Estreia em SP

‘Acho piada minha mais engraçada do que a de um conservador’, diz comediante Matheus Buente

Comediante celebra dez anos de carreira com solo “O problema é Theu”, com estreia nos dias 22 e 23 de novembro em SP

Vencedor do Prêmio Paulo Gustavo 2025, historiador usa stand-up para disputar narrativas políticas e defender educação pública com humor
Vencedor do Prêmio Paulo Gustavo 2025, historiador usa stand-up para disputar narrativas políticas e defender educação pública com humor | Crédito: Arquivo pessoal/Matheus Buente

O comediante e historiador baiano Matheus Buente está comemorando dez anos de carreira com o solo “O problema é Theu”, que chega a São Paulo nos dias 22 e 23 de novembro, no Clube Barbixas. Vencedor do Prêmio Paulo Gustavo 2025, ele explica ao BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, a sua aposta no humor como uma ferramenta de disputa política e narrativa em tempos de extremismo. “Eu acho que a comédia não vai trazer respostas, mas ela pode iniciar os debates de forma importante, inteligente e surpreendente”, afirma.

Em tempos de pós-verdade e avanço da extrema direita, Buente vê a comédia como uma ferramenta de disputa de narrativa com o espectro político financiado por think tanks, pelo agronegócio e por big techs. “Disputar narrativa na internet com a direita, não vamos conseguir nunca porque a direita tem dinheiro. Podemos disputar no talento”, aponta. “Modéstia à parte, eu acho uma piada minha muito mais engraçada do que de qualquer outro comediante conservador que exista”, provoca.

Buente critica o discurso do “politicamente incorreto” usado por parte da cena de stand-up no Brasil. “Todo mundo que usa o termo ‘politicamente correto’ está querendo se apoiar em uma muleta para falar besteira”, dispara. Para ele, piadas que reforçam machismo, racismo e LGBTfobia não desafiam a ordem. “Você vive em um país que é misógino, machista, homofóbico e racista; reforçar esses pontos coloca você no mesmo lugar, não coloca você brigando com nada”, avalia.

Ele lembra que o stand-up nasceu com uma vocação política. “O ‘stand-up’ do stand-up comedy é o de se levantar contra ou a favor de algo. É o comediante que sobe no palco para dar opinião, para defender um ponto, para contestar outro, para fazer uma denúncia… tudo isso de forma engraçada”, explica. Por isso, diz, é natural que sua comédia dialogue com movimentos sociais, sindicatos e a defesa da escola pública.

A experiência como professor de escola pública e privada em Salvador também molda o trabalho do comediante no palco. “Não existe plateia mais difícil do que 40 adolescentes”, brinca. “Professor que não tem linguagem acessível não é um bom professor porque sua profissão é basicamente explicar as coisas para os outros”, analisa. Segundo ele, essa didática o ajuda a transformar o show em um espaço de entendimento. “Muita gente me fala depois de assistir o show: ‘Pô, entendi, rapaz!’”

Para ele, um conteúdo bem feito, engraçado e politizado é o que permite “furar a bolha” e fazer o público sair do teatro “querendo conversar sobre o que viu”. “Essa é a maior propaganda que posso fazer do meu trabalho: é muito engraçado, mas você vai sair de lá com assunto para conversar com seus amigos”, conclui.

Para ouvir e assistir

BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 21h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato o programa é veiculado às 19h.

Editado por: Luís Indriunas

|

Newsletter