Bolsonaro e o vírus

‘Senti que o cinema podia dar voz ao povo’, afirma diretora de documentário sobre a CPI da Covid-19

Dandara Ferreira conta como o filme aborda a memória da crise sanitária e a responsabilização de quem cometeu crimes

Imagem do filme 'Anatomia do Caos', sobre CPI da Covid-19 no Senado
Imagem do filme ‘Anatomia do Caos’, sobre CPI da Covid-19 no Senado | Crédito: Divulgação

Estreia nesta quinta-feira (2), em circuito nacional, o documentário “Anatomia do Caos”. Dirigido por Dandara Ferreira e distribuído pela Descoloniza Filmes, o filme mostra os bastidores da CPI da Covid-19 no Senado brasileiro durante a emergência sanitária mundial.

Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, a diretora contou que a desoladora situação do país durante a pandemia motivou a realização do filme, impulsionando-a inclusive a assumir a função de cinegrafista, que ela nunca tinha exercido.

“Eu comecei a pensar em fazer algo, ainda quando o número de mortes só crescia. Eu senti que o cinema poderia dar voz ao povo brasileiro. Estávamos todos sendo violentados de uma maneira cruel e não podíamos aceitar a banalização nem naturalizar a crueldade. E meu instrumento naquele momento era uma câmera”, recorda.

Dandara define dois temas centrais abordados no documentário: “Uma, a primeira coisa, é sobre memória, mas também sobre justiça. A CPI teve uma importância: ela acelerou a vacinação, ela paralisou o sistema de corrupção que estava em curso. Essa história ainda não terminou.”

No aspecto da justiça, o filme aborda a responsabilização do então presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e das pessoas aliadas a ele naquele momento. 

“Se eu fosse juiz da Suprema Corte, eu puniria [Jair] Bolsonaro e seus colaboradores do gabinete paralelo, por esse crime monstruoso, com penas maiores do que aquelas com que ele está sendo punido agora pela tentativa de golpe“, enfatiza a diretora. “Esse filme é sobre a responsabilização do Bolsonaro durante a pandemia e sobre como foi viver naquele momento um governo negacionista.”

Dandara também dirigiu os filmes “Meu nome é Gal” (2023) e “Vou Tirar Você Desse Lugar” (2025), esse último sobre o cantor Odair José. Durante a entrevista, ela traça um paralelo entre essas produções e o filme que estreia hoje nos cinemas pelo Brasil. Para ela, mesmo que à primeira vista pareçam desconectados, ela acredita que os três se relacionam de alguma forma. “Tem uma coisa que une os três filmes; querendo ou não, eles trazem um pouco dessa questão política, que é um assunto que me interessa.”

Conversa Bem Viver

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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