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Fala Aí: Como vai funcionar na prática a “cura gay”?

Pergunta desta semana questiona a polêmica sobre a decisão judicial que dá aval para pseudoterapias de reversão sexual

21ª Parada do Orgulho LGBT na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro
21ª Parada do Orgulho LGBT na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro | Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma decisão judicial causou polêmica no último dia 15. Em liminar, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14º vara do Distrito Federal, tornou possível a oferta de pseudoterapias de reversão sexual, conhecida popularmente como “cura gay”.

A decisão do juiz é uma resposta parcial a ação movida pela psicóloga Rozangela Alves Justino, contra o Conselho Federal de Psicologia (CFP), que contestava e pedia suspensão da resolução 01/99 do órgão. A resolução determina que "os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados". A psicóloga Rozangela teve o registro profissional cassado em 2009 por oferecer terapias de cura para homossexualidade tanto masculina quanto feminina.

No quadro Fala Aí desta semana, a ouvinte Tifany questiona o motivo da decisão do juiz e as consequências de tal veredito. Quem responde é o psicólogo Paulo Bicalho, membro do Conselho Federal de Psicologia.

"Meu nome é Tifany, tenho 18 anos, minha profissão é estudante e minha pergunta é que eu gostaria de saber como…por quê ser gay é uma doença e como que essa "doença" iria ser tratada. Como isso vai funcionar na prática?"

"Olá, meu nome é Pedro Paulo Bicalho, eu sou diretor do Conselho Federal de Psicologia e sou professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Respondendo à pergunta da Tifany, queria dizer que a homossexualidade não é considerada uma doença desde 1990 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e desde 1999, ratificando portanto a posição da OMS, o Conselho Federal de Psicologia afirma que não é doença e diz mais, ele fala que não se constitui desvio nem perversão. Ou seja, não há porque pensar a homossexualidade como algo a ser curado como também não é pra pensar como algo a ser reorientado, tendo em vista que a gente só reorienta aquilo que se considera um desvio.

Pela liminar concedida por esse juiz, na verdade o que ele faz é transformar a resolução enquanto impeditiva das práticas de reorientação, o que ele solicita na verdade é que a nossa Resolução, ela seja reinterpretada de modo que a psicologia brasileira aceite as chamadas terapias de reorientação e, portanto, esse é o grande problema que faz com que nós, neste momento, estejamos trabalhando muito para que essa liminar seja cassada.

O que aconteceria na prática é que profissionais de psicologia pudessem entender a homossexualidade como um problema a ser tratado e por se perceber como problema eles iriam então promover as chamadas terapias de reorientação, as quais o Conselho Federal de Psicologia, por um lado, entende que não possuem eficácia de cura e por outro, elas possuem uma potencialidade para transformar essas pessoas que estão sofrendo em pessoas que sofrem mais ainda, ou seja, ela produz agravos psíquicos e por esse motivo nós entendemos que não é nem técnico nem ético a condução do trabalho da psicologia através dessas terapias. Na prática não seria feito como se fosse psicologia, então o Conselho não tem nem como dizer como seria porque isso não é psicologia."

Editado por: Camila Salmazio

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