Dia do livro

‘Cassandra Rios construiu o direito de mulheres escreverem sobre sexualidade’, diz Amara Moira

Pesquisadora destaca vanguardismo da autora em dar protagonismo à comunidade LGBT nas décadas de 1940 e 1950

Cassandra Rios, escritora censurada e amaldiçoada
Cassandra Rios, escritora censurada e amaldiçoada | Crédito: Acervo BDB

No Dia Mundial do Livro, celebrado nesta quinta-feira (23), o programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, homenageou a escritora Cassandra Rios com a participação de Amara Moira, professora de literatura e doutora em letras pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Cassandra foi precursora ao incluir personagens lésbicas, gays, bissexuais e transgênero em suas obras. Muitos de seus livros foram censurados durante a ditadura civil-militar no Brasil, e até hoje não se sabe ao certo quantos títulos ela publicou.

Para Moira, Cassandra segue sendo uma autora censurada e esquecida. “Ela vendeu muito, foi muito conhecida e, hoje em dia, apesar de ter sido esse ícone, foi um pouco esquecida. Esforços de trazê-la à tona esbarram num moralismo que segue vigente. Há 70 anos ela escrevia e chocava pessoas, e suas obras seguem chocando ainda hoje.”

Moira, autora de livros como “E se eu fosse puta” (Hoo, 2016) e “Neca: romance em bajubá” (Companhia das Letras, 2024), destaca que Cassandra foi pioneira em escrever de forma explícita sobre sexualidade em suas mais variadas versões.

“Cassandra se permitiu escrever como homens já podiam. Pagou um preço muito alto por isso, mas começou a construir um direito de mulheres escreverem sobre sexualidade de forma direta, sem pejo, sem escolher palavras. É uma coisa para não se perder de vista.”

Moira, que é ativista pelos direitos das pessoas trans, também aponta que Cassandra foi, muito provavelmente, a primeira autora a se referir a uma mulher trans no feminino dentro da literatura brasileira.

“Em ‘Uma mulher diferente’ (Terra, 1968), há uma questão ainda mais subversiva: é, provavelmente, uma das primeiras vezes na literatura brasileira em que uma mulher trans foi tratada no feminino pela ficção. Até então era ‘o travesti’, sempre no masculino.”

Leia a entrevista completa:

Brasil de Fato: Para prestarmos uma homenagem à escritora Cassandra Rios, recebemos hoje no Conversa Bem Viver a professora de literatura, doutora em Letras pela Unicamp e autora de livros como “Neca: romance em bajubá”, a também escritora Amara Moira.

Amara Moira: Cassandra Rios é uma figura muito importante na minha vida. Me sinto como se fosse uma herdeira das provocações e das doidices que ela aprontou na literatura. E vai ser muito bom a gente poder falar, no Dia do Livro, homenageando essa figura que é tão citada e ao mesmo tempo tão maldita e amaldiçoada pelo que escreveu.

Ela vendeu muito, foi muito conhecida, e hoje em dia, apesar de ter sido esse ícone, foi um pouco esquecida também. Esforços de trazê-la à tona esbarram num moralismo que segue vigente. Há 70 anos ela estava escrevendo e chocando pessoas, e suas obras seguem chocando pessoas ainda hoje. 

Então quero que você conte a sua relação com Cassandra, quando foi a primeira vez que você teve contato com a obra dela. E aproveita para nos contar se, por acaso, você teve a oportunidade de conhecê-la pessoalmente.

Quando ela morreu eu tinha 17 anos e acho que nunca tinha vindo para São Paulo. Hoje eu moro em São Paulo, mas sou de Campinas, sou do interior, e não fazia ideia de quem ela era. Ao mesmo tempo, eu era vizinha de uma figura que também tem uma relação direta com a Cassandra — não que elas fossem amigas ou se conhecessem, mas as duas são autoras malditas da literatura que nasceram mais ou menos no mesmo período e morreram mais ou menos no mesmo período: a Hilda Hilst. Não era exatamente vizinha, tinha que caminhar uns três ou quatro quilômetros, mas era perto, numa zona rural de Campinas.

A Cassandra eu demorei mais uns 15 anos para conhecer. Foi um pouco antes da pandemia que li as primeiras obras dela, depois da minha transição. Faço a transição em 2014, começo também a pensar a literatura de uma maneira mais atrelada com movimentos sociais e reivindicações políticas, e a Cassandra acaba caindo no meu colo por ser uma das pioneiras da literatura LGBT brasileira — uma autora lésbica que falou de LGBTs ao longo de todas as suas obras.

Comecei a buscar os livros e descobri que são dificílimos de encontrar e caros. Hoje fiz um levantamento de todas as obras que consegui identificar que de fato têm o nome dela na capa e foram publicadas: são quase 50. Tenho todos, exceto os que ela publicou com pseudônimo masculino. Desses, só tenho um, Oliver Rivers. Os que ela publicou como Cassandra Rios e estão registrados eu consegui encontrar, mas vez ou outra aparece um outro com o nome dela como autora que não está registrado em lugar nenhum. Não sei se é uma publicação clandestina, é uma incógnita. Uma autora desse porte e até hoje não se sabe direito quantas obras ela escreveu.

Não existe um lugar que tenha a íntegra da sua produção para a gente poder consultar, estudar e analisar. Uma figura que morreu há pouco mais de 20 anos e já não se tem o material que ela publicou em vida.

Quero falar de como ela foi perseguida, escanteada e até esquecida. Enfatizo que é muito revelador o fato de o livro que ela escreveu com o pseudônimo Oliver Rivers ser um dos que não foram censurados. Pensando nisso, podemos considerá-la a escritora mais perseguida do Brasil, ou pelo menos durante a ditadura?

Eu não diria que ela foi censurada — diria que ela segue sendo censurada. E ela se torna uma figura tão importante para mim porque consegue incomodar os conservadores, isso porque traz uma obra escancaradamente sexual e desviante desde os seus primeiros livros. Incomoda os acadêmicos porque escreve de um jeito um tanto desleixado — isso é uma coisa importante de se notar. Às vezes as obras dela são sofridas; faltou alguém para fazer uma revisão de texto e parece que ela escrevia e publicava. Mas não era assim naquela época: havia um esquema, uma forma de publicar um livro muito diferente de hoje. Não é como publicar um post numa rede social ou lançar um e-book no Kindle. Me espanta um pouco a falta de cuidado editorial. Ou ela própria não deixava ninguém tocar no que escrevia.

E ela incomoda também os movimentos sociais, sobretudo o movimento LGBT e o feminista, porque nunca escolhe histórias fáceis de contar. São as piores atrocidades, colocando figuras LGBTs e mulheres como personagens atrozes.

No seu livro mais conhecido, “Eu Sou Uma Lésbica”, de 1980, que saiu em folhetim numa revista pornográfica chamada Status e depois foi transformado em livro, conta-se a história de Flávia — que parece uma autobiografia, mas é a Flávia contando a própria história. Ela vai dizer que desde os 8 anos de idade já se entende como lésbica, porque seduziu a vizinha da frente, uma mulher casada e mais velha, e viveu uma relação com ela.

Essa história que Cassandra resolve contar num momento de emergência da luta LGBT, e escolhe contar a história de uma criança que seduz uma adulta e vai viver uma relação amorosa com ela. Mas, ao mesmo tempo, são histórias possíveis. Não é que a Cassandra esteja dizendo: “Isso é o mundo ideal.” É uma história: a literatura trabalha com esse campo do imaginário. Tem um monte de série com criança endemoniada, criança que faz uma chacina, mata, e a gente não se escandaliza com isso porque entende que é imaginação. Mas quando se fala de LGBTs parece que é preciso colocar figuras bonitinhas, senão vai alimentar um ódio que já existe contra nós.

E a Cassandra vai na contramão e fala: “Eu não abro mão de contar as histórias que eu quiser contar, por mais atrozes que elas sejam. Eu reivindico uma liberdade irrestrita para o meu ofício de escritora, e vocês que lidem com o que eu for publicando.”

Para mim, a Cassandra encarna a ideia de livros perigosos. Em tempos de livros insossos, sem gosto, que não fedem nem cheiram, que não causam nenhum tipo de desassossego, Cassandra Rios revigoriza essa ideia de literatura que de fato ameaça uma dada ordem social — uma ordem que não nos interessa, que nos subjuga, que nos explora, que nos violenta. A gente precisa de literatura afiada, literatura de guerra, literatura subversiva como a que Cassandra produziu. Uma literatura que nos provoca.

Ela sempre priorizou uma escrita popular que pudesse atender aos anseios de qualquer pessoa, para que qualquer um pudesse pegar o livro e entrar na história. Esse é um ponto interessante também.

Sim. Eu gostaria que ela tivesse dado um pouco mais de cuidado ao objeto final, o livro que ela escreveu. Não que ela precisasse escrever de forma mais rebuscada. O texto dela, às vezes, é um tanto repetitivo, tem umas frases desconexas. São questões de organização textual mesmo.

Mas, em defesa da Cassandra: apesar de escrever assim, ela tinha uma intuição profunda, muito sofisticada, e consegue trazer para as obras dela coisas que não estavam no radar da academia e que demoraram muito tempo para que ela e os movimentos sociais dessem conta.

Desde o primeiro romance, “A Volúpia do Pecado”, ela tem protagonistas LGBTs nas suas obras, com um casal de lésbicas e sexo descrito de forma bem direta. É muito interessante poder ver protagonistas LGBTs em obras literárias.

A Cassandra vai escrever provavelmente os dois primeiros romances com protagonistas trans no Brasil: “Georgette”, em 1961 (ela fala que publicou em 1956; 1961 é a data do meu exemplar, que traz escrito “primeira edição”), e “Uma Mulher Diferente”, de 1968 (ela fala também que saiu em 1965 — ela sempre antecipa as datas em seu texto autobiográfico; não sei se é a data em que ela terminou de escrever, mas o livro sai de fato numa data posterior, sem que ela explique muito bem).

Em “Uma Mulher Diferente” há ainda uma outra questão ainda mais subversiva: é provavelmente uma das primeiras vezes na literatura brasileira em que uma mulher trans foi tratada no feminino pela ficção. Até então era “o travesti”, sempre no masculino.

No começo do livro é um feminino entre aspas, mas o narrador se encanta com a narrativa dessa figura e começa a tratá-la no feminino sem qualquer aspas. É muito interessante esse recurso — uma mudança de perspectiva.

Uma década depois, o Chico Buarque lançaria “Ópera do Malandro” com “Geni e o Zepelim”. Muitas vezes as pessoas acham que Geni era uma mulher cis, porque ele a trata no feminino, mas é uma travesti também. As pessoas confundem porque é meio inesperado que se refira a uma travesti no feminino de forma tão contundente como Chico Buarque vai fazer dez anos depois da Cassandra.

Estava começando a existir uma comunidade trans e travesti no Brasil nos anos 1950, e em paralelo a isso ela já estava publicando obras, refletindo sobre transformações corporais, falando de hormônios, falando sobre como essas novas figuras estavam conseguindo adquirir corpos considerados femininos, dos desejos e do imaginário dessas figuras. E a intuição da Cassandra é tão fabulosa que até hoje essas obras dialogam muito com a comunidade trans — não foram escritas por pessoas trans, mas até hoje falam de desejos muito vivos nessa comunidade.

Trazendo agora outro tema: vi que seu nome, Amara Moira, é inspirado na “Odisseia” de Homero. Vi também que Cassandra Rios é uma homenagem a uma sacerdotisa grega. É coincidência essa questão da mitologia grega?

Eu acho que conheci a Cassandra quando a Devassa publicou “Eu Sou Uma Lésbica” numa coleçãozinha de pocket books — esse livro que escandalizou a todos, e a Cassandra já havia morrido.

Trabalhei no Museu da Diversidade e lá eu tinha um clube do livro. Propus que algumas obras da Cassandra fossem lidas, porque eu queria que ela deixasse de ser uma figura que a gente só cita e não lê.

De qualquer forma, acho que o meu nome e o dela têm coisas em comum. O meu nome fala do Odisseu tentando voltar para casa, e “Mara Moira” é o destino amargo. Eu gosto desse amargor, porque não é necessariamente um gosto ruim. É um gosto incompreendido. E nesses tempos de indústria alimentícia que adoça tudo e nos acostuma com cada vez mais porcaria, reivindicar o sabor amargo e a importância do amargor é importante para a gente não perder o paladar.

E a Cassandra tem essa coisa da maldição, essa figura que vê as coisas, mas que ninguém acredita no que está falando. Então ela foi amaldiçoada nesse sentido. As obras da Cassandra têm um pouco desse funcionamento: ela nos joga na cara certas coisas, e a gente finge que não está vendo, finge que não está entendendo, finge que ela é louca, finge que ela é uma figura completamente despirocada, para não prestar atenção no quanto ela nos revela de nós mesmos.

E se você me permite, eu queria falar uma última coisa sobre a Cassandra, que é o que tenho pensado ser talvez a sua grande contribuição para a literatura brasileira: o direito de mulheres escreverem putaria. Os homens sempre puderam escrever putaria.

Antes de Cassandra Rios, eu não consigo pensar em nenhuma autora que se permitiu esse nível de explicitude na discussão da sexualidade humana, nas suas mais variadas versões.

Então a Cassandra se permitiu escrever como os homens já podiam escrever, pagou um preço muito alto por isso, mas começou a construir um direito de mulheres escreverem sobre sexualidade de forma direta, sem pejo, sem escolher as palavras. É uma coisa para não se perder de vista.

Até então, quando as mulheres iam escrever sobre sexualidade, era aquela coisa muito mais delicada, pudica, comportada: levantar um pouco a saia, mostrar o tornozelo, e isso já era suficiente para elas serem chamadas de putas.

A Cassandra vai colocar os órgãos genitais, vai colocar gente se refestelando nessa festa que é o corpo, o prazer e o deleite. Então vale muito a pena reivindicá-la por isso também.

Ela pode não ter sido Machado de Assis na construção das suas frases, o cuidado com a escrita foi um tanto desleixado, mas ela tem uma intuição, uma capacidade de fazer coisas que vão seguir aterrorizando e perturbando a nossa sociedade por muito tempo.

Conversa Bem Viver

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.

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Editado por: Thaís Ferraz

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