O deputado estadual pelo Rio Grande do Sul Adão Pretto Filho (PT-RS) conta que tem marcado em seu DNA o compromisso de luta pela terra, já que seu pai foi um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), no início dos anos 1980.
Adão Pretto, o pai, foi o primeiro pequeno agricultor a se eleger para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS), em 1986, sempre deixando como marca de seus mandatos a máxima de manter “um pé na luta e outro no parlamento”.
“Eu tenho muito orgulho de dizer na tribuna da Assembleia Legislativa a minha origem, que eu venho do MST, que eu já participei de acampamento, que eu já participei da luta social”, afirma Adão Pretto Filho, que concorre à reeleição em 2026 e é irmão do candidato a vice-governador pelo PT no estado, Edegar Pretto.
Atualmente, Adão Pretto Filho busca consolidar essa atuação na Assembleia Legislativa gaúcha, defendendo a necessidade de manter uma sintonia permanente entre a mobilização de base e a representação política nos espaços institucionais de poder.
“Tivemos a compreensão de que a prioridade nesta eleição é a reeleição do presidente Lula. E também ganhar o governo aqui no estado do Rio Grande do Sul. Nós precisamos manter o presidente Lula, ganhar o nosso projeto nacional”, relata.
Pretto detalhou que esse entendimento, de nacionalizar a disputa, provocou a mudança estratégica do PT no estado, ao aceitar não ser cabeça de chapa e compor a candidatura com Juliana Brizola (PDT).
“O PDT entrou em campo para apoiar o presidente Lula. E o Edegar, meu irmão, de uma forma grandiosa, na minha opinião, que poucos fariam o que ele fez, deu um passo à frente e abriu mão [da candidatura] para a Juliana, que é a neta do Leonel Brizola, que é a nossa candidata”, reforça ao BdF Entrevista.
O deputado afirma que a presença de lideranças populares nos cargos legislativos funciona de maneira complementar às mobilizações populares, servindo como uma ferramenta para canalizar as demandas dos trabalhadores do campo.
Embora a pressão externa seja vital para pautar qualquer governo, ocupar o parlamento, argumenta Pretto, é a garantia de um porta-voz direto para os movimentos populares.
“A política é como cozinhar feijão: tem que ser exercida na pressão. Independente de quem estiver no governo federal, no governo do estado. Mas a luta institucional é fundamental também para ter lá uma liderança, um porta-voz para levar aos seus pleitos, as reivindicações”, defende.
Ao rebater as narrativas de criminalização do movimento, Adão Pretto salienta as contribuições concretas e econômicas da reforma agrária para o estado, apontando que o Rio Grande do Sul abriga hoje a maior produção de arroz orgânico de toda a América Latina.
“Hortaliças que abastecem muitas feiras no estado do Rio Grande do Sul, inclusive aqui na capital dos gaúchos e gaúchas de Porto Alegre, saem dos assentamentos da reforma agrária. São agroindústrias, cooperativas organizadas, que nos dão muito orgulho”, relata.
Adão Pretto também relembra a tragédia que assolou o estado e fala da rede de solidariedade ativa construída pelos assentamentos, que organizaram cozinhas solidárias e doaram toneladas de alimentos saudáveis à população urbana, não apenas no episódio das chuvas, como no período de pandemia.
“Investir na reforma agrária é dar dignidade às pessoas, é produzir alimento saudável, é preservar a natureza, é o cuidado do bem comum”, conclui.
Confira a entrevista completa:
Para ouvir e assistir
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.
