Crise global

ONU está obsoleta diante do genocídio palestino, avalia analista política

Amanda Harumy aponta fragilidade do multilateralismo e fortalecimento da liderança de Lula no plano internacional

Assembleia Geral da ONU em Nova York
Assembleia Geral da ONU em Nova York | Crédito: ANGELA WEISS / AFP

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada na semana passada em Nova York, nos Estados Unidos, mostrou o isolamento internacional de Israel diante das denúncias de genocídio contra o povo palestino e os limites da própria instituição para impedir massacres. É o que avalia Amanda Harumy, analista política, em conversa no BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato.

“Dentro dessa perspectiva da defesa do povo palestino e do próprio reconhecimento de que é um genocídio, são muito importantes os posicionamentos dos países, lembrando que são países membros da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e também do G7, ou seja, importantes, e que têm cooperações inclusive com o Estado de Israel”, afirmou.

Para Harumy, no entanto, a repercussão diplomática não é suficiente. “De forma pragmática, qual o impacto isso vai ter em impedir o genocídio, em frear todo o massacre que ocorre em Gaza? Não conseguimos garantir que apenas o discurso dos presidentes vai ter peso. Essa é a inércia da ONU”, explicou.

Acordo unilateral de Trump

A analista também criticou o plano de cessar-fogo apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “São propostas para o Hamas abandonar as armas, deixar de existir, mas não garante nem o Estado palestino, nem o fim do conflito de fato, que é essa característica de ocupação territorial que tem a política de Israel. Então, é um acordo quase unilateral. E que, surpreendentemente, foi recebido quase que com unanimidade mundial”, avaliou.

Segundo Harumy, Trump usa a mediação como uma estratégia eleitoral. “Essa busca pelo Nobel da Paz, na verdade, é o personagem que ele cria como um salvador, um transformador da ordem mundial”, analisou.

Lula e a liderança internacional

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também foi destaque na abertura do evento internacional. Para Harumy, ele conseguiu projetar uma imagem de liderança global.

“Um discurso completo, que atendeu muitas pautas e conseguiu dar um posicionamento do Brasil perante o mundo. Ao mesmo tempo que colocou questões fundamentais, disse que é um genocídio na Palestina. Lula é muito popular, hoje os presidentes usam a foto com o Lula, a reunião com o Lula. Lula se mantém internacionalmente um líder”, comenta.

Ela destacou ainda a frase de Lula sobre o “fim da superioridade ética do Ocidente”. “Se, de forma prática, estamos vivendo mais uma vez o genocídio, é porque as Nações Unidas falharam. A ONU está obsoleta dentro da sua metodologia, da sua forma de se organizar, porque o mundo mudou”, conclui, ao interpretar o posicionamento brasileiro.

Para ouvir e assistir

BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 21h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato o programa é veiculado às 19h.

Editado por: Rafael Targino

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