Copa e nostalgia

‘Ferida da ditadura não está cicatrizada’, diz Gui Ferraz, intérprete de Jairzinho na nova série ‘Brasil 70’

Produção remonta a conquista do tricampeonato brasileiro na Copa; ator comenta também protagonismo negro na TV

Ator Gui Ferraz como Jairzinho, jogador da Copa de 1970
Ator Gui Ferraz como Jairzinho, jogador da Copa de 1970 | Crédito: Reprodução/Instagram

A Copa do Mundo de futebol masculino entrou na fase do mata-mata nesta semana. O futebol ganha assim, a cada dia, mais importância na vida dos brasileiros, que vão acompanhar a seleção canarinho enfrentar a Noruega no próximo domingo (5), a partir das 17 horas.

Neste clima de Copa e combinando com nostalgia, a minissérie “Brasil 70: A Saga do Tri”, lançada pela Netflix, ganhou popularidade. Sem deixar de trazer aspectos importantes da política brasileira da época — já que o Brasil se encontrava em plena ditadura civil-militar — a produção dramatiza os bastidores da seleção que conquistou o tricampeonato para o Brasil.

Gui Ferraz, ator que interpreta o jogador Jairzinho, relata que, antes das gravações, não tinha se dado conta da importância deste trabalho. “Quando a gente começou a filmar, eu realmente consegui perceber a grandiosidade do que a gente estava fazendo e fui me sentindo muito privilegiado, porque eu sempre acompanhei futebol, eu gosto muito de futebol, de jogar. Eu sabia que era uma das maiores seleções de todos os tempos, mas eu não conhecia a fundo toda a história.”

Uma das passagens encenadas na produção é a demissão de João Saldanha do cargo de técnico da seleção brasileira, feita pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) a pedido de Emílio Garrastazu Médici, presidente do país em meio à ditadura.

Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, o ator explica a importância de contar essa história: “É uma ferida que não está cicatrizada ainda na história do brasileiro. É uma questão muito latente, e isso eu consegui ver mais profundamente quando eu fiz também o Marighella’, que falava exatamente sobre essa época.”

Gui conta que, muito jovem, chegou a ser jogador de futebol federado e a representar times como Flamengo e Sport Club Mackenzie, mas nunca teve como perspectiva ser profissional. “Eu parei muito cedo. Com 11 anos, eu já desisti. Eu tinha talento para jogar futebol, mas eu não tinha vocação. Não gostava de treinar, de ficar fazendo os fundamentos, por mais que eu fizesse muito bem. Mas eu gostava do coletivo, da hora só do futebol. Acho que isso foi muito determinante para que eu não fosse jogador.”

Durante o papo, Gui ainda comentou seu mais recente trabalho na TV, como o Tiago de “Quem Ama Cuida”, novela do horário nobre da Globo. Ele vê com entusiasmo seu personagem fazer parte do núcleo central da trama. “Poder estar assumindo esse lugar, para mim, está sendo muito especial, e quero que eu faça mais coisas assim. Geralmente a história do homem negro ou da mulher negra é sempre uma sub-história; ela nunca é uma história principal e que tem um enredo grande.”

Conversa Bem Viver

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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