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Jornal Brasil Atual Edição da Tarde | 17 de fevereiro de 2021

Organização Internacional do Trabalho questiona governo Bolsonaro por "MP da Morte" imposta no início da pandemia

Audiência com participação do empresário Luciano Hang, ministro de Economia, Paulo Guedes e presidente da República, Jair Bolsonaro | Crédito: Marcos Corrêa/PR

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) está cobrando do governo Bolsonaro explicações a respeito de mudanças legislativas ocorridas durante a pandemia que teriam violado convenções internacionais.

A entidade se refere especificamente às medidas provisórias 927 e 936, estabelecidas logo nos primeiros meses da pandemia, em 2020, e que criaram o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda.

A norma, que permitiu a suspensão temporária dos contratos de trabalho e a redução de salário e jornada proporcional em até 70%, foi alvo de questionamentos e chegou a ser chamada da MP da Morte.

Centrais sindicais apontaram à OIT que essas MPs prejudicaram o direito à negociação coletiva ao garantir que acordos individuais prevaleçam sobre todas as outras fontes legislativas e coletivas de direito do trabalho. 

Para Moisés Selérges, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o governo federal tem enfraquecido as negociações sindicais, o que afeta diretamente a relação entre trabalhadores e patrões. Ele reforçou ainda que Bolsonaro deveria deixar de lado sua visão negacionista sobre a pandemia e ajudar os trabalhadores e a economia a enfrentar esse momento de dificuldade. 

Já para o consultor sindical João Guilherme Vargas Neto, a preocupação da OIT com os trabalhadores brasileiros mostra como o governo Bolsonaro é mal visto internacionalmente. Segundo ele, as medidas tomadas na pandemia apenas reforçam que o governo nunca esteve preocupado com os trabalhadores. O fechamento do Ministério do Trabalho, lembrou o especialista, foi o primeiro passo nesse sentido.

No documento, a OIT reconhece as circunstâncias excepcionais vividas pelo país devido à pandemia e a necessidade de adotar medidas urgentes para mitigar os efeitos econômicos e sociais da crise.

No entanto, o Comitê lembrou que "as medidas adotadas durante uma crise aguda que coloquem de lado a aplicação dos acordos coletivos em vigor devem ser de natureza excepcional, limitadas no tempo e oferecer garantias para os trabalhadores mais afetados", alertou.

Confira todos os destaques do dia no áudio acima.

*Com informações de Danilo Reenlsober.   

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O Jornal Brasil Atual Edição da Tarde é uma produção conjunta das rádios Brasil de Fato e Brasil Atual. O programa vai ao ar de segunda a sexta das 17h às 18h30, na frequência da Rádio Brasil Atual na Grande São Paulo (98.9 MHz) e pela Rádio Brasil de Fato (online). Também é possível ouvir pelos aplicativos das emissoras: Brasil de Fato e Rádio Brasil Atual.

Editado por: Mauro Ramos

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