documentário, que está disponível no Sportv e na GloboPlay. 

“Nosso futebol é muito dinâmico. Quem não conhece pensa uma coisa, mas quando assiste fica surpreso. Os jogadores são rápidos, tem correria, tem a parte tática, tem ataque, tem defesa, tem tudo, tudo que o futebol proporciona, emoção, gol. Tudo o que uma pessoa pode esperar da experiência de assistir o futebol, o futebol de cegos entrega”, complementa Jefinho. 

Confira a entrevista completa:

Brasil de Fato – O que o documentário aborda?

André Bushatsky –  A construção começou há dois anos. Eu fui chamado para uma reunião com o Comitê Paralímpico e  tínhamos a ideia de fazer um documentário sobre esse esporte, onde todo mundo é torcedor e todo mundo é técnico.  Era a nossa seleção pentacampeã. Ficamos pensando o que poderíamos fazer, qual seria a melhor abordagem, o melhor estilo de documentário, considerando o guarda-chuva que o documentário pode ter de linguagens. 

Achamos que o melhor jeito era acompanhar a seleção, ou seja, onde eles fossem, estaríamos juntos. Foi aí que nasceu o Futebol de Cegos: o jogo mais difícil. Fomos para Inglaterra juntos, fomos para França juntos, fomos para o Chile juntos. Eu praticamente morei em João Pessoa com eles, que é onde fica a seleção permanente de futebol de cegos. Tudo isso, todas essas viagens, todos esses momentos, colocamos na tela.

Como é fazer parte da seleção com o maior número de medalhas de ouro do mundo e ver esse reconhecimento expresso no documentário?

Jefinho – O filme veio para mostrar como são os bastidores da nossa modalidade, porque as pessoas só assistem aos jogos. Hoje em dia tem uma cobertura muito maior do que tinha há 15 ou 20 anos atrás, quando eu cheguei na Seleção Brasileira. Hoje temos o apoio do SporTV, do Grupo Globo, para cobertura do Campeonato Brasileiro, do Mundial, da Paralimpíada, etc. Então, tem uma visibilidade muito maior.

Porém, as pessoas assistem apenas o campo e a bola. O documentário trouxe essa oportunidade de mostrar os bastidores, como são os treinamentos, parte física, fisiologia, treinamentos na praia, toda a rotina que temos como atletas e como pessoas também. Mostrou um pouco também do nosso dia a dia. Isso foi muito legal, mostrar às pessoas quem são os cidadãos que estão ali por trás dos atletas.

O intuito do documentário é colocar o futebol de cegos no verdadeiro patamar que ele merece?

André Bushatsky – Super.  Com certeza, esse filme é um retrato da nossa seleção, mas é para mostrar o profissionalismo dessa seleção, o treino dessa seleção. Por onde eles passam, tem fisiologista, tem ciência do esporte por trás, tem toda uma equipe técnica. Tem ouro que não acaba mais, tem prata, tem bronze, tem tudo, mas tem jogos, tem a diversidade. 

O que a gente precisa é botar isso na boca de todo mundo, para todo mundo falar dessa modalidade. Quando comecei a fazer o filme, eu ia falar para as pessoas que era sobre futebol de cegos, mas uns 50% não sabiam do que eu estava falando. Outros sabiam. Quem gosta de esporte já está mais propenso a saber e gostar dessa modalidade e das modalidades paralímpicas no geral. Mas, ao mesmo tempo, os outros 50% precisavam ser alcançados para saberem  que existe, que é uma possibilidade, que vai muito bem, que é uma potência nacional. É uma bandeira. O filme também é uma bandeira dessa modalidade.

Jefinho –  O que eu achei muito bom da ideia do documentário foi trazer esse dia a dia para as pessoas conhecerem mais a modalidade, terem mais contato com a gente, além do contato de campo e bola. Isso leva as pessoas a imergir mais, a procurarem saber mais, a procurarem a gente nas redes sociais, a seguir, acompanhar a modalidade,  acompanhar outros eventos, além de Paralimpíadas, que é o que mais tem visibilidade. 

Então, é uma chance que a gente teve de mostrar quem somos nós, quem é o Brasil, que é uma potência no futebol de cegos, pentacampeão paralímpico, além de outros títulos. Acredito que foi muito bem sucedida essa oportunidade de mostrar quem é o Brasil no futebol de cegos.

Qual é a sua trajetória no futebol, Jefinho?

Jefinho – Eu comecei na seleção em 2006, mas, antes, na minha primeira competição oficial, eu tinha 14 anos de idade. Comecei bem jovem mesmo,  mas já no meio dos adultos. Naquela época, não tinha o trabalho de base que hoje a Confederação faz. Hoje em dia, a seleção tem uma seleção Sub-15, tem uma seleção Sub-20 e a profissional. 

Na minha época, não tinha, e a gente ia direto para jogar contra os adultos e foi nesse sentido que eu comecei e logo cheguei à Seleção Brasileira em 2006. Participei da Copa do Mundo naquele ano, que foi em Buenos Aires. Por incrível que pareça, também perdemos aquela competição. Foi minha primeira competição e a gente perdeu a final para a Argentina. Em seguida, eu continuei sendo chamado. Participei de todas essas conquistas que a seleção tem e estou há quase 20 anos representando o Brasil, conquistando medalhas, títulos e vitórias mundo afora.

Nosso futebol é muito dinâmico. Quem não conhece pensa uma coisa, mas quando assiste muitas vezes fica surpreso, pela dinâmica que a gente tem. Os jogadores são rápidos, tem correria, tem a parte tática, tem ataque, tem defesa, tem tudo, tudo que o futebol proporciona, emoção, gol. Tudo o que uma pessoa pode esperar da experiência de assistir o futebol, o futebol de cegos entrega.

O Brasil é um fenômeno em várias modalidades paralímpicas. Quais fatores influenciam nisso?

André Bushatsky –   Eu tive a chance de fazer outros projetos junto com o Comitê Paralímpico Brasileiro, inclusive um que retrata o top five que fomos nas Paralimpíadas de 2024. Acompanhamos outros atletas, da natação, judô, atletismo, etc. Depois, o futebol virou um filme específico, porque não tinha como ser diferente, nesse país de torcedores e técnicos. 

Eu acho que o que influencia nesse fenômeno é a disciplina, é a forma que o comitê, no geral, tem de trazer e fazer novos talentos, desde as crianças, desde a base. Desde a base, a gente vai vendo crianças com um tipo de deficiência que eles trazem para ver qual  esporte mais se adequa. Se não der certo no esporte, tem uma parte que encaminha para outro tipo de trabalho. 

É um exercício de cidadania por si só. Eu acho que esse é um diferencial. Essa forma de agregar. Vira todo mundo uma grande família, uma vontade de fazer diferente e acaba trazendo treinos muito fortes, alto rendimento, um total abdicar de muitas coisas da vida comum para poder ganhar. 

Acho que essa mistura de talento, de saber captar desde a base, de querer fazer diferente, de mostrar um bom resultado, esse caldeirão de ideias, de possibilidades, transforma o Brasil nesse top five do mundo paralímpico.

Jefinho – O trabalho que o CPB faz realmente é impressionante. A questão do trabalho desde a base é essencial para que o Brasil possa ter alcançado esse nível de top cinco nas Paralimpíadas, mas também para se manter sempre na disputa. Porque você acaba revelando novos atletas em modalidades que o Brasil antes não tinha tanto destaque, acaba alcançando esse destaque. 

O trabalho feito pelo comitê, pelas confederações envolvidas também, passa pelos técnicos e pelos atletas, é uma comunidade mesmo, é um conjunto, onde todos unidos acabam trazendo esses grandes resultados.

A sede da seleção fica em João Pessoa. Como funciona a dinâmica?

Jefinho – João Pessoa é uma cidade maravilhosa. É uma cidade que vem crescendo e recebendo muitos turistas, muito boa de se morar.  Eu tenho essa experiência e gostei muito. Cheguei com o intuito de me adaptar, vim com minha esposa, e nos adaptamos muito rápido, porque é uma cidade muito receptiva, as pessoas são muito gente boa.

Também tivemos apoio do Centro de Referência do Comitê Paralímpico, que nos recebeu muito bem. Então, é um ambiente muito propício para que a gente tenha todas as condições de treinar, se dedicar ao futebol, já que somos profissionais e é isso que fazemos em nossas vidas. 

O ideal é ter um ambiente o melhor possível para que possamos nos desenvolver nos treinos para chegar nas competições com a nossa melhor forma e João Pessoa proporciona tudo isso.

André Bushatsky – Eu adorei ir para João Pessoa. Eu não conhecia João Pessoa, mas acho que no ano passado devo ter ido umas 10 vezes para lá para filmar.  Como é muito quente o clima, o pessoal acorda muito cedo lá, 5 horas da manhã. Eu abria a janela e o pessoal já estava correndo na frente do hotel. É tudo muito cedo e tudo também acaba mais cedo, porque todo mundo acorda cedo. A comida é muito boa, tem água de coco, carne de sol, é tudo uma beleza. Foi uma experiência muito legal, muito agradável frequentar João Pessoa. Eu tenho saudades agora.

Quais medidas precisamos reivindicar e o que podemos fazer para que o futebol de cegos e as modalidades paralímpicas ganhem mais respeito e visibilidade?

André Bushatsky –  Eu acho que temos que ter mais divulgação, não só do documentário, mas que mostre mais, mais espaço para falar sobre modalidades paralímpicas, sobre o futebol, que tenha mais transmissões, tenha chamadas dizendo que existe o esporte e incentivando as competições. Está cheio de competição, nacional, internacional, e temos que mostrar e trazer isso para o coração das pessoas, para falar: “é um esporte super legal, tem tudo o que o futebol tem e vale a pena acompanhar, vale a pena torcer”.

Jefinho – Eu acho que esse caminho está sendo percorrido aos poucos. Comparado à época que eu comecei, hoje a nossa visibilidade é muito maior. Houve essa abertura, as pessoas conhecem mais. E é essa visibilidade que traz o conhecimento das pessoas. 

Já tivemos jogos transmitidos ao vivo em TV aberta, no SporTV também. Cada vez que há uma transmissão de um jogo da seleção brasileira e de clubes, as pessoas veem, chegam e perguntam como é a modalidade, aparece o interesse. 

Antigamente, eu perguntava às pessoas se elas conheciam o futebol de cegos, de 10, apenas  duas ou três conheciam. Hoje, já houve um aumento dessa base. Hoje, cinco ou seis já conhecem. Então, por meio dessa visibilidade que a TV, principalmente, traz e com o apoio da internet, das redes sociais, isso fica mais fácil. Acredito que estamos no caminho certo. Agora temos esse documentário que, com certeza, vai trazer mais conhecimento às pessoas e, aos poucos, passo a passo, vamos chegar no nosso objetivo, que é todo mundo conhecer, acompanhar e torcer por nós.

Quais são os próximos passos da seleção?

Jefinho – Continuar firme e forte nos treinos, visando o próximo ano. 2025 acabou, mas 2026 está logo aí. Estamos no ciclo paralímpico rumo a Los Angeles, em 2028, mas, até lá, temos muitos desafios ainda. Temos Copa América, Mundial, Pan Americano, muita competição. 

Então, eu peço a todos que acompanhem o documentário. Está muito legal, vocês vão conhecer mais a modalidade e, a partir do momento que vocês nos virem na TV jogando a partida representando o Brasil, vocês vão torcer ainda mais por nós. Espero que seja um ciclo vitorioso, com muitas conquistas e que combine com a medalha de ouro em Los Angeles. 

Conversa Bem Viver

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.

O programa de rádio Bem Viver vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 7h, na Rádio Brasil de Fato. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo. A versão em vídeo é semanal e vai ao ar aos sábados a partir das 13h30 no YouTube do Brasil de Fato e TVs retransmissoras.

Assim como os demais conteúdos, o Brasil de Fato disponibiliza o programa Bem Viver de forma gratuita para rádios comunitárias, rádios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conteúdo. Para ser incluído na nossa lista de distribuição, entre em contato por meio do formulário.

Editado por: Nathallia Fonseca

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