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Amazônia ainda paga por devastação do governo Bolsonaro: ‘Em 2019, 24 árvores foram cortadas por segundo’

Luciana Gatti explica como avanço do desmatamento na Amazônia alterou clima do Brasil como um todo

Governo Bolsonaro ficou marcado com aumento do desmatamento na região amazônica
Governo Bolsonaro ficou marcado com aumento do desmatamento na região amazônica | Crédito: Carl de Souza / AFP

Durante o governo de Jair Bolsonaro, a destruição da Amazônia bateu recorde. Mesmo com a queda do índice de desmatamento na gestão Lula 3, o bioma ainda sofre com os efeitos da devastação e afeta o clima de todo o país. É o alerta feito por Luciana Gatti, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em conversa com Raquel Setz no BdF Entrevista desta quarta-feira (3).

A especialista evidencia como o próprio desmatamento dentro da Amazônia provoca mais mudanças. “É muito simples quando a gente entende o papel de cada árvore no equilíbrio climático. A árvore atira do solo a água, que está no estado líquido, e joga na atmosfera na forma de vapor”, explica. “Quando a árvore está fazendo esse processo, precisa receber energia na faixa do calor. Então, está roubando calor naquela região onde ela está, resfriando a temperatura.” Gatti compara a derrubada de árvores com desligar “climatizadores, ou ar-condicionado, numa velocidade imensa.”

A cientista destaca que, enquanto eventos climáticos extremos aconteciam mundo afora, o Brasil estava, dentro do possível, bem. Mas o cenário começa a se alterar a partir de 2019, com a chegada da extrema direita ao poder. “A gente teve um governo tremendamente negacionista, um ministro que merecia mais o nome de ser um ministro do desmatamento do que um ministro do meio ambiente. Teve uma aceleração do desmatamento, não só na Amazônia, mas no Brasil inteiro. O Instituto Plana Mata calculou que no ano de 2019, 24 árvores foram cortadas por segundo”, critica.

“A gente viu uma aceleração dos eventos extremos em 2019. O número de mortes por evento extremo de chuva, que antes era em torno de 60, 70, pulou para 300. Até o final do governo Bolsonaro já estava em 500”, enumera. “A gente teve uma enorme aceleração dos eventos extremos do Brasil e uma grande mudança na Amazônia, porque a maior parte das árvores perdidas foi na Amazônia.”

O Inpe desenvolveu um sistema para medir as condições atmosféricas da Amazônia em uma área de 4 milhões de quilômetros quadrados. “Nós temos a medida em 4 pontos, formando um grande quadrante. Quanto mais alto você coleta, maior é a representatividade daquela amostra. Por isso a gente faz com o avião. Ele começa em 4,4 quilômetros de altura. Essas amostras vão para o laboratório do Inpe em São José dos Campos. A gente tem um laboratório de superprecisão de medidas de gás de efeito estufa, o CO2, o metano, o N2O e o CO, o monóxido de carbono”, conta.

A pesquisadora explica que uma floresta saudável absorve mais CO2 do que emite. O gás é usado na fotossíntese. “No lado oeste da Amazônia, que até o governo passado era mais preservado, a gente teve muita liberação para mineração e outras atividades no governo anterior. A partir daí o desmatamento intensificou.”

Com o avanço da destruição, a ala “não está conseguindo neutralizar completamente o que as ações humanas estão emitindo, mas fica perto de neutro”. “Agora, o lado leste, que está mais do que 30% desmatado, está em torno de 35% desmatado, aí as emissões superam em muito a capacidade de absorção da floresta, que inclusive é cada vez menor. O sudeste está tão impactado por desmatamento e degradação que a própria floresta está emitindo mais do que absorvendo. Está mais morrendo a árvore, está mais tendo decomposição do que crescimento”, alerta. 

Confira a entrevista completa no link abaixo:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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