Entre os dias 26 a 28 de março, o grupo Fat Family apresenta a turnê Fat Family Baile Charme no Sesc Avenida Paulista, em São Paulo (SP).
O grupo, com nova formação, que conta com Suzete Cipriano, Kátia Cipriano e Simone Cipriano, revisita seus clássicos da música black em formato mais dançante para levar a cultura do Baile Charme das ruas para o palco. O setlist conta ainda com o novo single “Não Para de Dançar”, com participação de Mr. Dan.
“Trouxemos a valorização [do Baile Charme], porque isso é o Fat Family validando o Baile Charme, que a gente sempre gostou e sempre curtiu. É a nossa banda e o DJ junto no palco”, conta Suzete, em entrevista ao programa Conversa Bem Viver.
Durante a conversa, as integrantes do Fat Family falaram sobre mudanças no estilo de vida. Kátia relatou que foi em uma viagem ao Japão que elas se deram conta de que precisavam mudar hábitos relacionados à alimentação e ao exercício físico. “Eu cheguei a 170 kg, então não é simplesmente uma dieta maluca e ficar sem comer que resolve, nosso caso era extremo mesmo, foi indicação médica”, disse.
Elas também afirmaram que o surgimento do grupo, há 30 anos atrás, mudou a forma de mulheres negras e gordas perceberem seus próprios corpos. “A gente abriu um leque de possibilidades de pessoas se aceitando como gordas, como pretas. Nós mexemos muito com a autoestima da mulher. Porque a mulher antes de Fat Family vivia de um jeito. Depois de Fat Family, a mulher preta e gorda viveu de outro jeito”, disse Suzete.
Ao ser perguntada sobre o período hiato do grupo, Simone citou emocionada a morte de Deise Cipriano, que faleceu vítima de câncer. “Quando a gente perdeu a Deise, que era a voz principal, a gente não tinha forças para nada”, disse ela.
Brasil de Fato: Vocês podem dizer o que pensaram para essa nova turnê, qual é a importância de trazer o Baile Charme logo no título do show?
Suzete: A gente está trazendo o que vivia num quintal de casa. Muita música, passinho, todo mundo dançando junto, inclusive até hoje as reuniões lá em casa, na minha mãe, a gente sempre se reúne e um puxa um passinho, aí vai todo mundo.
E a gente caprichou muito no repertório trazendo o melhor da atualidade do Baile Charme, incluindo as nossas músicas, releituras que colocamos um ritmo Charme que não dá para ninguém ficar parado. Nessa turnê você dança do começo ao fim. Foi a turnê mais dançante dentro dos projetos que nós estamos fazendo como trio.
A gente pensou em cada música, em trazer realmente o que o pessoal está dançando nas ruas, dançando nos bailes e colocar no palco.
A gente está dançando, a gente se preparou muito, cuidamos do corpo, da saúde, fizemos e estamos fazendo academia, cuidando da saúde. Chegamos numa idade onde é mais difícil perder peso, equilibrar as vitaminas do corpo, então a gente está tendo toda essa atenção, para a gente poder ir para a estrada com saúde e qualidade de vida.
Há um discurso muito invasivo da estética perfeita, do corpo escultural, da magreza absurda. Diante disso, como vocês lidam com esse tema para ter um diálogo com o público, mostrando a importância de cuidar da saúde e ao mesmo tempo sem deixar esse discurso ofensivo tomar conta da saúde mental?
Suzete: As pessoas sempre atrelam perder peso com estética e não tem nada a ver.
Nós, enquanto grupo, surgimos em uma época onde o padrão de beleza estava determinado pela sociedade. E nós chegamos fora do padrão, chamando a atenção, principalmente pelo peso, pelos corpos. A gente abriu um leque de possibilidades de pessoas se aceitando como gordas, como pretas, a gente abriu um leque de mulheres se aceitando. Nós mexemos muito com a autoestima da mulher. Porque a mulher antes de de Fat Family vivia de um jeito, mas depois de Fat Family, a mulher preta e gorda viveu de outro jeito.
Não é que a gente defendia a gordura, a gente defendia a aceitação. Conforme o tempo isso foi nos prejudicando. Nós fizemos bariátrica há mais de 20 anos atrás, porque o corpo exigiu isso.
As mulheres começam a ter a gente como referência. E cabe a nós levarmos a importância da aceitação, não pelo corpo perfeito, como ditam, mas a aceitação da saúde, mesmo que tenha umas curvas, mesmo que tenha um pneuzinho ou outro, desde que esteja saudável.
E o que traz saúde? É uma alimentação saudável e academia. Não adianta a gente se encher de coisas que as pessoas tomam, nunca vai substituir uma alimentação saudável, nunca vai substituir uma fruta, nunca vai substituir um legume. O que o corpo precisa, a gente repõe dentro de uma alimentação saudável. É o que a gente busca. Por mais que seja difícil para a mulher 40+, a gente tenta sempre trazer isso para nossa narrativa hoje. De ter uma nutricionista, alguém especializado, você cuidando da saúde, os outros pontos, por exemplo, a saúde mental, vem naturalmente. O psicológico está ligado a tudo. Quando você cuida da sua saúde, vem a autoestima, tudo vai fluindo.
E vocês tiveram que lidar com muito preconceito? Como foi esse processo?
Kátia: Preconceito sempre teve e sempre vai existir. A gente tomou essa atenção com a nossa saúde quando a gente fez uma viagem pro Japão. Muito tempo de viagem. A gente sofreu bastante, chegamos com a perna inchada, foi terrível. Então, a gente teve um alerta assim: “Nós precisamos cuidar da saúde”. E não foi por estética. A gente tem histórico na família, meu pai teve problema no coração e ele sempre foi atleta.
A gente decidiu fazer a redução do estômago. E tem todo um cuidado, acompanhamento psicológico para ver se você está preparado. Teve uma equipe multidisciplinar para ver se tinha condições de fazer a cirurgia.
Eu cheguei a 170 kg, então não é simplesmente uma dieta maluca e ficar sem comer que resolve, nosso caso era extremo mesmo, foi indicação médica.
A gente até dá o conselho para as pessoas se voltarem mais para saúde e para alimentação. Porque os ultraprocessados, comidas rápidas, realmente acaba sendo mais rápido, então tem que ter mais essa atenção.
O Fat Family teve um tempo afastado dos palcos, né? Qual foi a importância desse período de pausa?
Suzete: Tiveram vários momentos, em 30 anos, e cada um deles tinha um motivo.
Simone: Desse último [período] a gente não ia cantar mais, foi quando a gente perdeu a Deise, que era a voz principal. A gente não tinha forças pra nada. E quando fomos voltar, o nosso irmão decidiu se desligar do grupo, fez uma carta para nós, dizendo que ele ia para os Estados Unidos, para Orlando, cuidar da família.
Foi por causa do luto, cada um leva o luto de uma maneira diferente, entende de uma maneira, para muito não passa, aprendem a conviver, a hora que quer chorar, chora, a hora que quer rir, ri.
Foi muito difícil. Eu gosto de falar as coisas bem do fundo do meu coração mesmo, que eu sofri bastante. Muitas pessoas sabem que eu morava com ela, saía com ela. No hospital fiquei 5 meses com ela, não deixava ir embora. O dia que eu fui embora, ela mandou voltar. Eu lembro que a gente correu tanto para achar rapadura, que ela tava com vontade. Mas não foi fácil se desligar. A gente sabe que o dono da vida e da morte é Deus. O tempo é dele, a gente não entende muitas vezes, mas ele está agindo.
Eu morria de vergonha de cantar. E ela sempre falava: “Simone, abre a boca e canta”. Eu tinha até medo de abrir a boca e cantar, não foi algo que eu sonhei, que eu almejei, que eu esperei. E ela cantou a vida inteira, ela e mais os meus outros irmãos, a Celinha, o Celinho, a Sueli, o Sidney, cantaram em barzinhos.
Nossos pais sempre deram maior força, mesmo sabendo das nossas limitações. E os fãs também que nunca largaram nossa mão, graças a Deus, sempre estão com a gente. Eu fico um pouco emocionada e sempre vou ficar emocionada com esse assunto.
Sobre o movimento de resistência que é o Baile Charme, vocês têm sentido uma aceitação maior da opinião pública em relação ao início da década de 90?
Suzete: Na verdade, não só o Fat Family, com o nosso estilo musical; é difícil permanecer.
As pessoas começam a ver por onde o bonde está andando e vão mudando. É pisadinha que está dando dinheiro? Elas vão para esse caminho. Virou agora funk? Vamos fazer um funk. E a gente permaneceu, manteve defendendo o nosso estilo e o nosso ritmo. Porque a gente sabe que tem lugar para todo mundo, todo mundo tem seu espaço.
A gente manteve porque nosso público está aguardando com expectativa o que a gente vai trazer. Nós acabamos de lançar uma música com o Mr. Dan. E Mr. Dan conseguiu, junto com a gente, trazer o que é realmente o Fat Family. E essa turnê também foi feita dentro daquilo que é o Fat Family.
E a galera que faz esses bailes abraçou a gente, porque a gente veio para somar. Esses bailes nunca morreram. Eles estão nas comunidades, estão não só na periferia, estão em bairros nobres, porque o pessoal não parou.
Trouxemos a valorização [do Baile Charme], porque isso é o Fat Family validando o Baile Charme, que a gente sempre gostou e sempre curtiu. É a nossa banda e o DJ junto no palco. Assim como muitas pessoas validaram o Fat Family como um grupo vocal. O único no Brasil que tem 30 anos, só irmãos, nós somos um grupo inédito. Então hoje nós estamos validando a galera do Charme que está nas pistas.
Serviço
Data: 26/, 27 e 28 de março
Horário: Quinta a sábado, às 19h30
Ingressos: Nas bilheteria e no portal do Sesc
Local: Sesc Avenida Paulista – Av. Paulista, 119 – Bela Vista, São Paulo – SP
Conversa Bem Viver

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.
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